Fotos Envie sua mensagem para a Senadora
30.08.05

Em busca da terra prometida

Depoimentos conflitantes marcaram o retorno dos 31 goianos deportados dos Estados Unidos no início deste mês. Eles fizeram parte do grupo de 318 brasileiros obrigados a voltar depois de presos na fronteira entre o México e os Estados Unidos.

Para muitos, foi o fim de um drama que preferem esquecer. Para outros, apenas uma batalha perdida. Assim que puderem, tentarão conquistar novamente o eldorado americano.

Todos foram unânimes num ponto: deixaram o Brasil com a esperança de uma vida melhor nos Estados Unidos. O desemprego, o futuro incerto e as necessidades familiares foram os grandes motivadores de suas decisões.

Na lista dos 318 deportados, há um grande número de jovens na faixa dos 20 aos 30 anos. Muitos estão desempregados e têm baixa ou média escolaridade.

Foi para eles e para os 3,5 milhões de jovens desempregados que o governo federal prometeu, e fracassou, nas sucessivas propostas de políticas para a juventude, em especial as voltadas para a inserção no mercado de trabalho.

Nesses dois anos e oito meses de governo, foram criados nove programas voltados para os jovens, entre eles o Primeiro Emprego, o ProJovem, a Escola de Fábrica, o Soldado Cidadão e o Consórcio Social de Juventude. Seus resultados foram pífios.

Assim como os jovens, homens e mulheres na faixa dos 40 e 50 anos também têm emigrado clandestinamente do Brasil. Essa verdadeira diáspora de cidadãos brasileiros está a exigir reflexões profundas. O Brasil precisa, mais do que nunca, de um projeto que compatibilize desenvolvimento social com crescimento econômico sustentado, que permita a real melhora da qualidade de vida, com geração de empregos, e não apenas o controle da inflação.

Se não forem adotadas medidas para a redução do nível de desemprego, da informalidade e das desigualdades sociais, o governo deve estar preparado para os custos econômicos, sociais e políticos que advirão.
Por exemplo: os 318 deportados representam pouco mais de 1% dos 25 mil brasileiros que ainda estão nas cadeias norte-americanas à espera da ajuda do governo brasileiro.

No entanto, quem está agindo é o Congresso Nacional. Desde o início da atual legislatura parlamentares das duas Casas têm denunciado a rede de emigração clandestina que alicia brasileiros para convencê-los a deixar o país.

Há dois meses, foi criada e está em pleno funcionamento, a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito da Emigração Ilegal, da qual faço parte. Seus principais objetivos são investigar os crimes relacionados com a entrada ilegal de brasileiros em outros países e a garantia de seus direitos no exterior.

O retorno dos brasileiros está mostrando que o esquema é ainda pior do que se imaginava. Vários crimes são praticados, desde aliciamento, divulgação enganosa, adulteração de documentos e de passaportes, e até tráfico de pessoas, inclusive de menores.

O que já se sabe é que a emigração ilegal proporciona uma movimentação de dinheiro ainda não dimensionada, mas que chega a milhões de dólares.

A rota do dinheiro que sai das mãos daqueles que pretendem deixar o país inicia com o pagamento aos coiotes, em torno de 10 mil dólares por pessoa. Além de cobrar todo esse montante, há inúmeros casos de roubos de documentos pelos atravessadores, que os usam para prática de crimes no exterior. Um passaporte, na Europa, pode chegar a valer até 5 mil dólares.

Já há indícios de que os coiotes também podem estar facilitando as prisões de brasileiros em troca de pagamento. O governo norte-americano paga aos presídios cerca de 60 dólares por dia por brasileiro preso, o que equivale a 1,8 mil dólares ou aproximadamente R$ 4.200,00 por mês.

Acredito que, ao lado das investigações que a Comissão está iniciando com tanto empenho, será fundamental esclarecer à população sobre os aspectos legais e ilegais da emigração.

Entrar em outro país de forma clandestina é assumir riscos, inclusive de vida, e alimentar um esquema criminoso que, esse sim, atravessa fronteiras à luz do dia sem medo das conseqüências.

Ao governo cabe a tarefa de cumprir o que prometeu: tornar o Brasil um país digno de se viver para os brasileiros, onde o sonho não esteja além fronteiras, mas nas oportunidades aqui criadas.


· Senadora (PSDB) e jornalista


Gabinete da Senadora Lúcia Vânia
Ala Senador Teotônio Vilela - Gabinete 16 - Anexo II - 70165-900 - Brasília-DF
Tel.: (61) 3311-2844 - Fax: (61) 3311-2868
e-mail: lucia.vania@senadora.gov.br
www.senado.gov.br/luciavania
voltar Página principal Fale com a Senadora