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O custo de internações, com pagamento pela rede pública (SUS), para tratamento de lesões de motociclistas por acidentes de trânsito, segundo números do Ministério da Saúde

Vítima atendida em pronto- -socorro: Ipea estimou custo anual dos
acidentes nas rodovias em R$ 22 bilhões (Foto: Valter Campanato/ABr)

O Ministério da Saúde divulgou estatísticas mostrando que o custo de internações por acidentes com motociclistas pagas pelo SUS aumentou 113% em apenas quatro anos (2008—2011), passando de R$ 45 milhões para R$ 96 milhões — ou metade das despesas com atendimento de acidentados no trânsito em geral. O crescimento acompanha o aumento das internações que passou de 39.480 para 77.113 hospitalizados no período.

“O Brasil está definitivamente vivendo uma epidemia de acidentes de trânsito e o aumento dos atendimentos envolvendo motociclistas é a prova disso. Estamos trabalhando para aperfeiçoar os serviços de urgência no SUS, mas é inegável que essa epidemia está pressionando a rede pública”, admitiu o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao divulgar os dados.

Os números do Ministério da Saúde são recebidos com cautela pelos especialistas ouvidos no Senado. Um levantamento do Departamento de Medicina Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), por exemplo, estimou em US$ 98 milhões por ano o custo dos acidentes de motocicleta apenas na cidade de São Paulo.

Na avaliação de Eduardo Biavati, esse total de despesas divulgado pelo SUS não é uma referência precisa acerca da gravidade da situação. Segundo o especialista, o baixo valor pode indicar, tão somente, o inadequado padrão de atendimento que se pode oferecer ao cidadão.

“Um longo e custoso processo de tratamento e cuidado de fraturas complexas de membros inferiores (sempre a área mais machucada em motociclistas) que imobilizaria por meses um leito escasso na rede pública, pode ser drasticamente reduzido por uma amputação de uma ou das duas pernas do motociclista, a título de exemplo hipotético”, justifica.

Para se ter uma noção mais firme sobre a longa duração de dependência e a incapacitação física resultante dos acidentes sobre duas rodas, acredita Biavati, outros dados são mais relevantes do que aqueles divulgados pelo Ministério da Saúde.

“Seria mais importante indicar o crescimento da despesa em um período determinado, os tempos médios de internação, como uma medida da ­imobilização dos leitos públicos, comparando-se motociclistas e outras vítimas (pedestres, condutores, passageiros, ciclistas) e a proporção de motociclistas com lesão cerebral e amputações de membros inferiores em relação ao total de casos de trânsito”, ­enumerou.


Sem alternativas

De todo modo, a rede pública é um destino certo do motociclista ferido no trânsito no Brasil pelo simples fato de que é para algum dos hospitais gerais de referência que o resgate está orientado a transportá-lo.

“Se os ferimentos do motociclista levarem a uma internação maior do que 24 horas e, especialmente, maior do que sete dias, é provável que ele tenha sofrido politraumatismos graves, amputações e, talvez, neurotraumas — lesão cerebral especialmente — significativos. Em todas as situações, é a rede pública de saúde que arcará com o ônus integral do cuidado dessa vítima, tenha ou não a vítima o melhor plano de saúde privado que o dinheiro pode comprar”, explica Biavati.

Marta Silva, do Ministério da Saúde,
alertou que acidentes crescem mais
nos estados do Norte e do Nordeste
(Foto: Márcia Kalume/Agência Senado)

Para enfrentar o problema, a Rede Saúde Toda Hora, criada pelo governo federal tendo como meta melhorar o atendimento pelo SUS aos usuários em situação de urgência, incorporou a prevenção das lesões e mortes no trânsito como prioridade na rede de urgência (tanto a rede móvel, que é o Samu, como o serviço hospitalar), a abertura de novas unidades de pronto-atendimento (UPAs) e outros serviços, disse no Senado a coordenadora da Área Técnica de Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes do Ministério da Saúde, Marta Maria Alves da Silva.

O senador Paulo Davim (PV-RN), como médico, também foi testemunha dessa epidemia a que se refere o ministro Alexandre Padilha. Para ele, falta fiscalização do trânsito para reduzir o número de mortos e feridos.

“O acidente de moto é um prejuízo muito grande, não traz prejuízos só para a vítima, mas financeiros para o SUS. Além das internações, há os pacientes que foram atendidos e receberam alta. Tampouco está contabilizado o paciente que recebeu benefícios da Previdência, o gasto com a recuperação, com fisioterapia, além do prejuízo social por conta de um cidadão que deixou de trabalhar, de produzir”, avalia o senador.

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