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Motofaixas, faixas exclusivas para motos nas vias das cidades brasileiras, custam caro e não determinam diminuição do número de acidentes de trânsito

Uma das alternativas de planejamento viário para aumentar a segurança no trânsito, principalmente para motociclistas, é a destinação exclusiva de uma faixa da via aos veículos de duas rodas, à semelhança do que tem sido feito em relação aos ­ônibus.

Debatida no seminário promovido pela CAS, a solução foi defendida pelo presidente do Sindicato dos Mensageiros Motociclistas, Ciclistas e ­Mototaxistas do Estado de São Paulo (Sindimoto-SP), Gilberto Almeida dos Santos. “Peço que o governo federal invista mais em motofaixas em São Paulo. A cidade tem 138 mil ruas e há apenas seis quilômetros de corredores exclusivos para moto. A gente nota muita resistência para construir esses corredores, alternativa que evitaria ­acidentes”.

No Senado, o Projeto de Lei (PLS) 346/12, do senador ­Jorge Viana (PT-AC), ­apresentado durante o seminário, em 13 de setembro, obriga os órgãos municipais de trânsito a reservar faixa exclusiva em vias de grande circulação, determina limite de velocidade para motos de 60 quilômetros por hora e torna infração grave o tráfego de motocicletas fora das vias ­exclusivas onde elas existirem.

Para Viana, é preciso resgatar o sentido maior das leis de trânsito: “Nessa absurda lei do mais forte das cidades brasileiras, o Estado tem que agir. Quem menos pode e mais corre risco numa cidade é quem anda a pé, depois bicicleta, motocicleta, numa sequência até chegar à carreta. E a lei é invertida. Não é quem pode menos que é mais acolhido” (leia mais na pág. 11).

Também o PLS 45/08, proposto pelo ex-senador Marconi Perillo (PSDB-GO), prevê a criação das motofaixas e inclui o tráfego fora delas entre as infrações gravíssimas.


Reavaliação

Os resultados da implantação das motofaixas na cidade de São Paulo podem, no entanto, obrigar a uma reavaliação desse tipo de solução. Segundo a prefeitura, a experiência não produziu os resultados esperados e pode ser descartada. Falando aos vereadores da cidade em novembro do ano passado, o secretário municipal de Transportes, Marcelo Cardinale Branco, informou que o número de acidentes envolvendo motos não caiu como o esperado. Ao contrário, os números em São Paulo, à semelhança do restante do país, não param de subir.

Ainda assim, representantes de vários setores e especialistas questionam essa percepção. Para eles, como não há estatísticas do número de acidentes ocorridos exclusivamente nas motofaixas ou dados que ­apontem suas causas — se provocados ou não por motos —, não há condições de concluir em definitivo que as áreas exclusivas para motos não ­funcionaram.

E mais: os que defendem que a melhor saída é estimular a boa convivência entre todos no trânsito (pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas etc.), em vez de segregar alguns, entendem que a medida é cara e que, de forma geral, falta espaço para todo tipo de veículo — e para os pedestres — nas ruas das grandes cidades brasileiras.

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