As
CPIs e o descontrole nos gastos públicos
Lúcia
Vânia *
No
meio de um turbilhão de denúncias, o
Governo busca caminhos para se deslocar da
imagem tão negativa a que vem se associando
e cujas conseqüências podem ser
desastrosas para a Nação.
O superfaturamento nos contratos de publicidade,
o esquema dos bingos e o provável
pagamento do chamado “mensalão”, estão na ponta de
um verdadeiro iceberg de gastos à custa do dinheiro público.
Se juntarmos as despesas com o custeio da administração direta,
autárquica e fundacional, além do pagamento dos milhares de cargos
comissionados criados a partir de 2003, teremos a face perversa de um governo
que não conseguiu cumprir o que prometeu para a população
de desassistidos que acreditou que seria redimida do seu histórico esquecimento.
São, portanto, da maior importância, os trabalhos das comissões
parlamentares de inquérito que se realizam no Congresso Nacional.
As CPIs, além de desnudar os desvios de dinheiro público, cujos
montantes não foram ainda totalmente dimensionados, mostram a ineficiência
do Estado, engessado por uma burocracia aparelhada e por um caótico
sistema eleitoral, resultando na sua apropriação por um grupo
cujo único objetivo é a manutenção do poder.
Em meio à perplexidade que tomou conta da sociedade e do Congresso Nacional,os
parlamentares que não estão envolvidos diretamente nas investigações,
buscam um caminho para a retomada dos trabalhos, levando em conta os gargalos
já apontados pela CPIs.
Discutem-se as mais variadas teses para o país retomar o seu ritmo normal
e aproveitar os indicadores favoráveis ao crescimento econômico,
que desfrutamos não só internamente como também no cenário
internacional.
As teses variam da redução de cargos comissionados, passando
pelo aumento do superávit até o extremo de zerar o déficit
nominal.
Embora válida, a discussão acerca de um esforço fiscal
deve andar pari passu com um grande esforço na área social, a
menos favorecida até agora pelo atual governo.
Muito ou quase nada foi feito nesses dois anos e meio, embora as promessas
de um governo voltado para os menos favorecidos.
Além disso, o orçamento vigente não é uma peça
transparente, e assim, comporta mais de 360 programas, com cerca de três
mil ações e quase cinco mil localizadores de gastos. Ao contrário
das metas macroeconômicas, que se encontram explicitadas, as metas sociais
estão dispersas, sem foco e por isso sem uma aplicabilidade eficiente.
É
exatamente no vácuo em que se encontra a área social que tramita
na Comissão de Constituição e Justiça do Senado,
Proposta de Emenda Constitucional (PEC 29/03), de minha autoria já aprovada
pelo seu relator, senador Tasso Jereissati.
A PEC da Responsabilidade Social fixa parâmetros próprios, em
nível constitucional, para mensurar, por meio de indicadores de responsabilidade
social, os avanços a serem perseguidos pelos gestores públicos
no campo da Ordem Social, como já ocorre com a Ordem Econômica
e Financeira, por intermédio da Lei de Responsabilidade Fiscal.
É
preciso que seja apresentado um eficiente programa de governo, principalmente
na área social, para enfrentar o que hoje está sendo visto
apenas como um programa para o governo.
*Senadora (PSDB) |