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Plano de Enfrentamento ao Crack tem orçamento modesto

A dificuldade de articulação entre atendimento em saúde e assistência social e entre as diversas esferas e órgãos públicos levou o governo a lançar, em maio de 2010, o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, cujo principal objetivo é desenvolver ações coordenadas de prevenção, tratamento e reinserção social do usuário de crack e de combate ao tráfico, de forma a integrar as iniciativas dos diversos órgãos da União, estados, municípios e da sociedade civil.

As ações do Plano de Enfrentamento ao Crack são ambiciosas, mas, segundo especialistas e senadores, esbarram no orçamento do plano, bastante modesto. E essa não é a única crítica.

“Esperávamos que o plano tivesse, ao mesmo tempo, ações nas áreas social, de saúde e policial, e não um pacote pulverizado, que prevê que os municípios busquem os seus convênios”, critica o médico Ricardo Paiva, referindo-se à responsabilidade transferida às prefeituras para execução da maioria das ações, como elaborar projetos, pleitear recursos, implementar e gerir o plano, estruturas de saúde e de assistência social.

Para Carlos Vital Corrêa Lima, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, o Plano de Enfrentamento ao Crack está longe de ser suficiente. Segundo ele, deveriam ser incluídas outras prioridades:

• Na área de repressão: controle efetivo de fronteiras; criação de um setor de inteligência na esfera policial para expurgar os policiais ligados ao tráfico; preparação da polícia para agir com humanidade e respeito aos direitos dos dependentes.

• Na área de saúde: assistência médica integrada numa rede capaz de absorver a demanda assistencial, priorizando a implantação dos Caps III e a oferta de psicoterapia pelo SUS.

• Na área social: criação de escolas integradas que ofereçam inclusão social; sistema de economia solidária que permita a reinserção e a preservação da autoestima do dependente.

“E precisamos, sem dúvida, ter financiamento adequado, sistematização, metodologia de controle e avaliação”, conclui.

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