28/09/2010
Contrariando expectativas, a internet não foi protagonista destas eleições
É difícil discordar da ideia de que a internet se torne, cada vez mais, o grande fórum de debate e de discussões nas sociedades contemporâneas – e no campo político não deve ser diferente. Quando se pensa no processo democrático, então, as projeções são animadoras: serão milhões de eleitores debatendo política e manifestando suas opiniões.
Com as eleições norte-americanas ainda em mente, o início do processo eleitoral brasileiro foi marcado por muita expectativa em relação à internet. Em 2008, o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, arrecadou US$600 milhões para sua campanha eleitoral. Desse montante, US$500 milhões foram recursos provenientes de doações pela internet. No Brasil, por outro lado, o uso da web no processo eleitoral previa mobilizar os simpatizantes dos candidatos, como forma de participação, e principalmente apostava na circulação de informações, já que aqui não é comum pessoas físicas colaborarem com dinheiro para as candidaturas.
Assim, o uso da internet na campanha eleitoral de 2010 prometia se transformar em uma das principais estratégias para convencer o eleitorado. Seria uma oportunidade de atrair o eleitor e torná-lo um ator importante no processo, contrariando o distanciamento que tem caracterizado o processo eleitoral.
Mesmo com boa parte da população sem acesso à web, o que diminui a força do meio, o usuário da internet no Brasil tem geralmente o perfil de formador de opinião, que atua como eventual replicador da informação. Ele pode influenciar outras pessoas, além de atuar no convencimento daqueles que não têm acesso à rede ou têm uso restrito.
No entanto, ainda não foi dessa vez que a internet protagonizou o processo eleitoral brasileiro. Uma pesquisa do DataSenado mostra que, embora 76% dos entrevistados tenham afirmado que sua importância será maior nesse pleito do que no de 2006, e 51% que a web será “muito importante” nesta eleição, a influência verificada está muito aquém das expectativas. Na hora de buscar informações sobre os candidatos, a internet é o meio preferido por apenas 14% dos eleitores. Entre os jovens de 16 a 19 anos, esse índice sobe para 31%, despontando como principal fonte de informação. Porém, a influência da internet diminui à medida que aumenta a idade do respondente.
Entre a população de forma geral, o meio de comunicação mais usado para buscar informações sobre os candidatos é a televisão, com 45% das preferências, seguida pelas conversas com parentes e amigos, 17%. A internet e jornais e revistas foram apontados por 14% dos eleitores. Vale destacar a importância das conversas com pessoas próximas para os jovens, 31% e 24% para os grupos de 16 a 19 anos e 20 a 29 anos, respectivamente.
Outro dado que desvia o foco da internet é a opinião da maioria dos eleitores (55%) de que a campanha política de 2010 deve se concentrar em debates entre os candidatos. Embora sites tenham também organizado encontros entre os candidatos para debater ideias, a internet foi apontada, especificamente, por meros 5% dos entrevistados. Formas mais tradicionais de se fazer campanha, como comícios e passeatas, antes tão populares entre candidatos e eleitores, perderam prestígio – 15% dos entrevistados afirmaram que os candidatos devem focar suas campanhas nessas formas de comunicação.
O levantamento do DataSenado ouviu 1.315 cidadãos maiores de 16 anos, com acesso a telefone fixo, em 119 municípios, de todas as regiões, incluindo todas as capitais, entre os dias 12 e 24 de agosto de 2010. A margem de erro da pesquisa é de 3% e o nível de confiança è de 95%.