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CET e Sindimoto-SP consideram corredor exclusivo e motofaixa (faixa exclusiva) como soluções de segurança para redução de acidentes e mortes com motos no trânsito viário de São Paulo

Flagrante de acidente em motofaixa, em São Paulo:
corredor exclusivo tem defensores, mas autoridades
não estão convencidas de que reduz a mortalidade
(Foto: Newton Santos)

A questão da segurança nas ruas e estradas é um trinômio de difícil integração. Máquina, via e condutor precisam contribuir para que o ambiente seja o mais seguro possível para todos, incluindo as partes ainda mais frágeis nesta equação, os pedestres.

“A máquina tem que ser utilizada em perfeitas condições, respeitando o meio ambiente, com emissão de poluentes controlada. A via precisa estar sinalizada, fiscalizada e em condições adequadas. O homem precisa no mínimo de habilitação, tem de estar consciente do seu papel, utilizar equipamentos de segurança e respeitar as leis de trânsito”, ensina José Eduardo Gonçalves, diretor-executivo da Abraciclo.

A realidade, porém, é muito diversa. Vias mal conservadas e pessimamente planejadas acolhem um número além do razoável de veículos, conduzidos muitas vezes de forma inadequada e não raramente irresponsável. Experiências em metrópoles brasileiras têm comprovado que intervenções no sistema viário são capazes de melhorar a fluidez do tráfego e reduzir o número de acidentes e mortes no trânsito.


Intervenções diretas

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da cidade de São Paulo revela que a criação de faixas exclusivas para motocicletas nos corredores Avenida Sumaré/Paulo VI e Avenida Vergueiro/Liberdade contribuiu para a queda dos óbitos. Da mesma forma, a proibição de circulação de motos em uma das três pistas da Marginal Tietê reduziu os acidentes em 35% em um ano. Já a redução da velocidade máxima de 70 km/h para 60 km/h representou uma queda de 22% nos acidentes com motocicletas no eixo Norte/Sul da via.

O mesmo estudo mostrou como o uso do sistema viário pode ser fator preponderante no aumento das mortes. A combinação de três fatores muito comuns ao trânsito paulistano — vias congestionadas, despreparo da fiscalização e aumento da frota de motos — incentiva os motociclistas a conduzir entre os veículos, no corredor entre os carros. E esse comportamento respondeu, em 2010, por 35% dos acidentes fatais com motocicletas, como relatou a chefe da Assessoria da Superintendência de Segurança de Trânsito da CET, Heloísa Martins, durante o Congresso Internacional de Trânsito de 2012, realizado em Porto Alegre.

Rodrigo Carlos Ferreira da Silva, consultor da diretoria do Sindimoto-SP, concorda que as motofaixas e os corredores exclusivos são uma das ferramentas para a redução dos acidentes.“É bastante importante separar as motocicletas dos carros. São Paulo é a única cidade no país a criar motofaixas. Temos duas. A moto anda entre os carros, então, é preciso sinalizar esse tráfego.

Estamos trabalhando junto com a CNT [Confederação Nacional do Transporte] em estudos para que haja vários corredores virtuais na cidade”, informou.

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