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Desenvolvimento de tecnologias para a Defesa


Embraer construiu o jato Legacy a partir dos projetos feitos para o caça militar AMX: spin-off das novas tecnologias (Foto: Tif Hunter Photography)

Um dos argumentos mais usados durante as exposições de autoridades e especialistas nas audiências da CRE foram as vantagens do desenvolvimento em casa de tecnologias e sistemas de defesa. Segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em apresentação de 2011 feita em São Bernardo do Campo, “produtos de defesa têm alto conteúdo tecnológico e alto valor agregado, são oportunidades para inovação tecnológica e crescimento econômico”.

Esse é também o pensamento do ministro da Defesa Celso Amorim. Ele disse, durante audiência na CRE, que há ainda “uma grande vantagem: o que é destinado à defesa está fora do escrutínio da Organização Mundial do Comércio (OMC) porque são projetos estratégicos. Nenhuma norma da OMC pode sobrepor-se a uma decisão de defesa. Não é à toa que, mesmo países grandes defensores do livre comércio e da liberdade para investimentos estrangeiros, na hora do investimento em área tecnológica, cuidam para que as empresas sejam nacionais”.

Celso Amorim também lembrou que “tudo que é feito na defesa tem depois o que os técnicos chamam de spin-off para as áreas civis”, referindo-se a aplicações dessas tecnologias em outras áreas. Um exemplo clássico são os sonares, que, desenvolvidos para que navios e submarinos pudessem identificar um possível inimigo a grande distância, hoje são largamente utilizados na medicina e na odontologia para produzir as ecografias, ultrassonografias etc. O ministro cita ainda um exemplo bem recente e brasileiro, que foi o desenvolvimento dos jatos Legacy da Embraer — hoje vendidos para todo o mundo — a partir dos projetos feitos para o AMX, um caça militar.

No entanto, o professor Gunther Rudzit, especialista em segurança internacional, questionou a viabilidade do desenvolvimento dessas tecnologias para defesa no Brasil: “Nem os americanos, com um orçamento de US$ 711 bilhões, conseguem desenvolver toda a tecnologia utilizada nas suas forças armadas”. Segundo Rudzit, eles só conseguem ter toda a tecnologia integrando as cadeias produtivas, com requisitos, opções tecnológicas, mecanismos econômicos semelhantes. “Eles conseguem trabalhar tudo isso com empresas de países aliados, porque precisam operar conjuntamente”, explicou o especialista. Rudzit lembra ainda que o Brasil terá de enfrentar a proibição de exportação de insumos e componentes por muitos países, usada para impedir que determinados projetos tenham desenvolvimento em outro país.

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