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Invasão sobre duas rodas: Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) confirma rápido crescimento da frota de motos no trânsito brasileiro e grande número de motociclistas não habilitados

Foi um salto gigantesco, em curtíssimo espaço de tempo. A motocicleta, personagem raro nas ruas brasileiras há apenas três décadas, se tornou tão presente no cotidiano das cidades de qualquer porte que é virtualmente impossível sair à rua sem ver uma delas — e, lamentavelmente, motoristas e pedestres também já se habituaram a vê-las caídas. Em 1970, as 62 mil motocicletas registradas no Brasil respondiam por 2,4% do total da frota. Em 2012, segundo estimativas dos fabricantes e do próprio Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), vamos chegar a quase 19,5 milhões, ou mais de um quarto de todos os veículos automotores em circulação.

Dos anos 1970 até o final da década de 1990, o crescimento do uso da motocicleta pelo brasileiro foi constante, porém em ritmo muito inferior ao atual. Tanto que no ano 2000 eram apenas 4 milhões de motos (13,6% da frota). Na velocidade atual de produção e comercialização (veja infográfico nesta página), não é difícil imaginar que, até 2020, os veículos sobre duas rodas passem a compor um terço da frota. Afinal, com base na média dos últimos anos, a produção de motocicletas e ciclomotores tem crescido em ritmo até quatro vezes maior que a de automóveis, caminhões e ônibus. Se 2012 ainda mostra retração nas vendas, o setor, quinto maior produtor mundial, segue otimista em relação aos próximos anos.

O rápido crescimento da presença das motocicletas no trânsito brasileiro é resultado de uma série de fatores combinados (leia mais a partir da pág. 6), entre eles a decisão de abandonar o transporte coletivo e passar a transitar em seu próprio veículo. O problema é que nem o sistema viário está adequadamente preparado para esta súbita invasão e nem as autoridades de trânsito reagiram com a velocidade necessária para melhorar o treinamento dos futuros motociclistas, oferecer alternativas de segurança e apertar a fiscalização, como forma de combater a mortalidade.

Em 10 das 27 unidades da Federação, segundo o Denatran, a frota de motos circulante é superior ao de habilitados. A óbvia conclusão é de que há milhões de motos sendo dirigidas, todos os dias, por pessoas que sequer têm a habilitação exigida pela lei (carteira categoria A). No Maranhão, o recordista, há 2,14 motos para cada habitante do estado autorizado a conduzi-las.

Dos dez estados nesta situação, apenas Minas Gerais não está nas regiões Norte ou Nordeste, onde pesquisas acadêmicas e levantamentos do setor produtivo confirmam uma verdadeira invasão em duas rodas — sobretudo no interior, onde já virou folclore se dizer que a moto está substituindo o jumento como meio de transporte.

“Não há cidade no país, em qualquer região, sertão ou litoral, que tenha ficado imune à invasão das motos. A cena urbana de São Paulo traduz a imagem imediata dessa revolução — o mar de motos disputando metro a metro o asfalto. Mas revolução mesmo aconteceu no interior, nos pequenos centros urbanos, onde as pessoas ainda se deslocavam tranquilamente a pé ou no ritmo lento da bicicleta ou no lombo do jegue velho de guerra. As pessoas simplesmente largaram o jegue no mato, aposentaram a bicicleta, em prol do conforto, da velocidade e da economia inegáveis da motocicleta e ascenderam social e economicamente sobre duas rodas”, explica Eduardo Biavati, especialista em segurança no trânsito.

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