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Provável grande causa de acidentes com motociclistas, especialistas em segurança de trânsito debatem a proibição do tráfego de motos em “corredores” (artigo 56, vetado, do CTB)

Na falta de faixa exclusiva, questiona-se: as motos podem trafegar entre as faixas? O artigo 56 do projeto do Código de Trânsito Brasileiro aprovado pelo Congresso proibia o tráfego no chamado corredor. Vetado pela Presidência da República, o artigo ainda é alvo de debates. Muitos especialistas atribuem ao tráfego no corredor grande parte dos acidentes envolvendo motos e pedem a proibição, que consta, inclusive, do PLS 45/08, do ex-senador ­Marconi Perillo.

Para João Pedro Corrêa, consultor do Prêmio Volvo de Segurança no Trânsito, é preciso proibir para reduzir os acidentes. Já Felipe Carmona, advogado especialista em trânsito, discorda. “A motocicleta, sem a possibilidade de mobilidade, não é motocicleta. E mais: se nós já vemos acidentes, com as motos utilizando o espaço dos carros, vai haver mais vítimas do que há hoje”.

Para o sociólogo e especialista em trânsito Eduardo Biavati, o veto ao artigo 56 acabou por constituir uma permissão de fato para o uso do corredor pelas motos, em franca oposição ao CTB, cuja maior premissa, alerta o sociólogo, é a isonomia entre os veículos automotores, alinhando-os em fila, estabelecendo regras para ultrapassagens e distâncias seguras entre eles.

“Os motociclistas tornaram o corredor disponível para si às custas da segurança de todos os demais usuários. O corredor é o roubo da segurança coletiva para usufruto exclusivo dos motociclistas. Esse argumento da agilidade da moto é uma farsa que esconde a defesa do privilégio de se colocar à margem das regras estabelecidas pelo Código de Trânsito Brasileiro”, acusa Biavati.

O corredor ainda explica, diz o especialista, o grande número de pedestres atropelados por motos nas grandes cidades. “A prática do corredor, o avanço do sinal vermelho, a conversão proibida e a contramão são as causas principais (74%) das mortes de motociclistas [em São Paulo]. Essas condutas levam ao extremo a invisibilidade da motocicleta no trânsito urbano”, alerta Biavati, em seu estudo Mortos e Feridos sobre Duas Rodas, de 2009.

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