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Posição que o país deve ter sobre Armas nucleares divide as opiniões dos especialistas Gunther Rudzit e Darc Antonio da Luz Costa


Usina de Angra dos Reis (RJ): Estratégia Nacional de Defesa prega que o Brasil deve investir em energia e tecnologia nucleares, mas apenas para fins pacíficos (Foto: Eletronuclear)

Apesar de o Brasil não possuir armas nucleares e ter se comprometido a não produzi-las, a ameaça nuclear permanece como uma questão para a defesa nacional. O tema foi lembrado pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que questionou se o Brasil ainda deve se preocupar com o risco nuclear ou se essa é, atualmente, uma falsa preocupação. “O tema ficou obsoleto? Ou houve um esquecimento?”, perguntou.


Cristovam levantou a questão durante
os debates: Brasil é contra as armas atômicas,
mas a ameaça existe (Foto: Márcia Kalume/Agência Senado)

Desde 1998, o Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Em setembro passado, a presidente da República, Dilma Rousseff, renovou o compromisso brasileiro com a não produção de armas nucleares em discurso proferido na Reunião de Alto Nível sobre Segurança Nuclear das Nações Unidas (ONU).

Na Estratégia Nacional de Defesa, a energia nuclear aparece como um dos setores estratégicos para a segurança do país, ao lado do cibernético e do espacial. Em conformidade com o TNP, o documento estabelece que o Brasil não deve investir em armas nucleares, mas sim em energia e tecnologia nucleares para fins pacíficos. Entre as medidas previstas, estão o desenvolvimento de submarino de propulsão nuclear, o domínio da tecnologia de construção de reatores e a construção de termelétricas nucleares.

Para o coordenador do curso de Relações Internacionais da Faap, Gunther Rudzit, a questão das armas nucleares tem ainda peso considerável para as grandes potências como Rússia e Estados Unidos, que possuem um grande arsenal, mas não é um caminho para o Brasil.

Gunther Rudzit argumenta que qualquer país se sente ameaçado por um vizinho que possua armas nucleares. “Se buscarmos a nossa bomba, jogaremos por terra todo o nosso processo de integração regional”, ponderou.

Já o professor Darc Antonio da Luz Costa, ou figura presente no corpo de especialistas, discorda. Para ele, a disponibilidade de armas nucleares e não convencionais fortalece uma ação diplomática. “É assim em todos os lugares do mundo. Não estou fazendo defesa da bomba, não. Estou dizendo que a possibilidade de você deter uma arma definitiva evita problemas. A Coreia do Norte não tem problemas, mas o Iraque teve problemas. Por que a Coreia do Norte não teve problemas, se o país possui uma política muito mais agressiva do que a que tinha o Iraque? Alguma razão há para isso”, questionou.

Para Darc Antonio da Luz Costa, não faz sentido pensar em desarmamento unilateral. O professor lembrou que, no discurso feito na ONU, a presidente Dilma Rousseff também cobrou esforços para que haja efetivo desarmamento mundial de arsenais nucleares. “A posse desses arsenais por algumas nações faz com que elas possuam direitos exclusivos. É resquício de concepção assimétrica do mundo, formada no pós-guerra, que já deveríamos ter relegado ao passado”, alertou a presidente.

O professor Darc Antonio da Luz Costa notou que o Mercosul ampliado (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai) foi definido como zona livre de armas de destruição massiva, entre elas as armas nucleares, porque a preocupação era com possíveis conflitos regionais, internos ao bloco, e o desarmamento era visto como essencial para a paz na região. O Brasil não poderia desenvolver bomba nuclear porque isso ameaçaria os demais países. No entanto, na avaliação dele, se houver pacto de defesa comum, a questão passa a ser de proteção da região contra ameaças externas ao bloco, o que possibilitaria a revisão do acordo de não proliferação de armas nucleares. “Temos de constituir um espaço diferente, mas não podemos passar pelo mundo como se estivéssemos trafegando no pomar para colher frutos. O mundo é muito mais complicado que isso”, avaliou.

Comentários

Defesa nacional

Brasileiro só fecha a porta depois que é roubado, acho que é melhor o Brasil ter sim, armamento nuclear!

28/05/2013 09:38:46, Rodrigo Marques
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