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Abraciclo analisa a motocicleta como veículo de trabalho e para fugir do transporte público e dos congestionamentos no trânsito urbano

Motos escapam entre carros e ônibus parados no congestimento:
40% dos compradores adotam o veículo para cumprir o
trajeto casa-trabalho (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Dois fatores intrinsecamente ligados contribuíram para o impressionante crescimento da presença das motocicletas no Brasil: a péssima qualidade do transporte coletivo, que é a regra geral, e o conturbado trânsito nas grandes cidades. Versátil, a motocicleta ainda desempenha com facilidade uma série de tarefas que são complicadas para outros veículos, em especial na área de prestação de serviços públicos. Hoje, é impensável se imaginar um sistema de socorro, um policiamento ostensivo ou o trabalho do Corpo de Bombeiros sem as motocicletas.

“A grande maioria dos compradores opta por esse transporte como substituição ao transporte público, cada vez mais precário, caro e sem cumprir horários. Está difícil circular nas grandes metrópoles por causa do caos urbano e da falta de estrutura adequada. Então, essa é a alternativa que resta, especialmente para aqueles que fazem da motocicleta o seu veículo de trabalho”, avaliza a senadora Ana Amélia (PP-RS).

Segundo trabalho apresentado pela chefe da Assessoria da Superintendência de Segurança de Trânsito da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo, Heloísa Martins, no Congresso Internacional de Trânsito de 2012, em Porto Alegre, a motocicleta é encarada hoje como uma solução de mobilidade, por fatores como baixo valor de compra, facilidade de pagamento, baixo custo de manutenção, agilidade no trânsito (para superar os congestionamentos e a falta de espaços para estacionar, problemas que atormentam os donos de automóveis), independência e possibilidade de ser usada como instrumento de trabalho.

“Por que aumenta a adesão à motocicleta? Em primeiro lugar, porque as pessoas estão insatisfeitas com o transporte público. 40% dizem que estão trocando o transporte público pela motocicleta. 19% das pessoas dizem que a utilizam para lazer. 16% a utilizam como instrumento de trabalho, onde se encaixam os motofretistas. 10% utilizam a motocicleta em substituição ao automóvel, pela dificuldade de circulação no espaço urbano”, detalhe o diretor-executivo da Abraciclo, José Eduardo Gonçalves, citando dados de levantamento realizado pela entidade no final do ano passado.


Classes C, D e E

E quem está procurando a moto como solução para esses problemas é justamente a população que mais depende dos metrôs, ônibus e trens. Tanto que, conforme as estatísticas da Abraciclo, 85% das vendas são de veículos mais baratos, de até 125 cilindradas, cujo preço parte de R$ 4 mil. Advogado especialista em trânsito, Felipe Carmona afirmou que não são só profissionais que compram motos, mas também pessoas que as utilizam para se locomover para o trabalho e até altos executivos, para fugir do trânsito.

Felipe Carmona lembra que até altos
executivos têm aderido às motocicletas
para fugir dos engarrafamentos
(Foto: Márcia Kalume/Agência Senado)

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