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Crack foi inovação do tráfico frente à repressão

A demanda e a oferta de psicotrópicos vêm se alterando conforme aumenta a repressão às substâncias. Nesse mercado em constante adaptação, a falta de uma droga abre espaço para outras, distribuídas e consumidas de formas diferentes.


Neste laboratório clandestino na zona norte de São Paulo, crack era produzido na cozinha. Foto: Polícia Civil/SP

A própria disseminação da cocaína é associada à falta de outras drogas, como anfetamina e maconha, alvos de ações repressivas na década de 1960. Nas décadas seguintes, a repressão à produção da cocaína elevou o preço. Uma das estratégias foi dificultar o acesso aos chamados precursores – substâncias como éter, acetona e bicarbonato de sódio, usadas no refino.

Diante das dificuldades, usuários e traficantes buscam inovações para contornar as limitações impostas. Assim, são descobertas outras drogas, geralmente com efeitos mais intensos e danos maiores.

Sem éter e acetona, os produtores de cocaína substituíram as substâncias por outras, mais baratas, mais disponíveis e, geralmente, muito impuras, por exemplo, gasolina, querosene, cal virgem ou até água de bateria. A “indústria da droga” passou a oferecer derivados baratos e altamente rentáveis da cocaína, como o crack, a merla e o óxi. Sem contar que a maior intensidade e a menor duração dos efeitos dos derivados, que são fumados ou inalados, aumentam a demanda por doses, gerando maiores lucros.  

“São os paradoxos: às vezes a gente aperta pensando que vai melhorar e a coisa pula para pior. Entre a cocaína e o crack, sem dúvida, o menos mal é a cocaína. Mas como dificultamos o acesso aos precursores, a gente acabou trazendo essa substância mais espúria [óxi]. Usa-se a cal virgem no lugar do bicarbonato e, no lugar da acetona e do éter, usa-se a gasolina, querosene ou substância que o valha. É o pior do pior”, afirmou à subcomissão do Senado o psiquiatra Aloísio Antônio Andrade de Freitas, presidente do Conselho de Políticas sobre Drogas do estado de Minas Gerais.

Comentários

Sanidade!

Meu deus! sanidade? pensava que isto estava extinto...

18/07/2012 09:39:56, Renato Bueno
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