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Problemas entre vizinhos na América Latina

Entre 1816 e 1900, houve 44 conflitos armados na América Latina. Desde então, o continente assiste a uma contínua redução de problemas militares. No entanto, mesmo passada a fase de convulsões, o binômio dissuasão/segurança ainda traz ambiguidade à relação entre vizinhos. A posição majoritária é pela não intervenção e pela integridade do território. Por essa razão, os países não abrem mão dos seus aparatos militares para dissuadir investidas.

Segundo o cientista político Oscar Medeiros Filho, em sua tese de doutorado para a Universidade de São Paulo, foram os resquícios de velhas desconfianças que impediram os países da América Latina de montar programa militar conjunto. Na CRE, por exemplo, o general Luiz Eduardo Rocha Paiva questionou se as alianças entre vizinhos vão dar certo: “Será que alguns desses países do Mercosul e da Unasul não estarão aliados por interesses com rivais mais poderosos que o Brasil economica e militarmente? Como ficaria a nossa liberdade de ação se tivermos problemas na região? Então, para termos liberdade de ação só há uma opção: nós temos de ser potência militar”.

Por outro lado, os problemas de segurança comuns — o tráfico de drogas, principalmente — exigem soluções conjuntas entre vizinhos na América Latina. Oscar Medeiros Filho afirma ainda que “do ponto de vista das questões de defesa e segurança, a situação sul-americana é paradoxal: se de um lado a região se destaca pela ausência de guerras formais, por outro enfrenta sérios problemas relativos à fragilidade do império da lei e ao alto grau de violência social”.

E há que frisar que a situação não é a mesma em toda a América Latina, alerta Medeiros. Enquanto há uma certa estabilidade no Cone Sul, praticamente livre de problemas entre vizinhos, com cooperação crescente entre seus países-chave, Brasil, Argentina e Chile, os países amazônicos e andinos ainda não se entendem nesse nível, especialmente Colômbia e Venezuela. Ainda há, inclusive, pendências territoriais a serem resolvidas.

O acordo da Colômbia com os Estados Unidos, assinado em segredo em 2009, contribuiu para azedar ainda mais a relação com a Venezuela e preocupou a todos pela possibilidade de os norte-americanos operarem sete bases colombianas. Para evitar problemas semelhantes, o Brasil optou por informar antes aos vizinhos na América Latina sobre o acordo firmado com os norte-americanos em 2010 e deixar claro que o tratado não prevê a instalação de bases militares americanas no país ou o acesso de soldados dos EUA a bases brasileiras, e sim a troca de tecnologia, a colaboração em projetos de defesa e a negociação de armamento, nos moldes de outros 28 tratados firmados pelo país.

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