E-book O legislativo brasileiro
/Pesquisas de Opinião
Imprimir

28/09/2010
Maioria diz não considerar pesquisas eleitorais ao decidir voto, mostra DataSenado

Desvendar quais fatores influenciam a decisão do voto é a questão central para as pessoas que trabalham com marketing político e estratégias de campanha de qualquer candidato, seja ele famoso ou pouco conhecido. No entanto, um desses possíveis fatores gera uma curiosidade particular: as pesquisas eleitorais influenciam na decisão do eleitor na hora de votar? É claro que cada pessoa tem concepções próprias e não se pode afirmar categoricamente que o eleitor, em sentido geral, é ou não influenciado. Mas quer-se saber, por exemplo, quem é influenciado.

A pergunta é interessante, visto que, em tese, os resultados de uma pesquisa eleitoral são uma expressão da opinião pública. Se a resposta for positiva, então a opinião eleitoral por si só seria mecanismo de mutação de si mesma. Além disso, seguidas pesquisas influenciariam os resultados das próximas, gerando um ciclo? Podemos pensar também em refazer esse questionamento de outra maneira: a opinião do grupo todo, mesmo que ele não nos apresente uma face familiar, pode alterar ou confirmar a decisão do voto de um indivíduo?

Para indagar essa questão, o DataSenado entrevistou 1.315 pessoas com mais de 16 anos para perguntar: você leva em conta o resultado das pesquisas eleitorais na hora de decidir o seu voto? A resposta da maioria dos respondentes (59%) é que nunca consideram os resultados das pesquisas eleitorais, ou seja, esse grupo afirma que seu voto é da opinião eleitoral do grupo de todos os eleitores. Outros 23% afirmaram que às vezes pensam nos resultados das sondagens eleitorais para votarem. O menor grupo, com 16% de respostas, corresponde àqueles que disseram “sempre” levar em conta os resultados das pesquisas eleitorais.

Quando os resultados foram agrupados em algumas características de perfil, como escolaridade e renda, foram encontrados alguns resultados interessantes. O percentual de pessoas que declaram sempre levar em conta as pesquisas decresce bruscamente à medida que o nível de escolaridade aumenta. Como reflexo disso, há um aumento no percentual das pessoas que dizem nunca levar em conta quando a escolaridade aumenta.

Outro efeito de perfil que influencia nas respostas é a renda do respondente. Quanto maior a renda, maior é a tendência de a pessoa responder que nunca usa as pesquisas para decidir seu voto e, consequentemente, menor é a chance de ter respondido que as pesquisas sempre são consideradas para tomar sua decisão.

Há controvérsias a respeito da divulgação de pesquisas eleitorais por causa de suas possíveis influências. Há correntes divergentes, com algumas pessoas defendendo até mesmo a proibição da divulgação. Ambos os grupos admitem que as pesquisas eleitorais podem influenciar o eleitorado. A diferença é que alguns pensam que a influência é negativa no processo eleitoral, enquanto outros vêem benefícios na divulgação das prévias eleitorais.

Os que são contra a divulgação de pesquisas eleitorais argumentam, por exemplo, que as pesquisas eleitorais podem trazer desequilíbrios no financiamento das campanhas, uma vez que os candidatos apontados como prováveis vencedores pela pesquisas tendem a receber um aporte maior de recursos dos doadores. Além disso, dizem também que o eleitor de candidatos em colocações inferiores nas pesquisas poderia migrar o seu voto para um candidato mais bem colocado e isso causaria a ocorrência de muitos votos que não exprimem de fato a vontade legítima do eleitor.

Aqueles que são favoráveis à divulgação de pesquisas eleitorais têm um argumento simples: mesmo que o eleitor sofra influências das pesquisas eleitorais, o acesso a informações de cunho eleitoral é sempre positivo e, além disso, cabe a cada eleitor decidir seu voto conforme julgar melhor.

O embate envolvendo a influência das pesquisas eleitorais frequentemente ganha novos episódios nos tribunais do país. Há até uma seção no sítio do TSE que traz a jurisprudência do tribunal quando o assunto são pesquisas eleitorais, dada a recorrência do tema no Judiciário brasileiro. Há ainda institutos de pesquisa que são condenados e proibidos de realizarem sondagens em alguns municípios, acusados de induzirem a resposta de eleitores. Todas essas decisões partem do princípio de que as pesquisas eleitorais realmente influenciam o eleitor e, por isso, a má-fé pode conduzi-lo ao erro.

A polêmica envolvendo as pesquisas eleitorais não findará tão cedo. Contudo, os resultados apresentados pelo DataSenado podem trazer uma nova perspectiva quando o assunto é a influência das sondagens eleitorais. Saber que a maioria das pessoas declara nunca levar em conta os resultados das pesquisas eleitorais na hora de decidir seu voto leva a crer que existe uma independência do eleitor com a qual o marketing político parecia não conhecer até então.

Teste da Orelhinha Alô Senado Senado na mídia
STRANS - COORDENAÇÃO DE PESQUISA E OPINIÃO | Senado Federal, Via N2, Anexo D, Bloco 4, Cep 70165-900, Brasília/DF | (61) 3303-1211 | Alô Senado: 0800 612211
Senado Federal - Praça dos Três Poderes - Brasília DF - CEP 70165-900 - Fone: (61)3303-4141