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Satélite do Brasil para superar dependência

Com a fabricação do primeiro satélite de comunicação nacional, o Brasil poderá superar dependência de serviços privados e estrangeiros


CBERS-3: lançamento do novo satélite sino-brasileiro estava previsto
para 2007, mas só deverá ocorrer este ano (Foto: INPE)

Entre os investimentos do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) previstos no Plano Plurianual 2012–2015 (PPA), está a contratação do primeiro satélite do Sistema Geoestacionário Brasileiro (SGB). A medida é considerada fundamental para as telecomunicações do Brasil em geral e, em particular, para a comunicação estratégica do sistema de defesa nacional. Desde a privatização da Embratel, os serviços de satélite utilizados pelas Forças Armadas são fornecidos por empresas privadas e o país objetiva superar essa dependência.

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), oito satélites geoestacionários possuem autorização para operar no Brasil: seis deles são explorados pela empresa Star One, pertencente à Embratel; um pela Telesat Brasil; e outro pela Hispamar. Os satélites são usados para serviços de comunicação, como TV por assinatura, TV aberta, telefonia e internet em banda larga, além de rastreamento e atividades militares.


Satélites alugados

O Brasil também deve superar a dependência de serviços estrangeiros quando a necessidade é de geração de imagem por satélite. Segundo estudo da Câmara dos Deputados, o país é o terceiro maior cliente de imagens produzidas por satélites norte-americanos. Entre os órgãos que compram dados, estão Embrapa, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Petrobras.

Para o ministro da Defesa, Celso Amorim, essa situação de dependência se aproxima do “incômodo absoluto” para o Brasil. “Todas as comunicações brasileiras são feitas por satélite alugado, o satélite não é nosso”, revelou. O ministro afirmou ter confiança de que o contrato com empresas privadas e estrangeiras será respeitado, mas, perguntou: e em uma situação crítica? “Nós temos que ter o nosso satélite e temos que ser capazes de, no futuro, fazermos o nosso satélite sozinhos ou em cooperação com alguém, mas com controle da tecnologia”, ponderou.

O senador Fernando Collor (PTB-AL) também se mostrou preocupado com a questão de superar a dependência. “Hoje, alugamos da Embratel esse satélite. O dono da Embratel é o Carlos Slim, um mexicano. No momento em que ele, por um descuido pessoal, desviar meio grau os satélites, ficaremos sem as nossas informações. Nós não sabemos nunca o dia de amanhã”, considerou. Para ele, essa é uma das grandes vulnerabilidades do Brasil em matéria de defesa nacional, que deve ser tratada com um investimento prioritário, ao lado do submarino movido a propulsão nuclear e dos novos caças para a Força Aérea.

Orçado em R$ 716 milhões, o primeiro satélite geoestacionário do Brasil destina-se, sobretudo, a aumentar a capacidade de comunicação. A previsão é de que seja lançado em 2014. Um dos principais beneficiados será o Plano Nacional de Banda Larga, que visa ampliar o acesso à internet. O satélite não será fabricado no Brasil, mas será operado pela Telebras, estatal vinculada ao Ministério das Comunicações, possivelmente em parceria com a Embraer, para superar a dependência e garantir o controle brasileiro sobre o serviço, fundamental para a segurança nacional.


Satélites geoestacionários

Navegam em órbita equatorial, a 36 mil km de altitude, com rotação completa a cada 24 horas. Visto do solo, parecem estar fixos sobre certo ponto. São usados em transmissões de comunicação e de dados. Serviços de satélites também servem para previsão do tempo, monitoramento da ocupação urbana, fiscalização ambiental, controle do espaço aéreo, vigilância de fronteira e sistemas de navegação civil e militar


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