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O Sistema Único de Saúde (SUS), motociclistas vítimas do trânsito e o número de mortos e feridos em acidentes de motocicleta no Brasil

Graças aos registros do sistema de informações hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS), é possível saber com considerável precisão o número de mortos por acidentes de trânsito e, mais especificamente, de motocicletas. Já as vítimas não fatais são de difícil mensuração. “A subnotificação aqui é certamente gigantesca, mas se aceitarmos os números oficiais de feridos internados, teremos aproximadamente para cada 1 morto, cerca de 20 a 25 motociclistas sobreviventes no Brasil”, diz Eduardo Biavati, mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB) e especialista em segurança no trânsito.


Vítimas incapacitadas

Quantos desses sobreviventes ficam com alguma sequela gravemente incapacitante? O Brasil tampouco tem dados confiáveis neste quesito, mas Biavati citou as estimativas “sólidas e aceitas internacionalmente” dos Centros para Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. “Nos EUA, com todo o aparato de resgate e atendimento, cerca de 30% das vítimas do trânsito sobrevivem com sequelas gravemente incapacitantes, principalmente lesões cerebrais e medulares”, informa o professor. Se transportarmos esta proporção para o Brasil, seriam pelo menos 80 mil motociclistas incapacitados fisicamente por ano. Por mais assustador que o número possa parecer, ele está bem dentro da realidade. Afinal, o seguro DPvat relata ter pago, em 2011, 239.738 indenizações por incapacidade permanente para vítimas do trânsito. Se um em cada morto é motociclista, isso daria pelo menos 60 mil indenizações para quem estava de moto.

“A maior parte das vítimas de acidentes e violências sobrevive a esses eventos, demandando atenção dos serviços de saúde. Na última década, a título de exemplo, para cada morto em acidente de trânsito no Brasil, as estatísticas oficiais registraram cerca de 13 feridos. Em números absolutos, mais de 3,3 milhões de pessoas sobreviveram aos acidentes de trânsito, requerendo, em maior ou menor grau, assistência médico-hospitalar”, complementa Luiz Guilherme Nadal Nunes, estatístico do Centro Nacional de Controle de Qualidade da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, uma das maiores do mundo (1.639.451 de atendimentos a pacientes em 2010).

Na Rede Sarah, informa Nunes, os acidentes de trânsito foram responsáveis por 760 internações no primeiro semestre do ano passado (45,5% do total por causas externas). Dessas internações, 45,8% eram de motociclistas acidentados. Neste grupo, a maioria é do sexo masculino (87,9%), solteiros (66,1%), seguidos de casados (29,9%), com escolaridade até o ensino fundamental (43,4%) e moradores em área urbana (81%).

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