|. HOME .| -->

Óxi é uma variação de pior qualidade

Outros derivados da cocaína, mais baratos, mais tóxicos e mais fáceis de produzir, já são um problema de saúde pública no Brasil.

O apelido de “oxidado” vem do fato de a droga liberar uma fumaça escura ao ser consumida e deixar um resíduo marrom, semelhante à ferrugem.

O óxi, abreviação de oxidado, é uma variação do crack, de qualidade ainda pior. Também se trata de uma mistura de pasta base de cocaína com uma substância alcalina e um solvente. Só que a pasta, em vez de receber alcalinos como bicarbonato de sódio ou amoníaco e solventes como acetona e éter, recebe cal virgem e combustíveis, como querosene, gasolina, diesel e água de bateria.

As receitas variam e é possível encontrar cimento, ácido sulfúrico e soda cáustica na pedra do óxi. Dependendo dos ingredientes, o óxi pode ganhar o nome de brita. A variedade de produtos tóxicos nessas drogas amplia os riscos à saúde e dificulta o tratamento.


Óxi e maconha apreendidos em Itaquaquecetuba: tida como inofensiva, maconha tem sido misturada ao crack e vendida. Foto: Policia Civil/SP

Como o crack, a pedra do óxi é fumada num cachimbo improvisado. Ainda não há estudos suficientes, mas já se sabe que o óxi é mais barato e mais fácil de produzir – custa cerca de metade do preço do crack porque os produtos usados, obtidos sem fiscalização, têm preços ainda mais baixos. 

As pesquisas sobre a ação do óxi no organismo são incipientes, mas o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) acredita que ele pode ser mais letal que o crack, já que as substâncias usadas no preparo são mais nocivas. Seguindo a lógica do crack, pode viciar mais rápido em razão do seu efeito ter menor duração, pouco mais que cinco minutos, o que leva o usuário a querer outra dose em ainda menos tempo.

“Quanto mais baratos os insumos que compõem a droga e quanto mais alto o poder viciante, maior será o número de viciados, de maneira que a perspectiva é muito nebulosa”, afirma o senador Wellington Dias.

O economista Alvaro Mendes, da Associação Brasileira de Redutores de Danos, acompanhou, em parceria com o Ministério da Saúde, cem usuários de óxi e observou que, em um ano, a droga matou um terço deles.

No organismo, quando não leva à morte súbita (por parada respiratória, coma ou parada cardíaca), o óxi provoca vômito e diarreia, convulsão e, em poucas semanas, lesões no sistema nervoso central, degeneração das funções do fígado, doenças cardíacas, respiratórias e do sistema renal, emagrecimento, lesões no esôfago e nas papilas gustativas da língua e perda de dentes, corroídos pelos combustíveis usados na droga, que também são cancerígenos.

Assim como aconteceu com o crack, o óxi pode ter surgido primeiro na Bolívia e no Peru, de onde entrou no Brasil, pelo Acre, na década de 1990. São poucos os dados sobre a disseminação no país, mas este ano foi apreendido em mais da metade dos estados brasileiros, em todas as regiões.

Faça seu comentário