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Experiência de outros países no combate às drogas é referência para subcomissão do Senado

As dificuldades para abordar o problema do uso e do abuso de drogas levaram os governos de diferentes países a buscar soluções alternativas à simples repressão da oferta. Muitas dessas experiências em outros países ainda estão em fase de avaliação de resultados, mas algumas já se destacam, seja pela mudança de conceitos, seja pela organização da sociedade em relação ao combate às drogas buscando minorar o problema.

O representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) para o Brasil e o Cone Sul, Bo Mathiasen, alerta, porém, que a experiência de outros países no combate às drogas deve ser analisada com cautela, pois cada nação tem suas especificidades social, cultural, econômica e étnica, que precisam ser respeitadas e que alteram a forma de encarar a questão.

“Os contextos são diferentes. É muito difícil dizer que uma estrutura que funciona bem em um país poderia ser transferida para outro”, afirmou Mathiasen durante o painel da subcomissão do Senado que analisou a experiência de outros países no combate às drogas.


Bo Mathiasen, da Unodc (E), com a senadora Ana Amélia, vice-presidente da subcomissão, e Bernardino Vitoy, da Opas. Foto: Márcia Kalume

Bernardino Vitoy, da Unidade de Saúde Familiar, da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), ressalta que a capacidade técnica brasileira é suficiente para desenvolver uma estratégia que responda às necessidades do país no combate às drogas.

Mathiasen e Vitoy, porém, destacam outros países que estão investindo na resposta social ao problema, inclusive com bons resultados, como Holanda, Suíça e Portugal.

O representante do Unodc disse que a experiência no combate às drogas de diversos países têm mostrado que as formas de tratamento mais promissoras, no caso do crack, são o aconselhamento e a terapia psicossocial, e que “os tratamentos farmacológicos mostram algum resultado, mas ainda deixam a desejar”. Ele destacou ainda a importância das terapias familiar e cognitiva comportamental, da entrevista motivacional e da “prevenção da recaída”. Já no caso da Suécia, Mathiasen aponta um exemplo de regime de maior controle às drogas que funciona, com registros de uso de drogas e de álcool inferior à média da Europa.

No Brasil, segundo Roberto Kinoshita, do Ministério da Saúde, o modelo português de combate às drogas é o que vem despertando maior interesse dentre os modelos analisados de outros países. “Na área das políticas públicas é a vedete do momento em termos do que está sendo estudado. É uma experiência diferente, mas mais próxima da nossa cultura”, disse.

Comentários

Legalização

O UNODC continua com sua postura conservadora e desgarrada da realidade, amparado apenas nas Convenções da ONU. Relutando em aceitar as experiências corretas de Portugal, Holanda e Suiça, em função de um fundamentalismo religioso e militar, pois nada mais justifica o discurso proibicionista.

16/08/2012 14:38:22, Miguel Ângelo Bonifácio

Professor

O UNODC conhece a realidade de cada país e a sua preocupação é responsável e pertinente. No Brasil não há uma estrutura adequada na área de saúde e tampouco na assistência social, para assumir integralmente a condução do problema.

17/04/2013 15:51:03, Sérgio Ricardo de Souza
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