|. HOME .| -->

Palestrantes, como o general Luiz Eduardo Rocha Paiva, falam na CRE sobre questões da defesa nacional


Manobras da Marinha dos EUA no Atlântico: debatedores alertam que
é preciso desenvolver nossa capacidade militar para enfrentar potências
(Foto: MCSN Scott Youngblood/U.S. Navy)

O general Luiz Eduardo Rocha Paiva, doutor em Aplicações, Planejamento e Estudos Militares, recordou aos senadores que as “potências democráticas do Eixo do Poder” (EUA à frente) desenvolveram poder global e nível de vida e bem-estar das suas sociedades muito elevado e têm como aspiração manter aquele status. Uma ameaça real e concreta para um país emergente e rico em recursos como o nosso.

“[As potências] consomem uma imensa quantidade de recursos que ou não são autossuficientes, ou precisam mantê-los como reserva estratégica. Para isso, procuram assegurar o acesso a recursos em qualquer parte do mundo. Projetam poder político, econômico e militar em áreas de importância geoestratégicas (...) E aí acabam limitando a soberania das nações alvo”, explicou o general Luiz Eduardo Rocha Paiva.


General Rocha Paiva: “Será que vizinhos do continente
não poderão se aliar a rivais mais poderosos que o Brasil?”
(Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)

Como exemplo dessa “projeção de poder”, o general Luiz Eduardo Rocha Paiva cita o fato de já existir, no âmbito da Organização das Nações Unidas, a Resolução 1.674, de 2006, cujo objetivo foi resumido na expressão “responsabilidade de proteger”. Com o aval da ONU e sob o amplo guarda-chuva da “proteção de civis em conflitos armados”, tais potências podem implementar intervenção internacional sobre uma nação, evocando qualquer um desses motivos: direitos humanos, questões ambientais, questões sociais e ilícitos ­transnacionais.

“Podemos ter de defender a plena soberania sobre os nossos recursos e a própria integridade territorial — não eternamente, talvez, mas momentaneamente. Contra o quê? Contra a necessidade de potências controlarem recursos nacionais importantes ou vitais. Contra também a necessidade de essas potências usarem, política e militarmente, áreas geoestratégicas nacionais. E contra o enfrentamento de reações à projeção do Brasil em face da necessidade nossa, também, de presença política, econômica e militar em áreas de importância geoestratégica”, prognosticou o general Luiz Eduardo Rocha Paiva.

Para o ex-ministro da Marinha e da Secretaria de Assuntos Estratégicos, a análise do general Luiz Eduardo Rocha Paiva é perfeita. Segundo explicou, uma modalidade de conflito que marcará presença no mundo do século 21 — “economicamente interdependente, ambientalmente unificado e culturalmente menos desarmônico” — é a intervenção sob mandato internacional ou até unilateral, com base nas justificativas previstas na resolução da ONU.


“Responsabilidade de proteger” foi definida por
resolução do Conselho de Segurança da ONU
(Foto: UN Photo/Evan Schneider)



“Essas ‘grandes causas’ não raro estão associadas a interesses econômicos, haja vista que o genocídio em Ruanda não mereceu atenção (já a invasão do Kuwait, por conta do petróleo, mereceu)”, escreveu o almirante, em artigo publicado no último trimestre do ano passado na revista Interesse Nacional.

O professor João Quartim de Moraes, outro palestrante na CRE, também deixou clara sua preocupação com o que definiu como “novas ameaças” ao país.

“Não deixa de preocupar o fato de que, em nome da proteção de etnias indígenas, possam as potências — capazes de todos os extremos de hipocrisias com o bombardeio humanitário — criar um Estado independente em nome de uma etnia, porque o último argumento é a força. Essas preocupações não devem ser exageradas, mas nos levam à seguinte questão: de que tipo de Forças Armadas precisamos para podermos nos afirmar como um país que tem uma política externa independente?”, disse o professor, em referência à intervenção militar promovida na Líbia pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), liderada pelos EUA e o Reino Unido.

Na sua análise, “é preciso desenvolver a nossa capacidade de defesa militar, de maneira a desencorajar expectativas de apoderar-se daquilo que nós temos, ou, então, renunciamos à política externa independente e a essa projeção da importância econômica do Brasil no cenário internacional”. Ele vê, com preocupação, a inserção de critérios como direitos humanos para justificar a política externa.


A questão da América do Sul

O general Luiz Eduardo Rocha Paiva fez análise detalhada sobre o que classificou de “nova fronteira da disputa dos conflitos internacionais”: a África e a América do Sul. Segundo ele, verifica-se a projeção dos mesmos participantes do "Eixo do Poder" a que ele já se referiu, com a adição da presença também da Índia na África, já se aproximando do entorno estratégico do Brasil, que é a costa ocidental africana e o Atlântico Sul. E mesmo na própria América do Sul, já disputando posições com o Brasil “naqueles que nós pretendíamos fossem nossos aliados incondicionais” (veja infográfico abaixo).

“O Mercosul e a Unasul serão de fato um fórum unido em torno da liderança do Brasil, para que ele possa se projetar internacionalmente com segurança no seu entorno estratégico? Será que alguns desses países do Mercosul e da Unasul não estarão aliados por interesses com rivais mais poderosos que o Brasil economicamente e militarmente? Como ficaria a nossa liberdade de ação se tivermos problemas na região? Então, para termos liberdade de ação, só tem uma opção: nós temos de ser potência militar”, resumiu o general Luiz Eduardo Rocha Paiva.

Ex-professor de Estratégia Nacional, Darc Antonio da Luz Costa acredita que a integração da América do Sul é inevitável, fenômeno que produzirá novo eixo de poder e influência que traz incômodos às atuais potências.

“Não acredito em globalização, acredito em polarização. Construímos, com os países da América do Sul, a terceira economia do mundo, pois são US$ 4 trilhões de PIB [produto interno bruto]. Somos um espaço em ascensão. Europa e Estados Unidos estão em descenso. E países emergentes têm de assumir sua posição no mundo. Para isso, temos de ter uma política de defesa que assegure o poder de dissuasão”.

O almirante Mario Cesar Flores avalia que, apesar de pouco expressivos na comparação global, os orçamentos de defesa dos países sul-americanos, somados, como proporção do PIB regional, têm crescido e é provável que continuem crescendo. “Se não há ainda razão para preocupação — se bem que, como nossa região está vivendo a ascensão de governos neopopulistas de propensão salvacionista, aberta ao escapismo dos ‘bodes expiatórios’ —, há que se manter algum cuidado com o rearmamentismo em curso”, recomendou o ex-ministro, em outro artigo de análise na Interesse Nacional.

Avaliação feita por Mauro Ceza Nogueira do Nascimento, analista do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, reforça a preocupação com a questão continental. O Brasil está na quarta colocação em gastos orçamentários em relação ao PIB (1,67%), atrás de Colômbia, Chile e Equador. A conclusão faz parte do estudo Uma Década de Gastos Orçamentários na Área de Defesa Nacional — 2000 a 2010: análises e tendências, publicado na Revista Brasileira de Planejamento e Orçamento, de abril de 2011.

Comentários

Palestrantes, como o general Luiz Eduardo Rocha Paiva, falam na CRE sobre questões da defesa nacional

Até que enfim, alguém deu uma aula para esses políticos vermelhos. Só os vermelhos não enxergam o que está no NARIZ DELES !!!

26/06/2012 20:01:04, Ludmilla Petrus
Faça seu comentário