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Motocicletas em um sistema de vias perigosas para veículos de duas rodas levam a aumento do número de acidentes com motociclistas no trânsito do país

No estudo Mortos e Feridos sobre Duas Rodas, Eduardo Biavati alerta que a combinação de altos volumes de tráfego, problemas físicos e falta de fiscalização sistemática amplia a insegurança e os conflitos nas pistas, o que se reflete no número de acidentes.


Vias muito perigosas

As avenidas que ligam as periferias aos centros das metrópoles figuram, segundo Biavati, entre as mais perigosas para os motociclistas, indicativo de que problemas específicos existem nesse tipo de via, desde erros de geometria (traçado sinuoso, descontinuidade na largura das pistas e passeios, trechos com muita declividade) até falhas na manutenção do pavimento e sinalização, passando por uma presença menor de fiscais de trânsito.

“Muitas dessas vias também apresentam altos índices de acidentes entre veículos e atropelamentos. A maior parte dessas vias constitui a única rota de acesso a extensas regiões residenciais de renda média e baixa, onde a rede viária é formada por ruas estreitas e de pequena extensão. Por esse motivo, essas vias principais concentram necessariamente grandes volumes de veículos, todas as linhas de ônibus e o transporte de carga”, destacou o especialista.

Eugênio Hatem realizou estudo sobre influência
do sistema viário nos acidentes: medidas simples
poderiam trazer resultados quase imediatos na 
segurança de carros e motocicletas
(Foto: Márcia Kalume/Agência Senado)

O pesquisador da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), Eugênio Paceli Hatem Diniz, mestre em Engenharia da Produção, listou problemas comuns ao sistema viário brasileiro — avenidas com poucos pontos de retorno, faixas de circulação estreitas e vagas de estacionamentos insuficientes. Para ele, medidas simples poderiam ser implementadas e trariam resultados quase imediatos na segurança de carros e motocicletas, como minirrotatórias nos retornos e tinta não escorregadia na pintura de faixas. Entre os projetos sobre trânsito em discussão no Senado, um deles defende a necessidade de mudança nos guard rails, que costumam causar ferimentos fatais nos motociclistas em caso de queda.

Presidente da Associação Brasileira de Motociclistas (Abram), Lucas Pimentel enfatizou que o sistema viário do país não foi desenvolvido para um cenário onde a motocicleta é protagonista da frota, como é a tendência atual.

“A norma ASTM e outras que norteiam a construção de vias no mundo foram feitas com base em estudo técnico do comportamento do automóvel, do ônibus e do caminhão, e não o da motocicleta. O DNIT detectou 2.500 pontos de vulnerabilidade a acidente de veículos nas estradas federais. Admitiu isso. As nossas vias não são apropriadas para motocicleta. Sem falarmos de pavimentação e de sinalização, entre outras”, disse Pimentel.

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