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Entre mortes e feridos, vítimas de acidentes no trânsito são custo para a sociedade e problema para o sistema de saúde pública do Brasil

 

Serviço de socorro resgata motoqueiro acidentado nas ruas de São Paulo:
estudos do Ipea confirmamestimativa de que vítimas da violência do trânsitocustam ao país quase US$ 14 bilhões a cada ano (Foto: Newton Santos)

De acordo com o Relatório do Estado Global sobre a Segurança nas Estradas, da Organização das Nações Unidas (ONU), de 2009, o Brasil respondeu por 2,75% (35 mil em 1,27 milhão) das mortes em 178 países no ano de 2004, o dado mais recente utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O mesmo estudo revela que esses acidentes representaram um custo global anual de US$ 518 bilhões.

Fazendo-se uma compilação de ambas estatísticas, é possível estimar, portanto, que a fatia do Brasil nessa conta seria de US$ 13,9 bilhões (cerca de R$ 29,6 bilhões). Além das perdas irreparáveis para as famílias das vítimas, os custos oneram toda a sociedade, que sustenta, com o pagamento de impostos e contribuições, o sistema de saúde pública, responsável por grande parte do socorro às vítimas.

O Brasil ainda não produziu um estudo abrangente que fixe o custo econômico e social que as mais de 40 mil mortes e as centenas de milhares de feridos no trânsito causam ao país, e ­tampouco específico sobre os motociclistas vitimados. Os dados que mais perto chegam de um quadro realista foram trazidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), em dois levantamentos (2003 e 2006), tratando respectivamente dos acidentes nas cidades e nas rodovias.

Nos dois casos, foram computadas perdas com produção, associada à morte das pessoas ou interrupção de suas atividades, seguido dos custos de cuidados em saúde (pré-hospitalar, hospitalar e pós-hospitalar, remoção e traslado) e os prejuízos materiais, ­associados aos veículos danificados ou destruídos, entre outros.

No estudo Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de Trânsito nas Aglomerações Urbanas, realizado entre 2001 e 2003, a conclusão do Ipea é de que as perdas anuais relativas aos acidentes de 2002 foram de R$ 5,3 bilhões (a preços de abril de 2003). A pesquisa estimou, ainda, os custos médios unitários de cada incidente: R$ 3,3 mil, para os acidentes de trânsito sem vítimas; R$ 17,5 mil, para os acidentes com feridos; e R$ 144,5 mil, para cada morte.

Em dezembro de 2006, o Ipea divulgou seu segundo estudo, mensurando o custo anual dos acidentes de trânsito nas rodovias: R$ 22 bilhões, a preços de dezembro de 2005 — 1,2% do PIB ­brasileiro.

A pesquisa, em parceria com o Denatran e a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), usou dados dos dois anos anteriores. No caso dos acidentes rodoviários, o Ipea estimou os custos individuais em R$ 1.040 por vítima sem ferimentos, R$ 36,3 mil para os feridos e R$ 270,1 mil por ­vítima fatal.

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