Goiás
consolida sua Universidade
*Lúcia Vânia
Neste
mês em que a Universidade do Estado de
Goiás completa 6 anos, isto é,
não saiu ainda da primeira infância,
permito-me abordar o tema universidade sob
o enfoque de nossa realidade.
Vale
a pena nos situarmos historicamente e lembrarmos
que
a instituição universitária é extremamente
recente no Brasil. Em artigo publicado no final
de 2004 a professora Wrana Maria Panizzi, Reitora
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
chama a atenção para este fato.
Ela diz que alguns críticos de nossas
universidades, que gostam de compará-las
com as européias e, principalmente,
com as norte-americanas, esquecem-se desse
fato. Esquecem-se, ainda, que a educação
nunca foi prioridade para as nossas elites
econômicas e políticas.
Exemplificando
o que acabara de dizer a professora salienta:
"A
Universidade de Harvard foi criada em 1636.
As mais antigas universidades brasileiras
não têm um século de
existência. Em 1918, quando os estudantes
argentinos de Córdoba dirigiam-se 'aos
homens livres da América' reivindicando
a reforma de uma instituição
que consideravam oligárquica e monástica,
o Brasil ainda não dispunha de universidades.
Pior ainda, por aqueles anos, sete entre
cada dez brasileiros eram analfabetos".
Se
na década
de 60, salvo exceções, as universidades
brasileiras ainda eram um ajuntamento de faculdades,
descoordenadas entre si e pouco afeitas a pesquisas,
hoje as melhores universidades brasileiras
formam profissionais que dialogam de igual
para igual com profissionais formados pelas
melhores universidades do mundo.
Sem
desconhecermos os problemas vivenciados pelas
universidades
públicas, elas têm-se destacado
no cenário acadêmico nacional.
Voltando-nos
para Goiás, podemos dizer que a sociedade
goiana volta seus olhares para a sua Universidade.
Vejo, com alegria, que não apenas a
comunidade acadêmica está mobilizada,
mas amplos setores da nossa sociedade. E que
esses olhares, sobre serem uma expressão
de carinho para com uma Universidade recém-criada
são, acima de tudo, uma demonstração
da consciência e da reafirmação
da educação como bem público
e do conhecimento como patrimônio social.
É o conhecimento,
e não mais a propriedade privada, que
determina o desenvolvimento e a inclusão
social. Em sentido mais radical, é o
conhecimento a porta para a cidadania; inclusive,
para assegurar sentido de pertencimento social.
Esta
consciência
altera o modo de pensar não apenas sobre
o desenvolvimento e o crescimento sustentável,
mas, sobretudo sobre o enfrentamento à pobreza.
E
ainda acrescento mais uma constatação: se olharmos
com olhares mais contemporâneos a problemática
do quadro social do Brasil, concluiremos que
a questão não está apenas
na economia, mas em outros fatores.
Fatores
que dizem respeito à formação
e à composição do capital
humano e social do país. Em síntese,
são problemas de distribuição
do conhecimento e do poder.
No
momento em que estamos saindo da chamada
era industrial
para entrarmos na chamada sociedade da informação
a capacidade para transformar conhecimento
em inovação talvez seja o fator
mais importante para o desenvolvimento futuro
das nações.
Daí a
importância da Universidade do Estado
de Goiás:
criada
em 16 de abril de 1999, hoje presente em 46
municípios do Estado, com Cursos de
Graduação Regular, Graduação
Parcelada, Cursos Seqüenciais e de Pós-Graduação,
oferecendo um total de 12 mil e 500 vagas anuais:
de
1999 a 2005 titulou 38 mil e 600 jovens em
todos os seus cursos;
no
seu trabalho de extensão beneficiou
45 mil adultos nos seus cursos de alfabetização.
A
par do extraordinário
benefício trazido aos jovens em todas
as cidades do Estado, à significativa
contribuição à construção
da cidadania, ao estabelecimento de bases para
um crescimento sustentado, entendo que a Universidade
do Estado de Goiás tem um caminho a
percorrer no seu amadurecimento como instituição
universitária:
um
comprometimento com a educação
como um bem público, capaz de influir
na diminuição das desigualdades
sociais;
o
entendimento de que a educação
e o conhecimento são estratégicos
para o desenvolvimento do nosso Estado e não
apenas para a mobilidade social do formando;
um
projeto que considere o seu papel e a sua expansão
como elementos fundamentais de uma proposta
de sociedade goiana;
o
desenvolvimento de ações que
apontem para o futuro e, enfim,
uma
Universidade sintonizada com a sociedade goiana.
Entendo
a educação
superior como uma política de Estado,
uma prioridade política inarredável
e que deve ser protegida contra a volatilidade
de governos e, conseqüentemente, abrigada
por medidas de longo prazo.
É tudo
isso que desejamos para a nossa Universidade
do Estado de Goiás.
*
Lúcia
Vânia é jornalista, Senadora - PSDB. |