O
SUS E O FUTURO DA SAÚDE NO BRASIL
Lúcia Vânia
O Conselho Nacional dos Secretários
de Saúde deu o primeiro passo para que
os partidos políticos comecem o debate
a respeito dos principais pontos que estarão
em evidência na campanha eleitoral que
inicia.
O Fórum “Saúde e Democracia:
uma visão de futuro para o Brasil”,
do qual participei como representante do PSDB,
propiciou a discussão de uma das políticas
públicas mais decisivas ou importantes
para a sociedade brasileira: o Sistema Único
de Saúde.
O que é o SUS? Passados 15 anos da Lei
que o instituiu, podemos afirmar, sem medo de
errar, que o Sistema Único de Saúde
significou o maior movimento de inclusão
social da história brasileira.
O PSDB reconhece que ainda existem enormes desafios
que devem ser vencidos. O SUS não é uma
obra pronta e acabada, que não mereça
aperfeiçoamentos, mas é um sistema
que deu certo. É uma das maiores redes
de saúde do mundo, ao atender cerca de
80% da população brasileira e,
o que é melhor, propiciando a melhoria
dos indicadores sociais, com reconhecimento internacional.
Em suma, defendo a posição de que
devemos reformar o SUS, mas não refundá-lo.
Durante os oito anos em que fomos governo, trabalhamos
visando garantir que saúde fosse prioridade
nas políticas públicas e não
apenas um programa delineado no papel.
Sempre apoiamos e defendemos as diretrizes organizacionais
do SUS de atendimento integral, de universalidade
de acesso, de descentralização
de gestão, de eqüidade no financiamento
e de controle social.
Por outro lado, procuramos dar ênfase à atenção
básica à saúde da população,
a qual passa por uma ampliação
do papel do Estado no campo do controle de doenças
e da vigilância sanitária e ambiental.
Para o PSDB o atendimento adequado à saúde
da população passa, também,
por uma política de medicamentos no âmbito
do SUS, além do fortalecimento das ações
que viabilizaram os genéricos, em benefício
da manutenção da qualidade com
baixos custos.
Na questão do financiamento, os últimos
dados contábeis relativos a 2004, publicados
pela Secretaria do Tesouro Nacional, quanto à execução
direta da despesa, e excluídas as transferências
da União para os demais entes federados,
mostram a presença da descentralização:
20% do gasto foi realizado diretamente pelo governo
federal, 39% pelos estaduais e 41% pelos municipais.
Estes números evidenciam, também,
que o governo federal mais financia do que gasta.
O ex-ministro da Saúde e uma das maiores
autoridades do setor no país, Adib Jatene,
declarou no Fórum que é uma falácia
dizer que todos os problemas da saúde
se resumem a uma questão de gestão.
Os municípios e estados precisam sim,
receber mais recursos para a saúde. E
o Ministério da Saúde precisa sim,
receber mais verbas para ações
ambulatoriais e hospitalares, atenção
primária, assistência farmacêutica
e vigilância em saúde.
O PSDB acredita que a Saúde é um bem inquestionável. Nosso
Partido sempre caminhou no sentido do aperfeiçoamento e fortalecimento
do SUS. É este o caminho que pretende seguir agora, para transformá-lo
num sistema de qualidade e abrangência de fato universal.
Lúcia Vânia é jornalista
e senadora (PSDB)
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