|. HOME .| -->

Transferência de equipamentos e compartilhamento de tecnologia entre países

Um dos argumentos mais fortes em prol do desenvolvimento de equipamentos e sistemas nacionais de defesa, levantado pelo representante das indústrias brasileiras de defesa ouvido pelos senadores da CRE, Claudio Moreira, é o de que os países se fecham cada vez mais para a possibilidade de compartilhamento da tecnologia agregada a seus equipamentos.

Um dos maiores, se não o maior, entrave à compra de novos caças pela Força Aérea, por exemplo, é a disposição brasileira de só comprar o equipamento se o fabricante transferir todo ou grande parte da tecnologia usada para produzi-lo. E aí a coisa esbarra na firme disposição dos outros países de proibirem a transferência.

Como a maioria das indústrias depende completamente dos governos de seus países ou são estatais, não há negócio na maioria dos casos, especialmente nos equipamentos de altíssima tecnologia.


O que transferir?

Claudio Moreira lembra ainda que a transferência de tecnologia, quando acordada entre os países, não é um processo de compartilhamento simples. “É preciso que o governo atue de forma mais forte no processo de gestão desse mecanismo importante que são os offsets”, argumenta.

O professor Gunther Rudzit explicou as razões da preocupação com esse compartilhamento. “Nessa transferência de tecnologia, há a necessidade de saber qual tecnologia se quer. Um caça, por exemplo, é entendido como um sistema de sistemas. Qual desses sistemas se quer? Ou se quer a integração deles? Vai ser possível exportar para outros clientes esse equipamento, produzido no Brasil com a tecnologia deles?”, indaga Rudzit.

Para ele, contratos de compras como esses devem descer a todos os detalhes e ainda assim pode haver risco de não haver compartilhamento de tecnologia entre os países. Outro requisito sumamente importante, argumenta, é dispor de pessoal altamente qualificado e de recursos técnicos e financeiros suficientes para absorver a tecnologia e usá-la ao longo de toda a vida útil do equipamento: “A FoxCom, que produz tablets, aqui está com dificuldade de encontrar parceiros. Não há engenheiros suficientes para produzir tablets! O que se dirá de indústria de defesa”.

Rudzit levantou ainda uma questão diplomática em relação à compra de armamentos: os países ficam vinculados durante toda a vida útil desse equipamento. “Quanto tempo, por exemplo, dura um caça? Por baixo, 25 anos. Portanto, vamos estar ligados a esse país por 25 anos, no mínimo”.


Jato francês Rafale: Brasil só fecha contrato dos novos caças com quem estiver disposto a transferir tecnologia (Foto: Denny Cantrell/US Navy)

Faça seu comentário