Momento
de decisão para o Centro-Oeste
Lúcia
Vânia
Aberta
a temporada de redefinição
da política de integração
nacional, com a anunciada ressurreição
da Superintendência do Desenvolvimento
do Nordeste (Sudene), regiões como
o Centro-Oeste e o Norte têm a oportunidade
de discutir com o novo governo a eqüidade
de tratamento nas estratégias de desenvolvimento
regional.
A
realidade é que, a despeito de ser
uma das regiões que mais crescem no
País, os indicadores socioeconômicos
do Centro-Oeste ainda estão abaixo
da média nacional e inferiores aos
das regiões mais desenvolvidas, como
o Sul e o Sudeste. E, mesmo reunindo os Estados
mais promissores do País, tem uma
participação modesta no PIB
brasileiro, em torno de 8%.
Nossa
principal reivindicação, o
lançamento de uma Agência de
Desenvolvimento do Centro-Oeste, se atendida,
não apenas definiria uma estratégia
de crescimento de forma integrada entre Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito
Federal, mas também possibilitaria
a aglutinação de recursos federais
que hoje estão dispersos, garantindo
os investimentos necessários para
novos projetos.
É bom ressaltar, contudo, que esse moderno sistema de administração
pública, que são as agências administrativas, tem muito mais
funções do que definir as fontes de financiamentos para a atração
de investimentos. Sua atribuição equivale a um órgão
regulador e fiscalizador, atuando de forma descentralizada e gerando um processo
coletivo de tomada de decisões e condições que permitirão
enterrar um passado de desvios e abusos.
Além
disso, a criação de um organismo
federal não impediria que os Estados
da região, a exemplo do que Goiás
já fez, lançassem suas próprias
agências de fomento, que também
apostam em parcerias com a sociedade e a
iniciativa privada. No caso goiano, é bom
recordar que essa foi a saída encontrada
pelo Governo Marconi Perillo há dois
anos, cuja administração não
dispunha de uma Agência de Desenvolvimento
que pensasse a região estrategicamente
e enfrentava a inevitável privatização
de seu principal agente de financiamento,
o Banco do Estado de Goiás (BEG).
A experiência goiana poderia servir
de embrião para os demais estados,
também necessitados de planejamento
estratégico para seu desenvolvimento.
Essas
Agências de Desenvolvimento poderiam
articular melhor as atividades produtivas
regional, gerenciando os recursos estaduais
e, até mesmo, os federais, principalmente
os previstos na Constituição,
como o Fundo de Financiamento do Centro-Oeste
(FCO) e os destinados à irrigação,
que, pela primeira vez, estão assegurados
no Orçamento federal, conforme determina
o artigo 42, do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias. Finalmente,
em 2003, vamos ter a oportunidade de aplicar
o direito da região de receber 20%
dos investimentos nacionais em irrigação
e devemos gerar as condições
de usufruí-lo.
No âmbito
federal, a Agência de Desenvolvimento,
vinculada ao Ministério da Integração
Nacional, também cobriria uma lacuna
causada pela extinção da Superintendência
de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco),
em 1991, que mesmo a criação
do FCO não foi capaz de preencher.
Afinal, a experiência tem mostrado
que apenas a oferta de incentivos fiscais
e de subsídios à região
não pode prescindir de uma política
de desenvolvimento sustentável e de
planejamento estratégico, missões
que o Banco do Brasil não tem vocação
para oferecer, embora administre o FCO.
Aliás,
incentivos fiscais e subsídios, de
forma geral, recebem duras críticas
quando se discute a reforma tributária,
principalmente por fomentarem o chamado federalismo
competitivo, que contribui para as guerras
fiscais entre os Estados. E, com certeza,
deverão sofrer mudanças profundas
quando a matéria retornar à discussão
no Congresso Nacional, o que deve acontecer
ainda este ano, conforme promessa de campanha
do atual governo.
Dessa
forma, será imprescindível
que, ao abrir mão dos incentivos,
as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste
tenham como compensação uma
política que envolva os fundos constitucionais
e outros mecanismos de fomento, como as Agências
de Desenvolvimento, a fim de assegurar as
bases para encontrarmos o desenvolvimento
econômico e social tão esperado.
Publicado em O Popular |