Fotos Envie sua mensagem para a Senadora
23.07.03

Voando mais alto

Lúcia Vânia

“ O fortalecimento do PSDB perante a sociedade dependerá em larga medida da nossa capacidade de colocar em prática nos planos estadual e local as teses que sustentamos nacionalmente. Para tanto, torna-se indispensável uma ação política coordenada desses segmentos do partido entre si e com a direção partidária.” Nota Oficial da Executiva PSDB/9/12/2002

Para que serve um partido, senão para estimular o livre debate até o amadurecimento e deliberação dos temas pela maioria? É por acreditar na democracia interna, e defender o direito à máxima participação dos filiados na definição da orientação política do PSDB, que assumi minha condição de tucana. Da qual muito me orgulho.

A social-democracia é hoje uma corrente política que tem suas raízes implantadas na sociedade brasileira. Dispomos de um time de governadores respeitados por sua competência política e administrativa. Contamos com quadros parlamentares sintonizados com as questões brasileiras e internacionais. Temos o reconhecimento pelos avanços sociais significativos do país, apesar dos desafios a vencer.

Os que conhecem minha trajetória política de quase três décadas, não se surpreendem ao me ver apontar eventuais incoerências ou falta de sintonia do PSDB de Goiás com o partido em nível nacional ou questionar determinadas posições. Não contribuo para desestruturar o ninho goiano. Ao contrário. Trabalho com afinco para fortalecer nossa identidade e princípios. Ainda que seja alto o preço a pagar pelo pioneirismo e pela coragem de questionar as práticas tradicionais.

A decisão das urnas em 2002 tem levado o PSDB nacional a reflexões profundas e a adoção de novas formas de ampliar o debate político, independente do calendário eleitoral. O partido demonstra consciência de seus desafios e busca ampliar a interlocução com seus filiados e atores sociais diversos. Uma consulta ao site www.psdb.org.br, ao Diário Tucano e ao Boletim Tucano revelam um partido atento aos fatos nacionais, crítico em relação ao governo, mas comprometido com o interesse maior da nação.

Em Goiás, há 15 meses das eleições municipais, parece haver um pacto para ignorar a atual correlação de forças e as circunstâncias inéditas que vivemos: um processo de reeleição no nível estadual e uma derrota no plano federal. Tenho convicção de que tal situação demanda novo exercício político para articular as diversas forças em movimento, buscando fortalecer atores políticos e partidos da base aliada do governo.

A sociedade brasileira tem avançado no campo democrático, não só em relação à quantidade, mas também em qualidade de novos sujeitos sociais, movimentos políticos e organizações não-governamentais. É cada vez maior o número de cidadãos capazes de se organizar, debater, reivindicar, pressionar e defender seus direitos em todas as esferas da vida pública. Cidadãos críticos, que exigem ética e analisam comportamento, postura e discurso de governantes e parlamentares. E que nas urnas, independente da legenda, exigem cada vez mais competência, coerência e capacidade de enfrentar os problemas nacionais e locais.

Recuando às eleições municipais de 2000, analistas políticos atribuíram à divisão da base aliada a minha derrota da prefeitura. Mas esquecem que a disputa se deu no momento em que o PSDB, sendo cabeça de chapa, se encontrava esfacelado e desmotivado. Fomos até mesmo incapazes de montar uma chapa de vereadores competitiva para fortalecer a disputa à prefeitura, bem como agregar os demais partidos. Apresentar um conjunto de candidatos representativos dos anseios de parcelas expressivas da população traria certamente maiores ganhos eleitorais do que apelar por um único candidato eleitoralmente viável.

Passado três anos, sem uma avaliação profunda sobre a derrota, não adotamos uma postura firme de buscar novos filiados que oxigenassem o PSDB goiano, atraindo os verdadeiros representantes da sociedade. Não investimos na mobilização da juventude, o sangue novo do partido, que se encontra alijada do processo político. Ao contrário, acolhemos integrantes de outras legendas em adesões que esvaziaram os partidos de apoio. Alguns que procuravam se agregar não ao PSDB, mas sim ao partido do governo, premido por necessidades circunstanciais, sem compromisso com nosso fortalecimento.

Agora o PSDB-GO se coloca novamente na disputa, parecendo acreditar que em Goiânia, eleição se decide em gabinetes ou com prestígio alheio. E quando uma voz se levanta para discordar dos dirigentes, propondo uma autocrítica, é apontada como desagregadora. Ora, minha trajetória de trabalho e luta por Goiás e minha fé na capacidade do PSDB me capacitam a provocar esse debate.

É um ato de fidelidade a um milhão e 50 mil goianos que confiam em mim cobrar uma política de novas filiações afinadas com nosso estatuto onde defendemos “a construção de uma ordem social justa e garantida pela igualdade de oportunidades; o respeito ao pluralismo de idéias, culturas e etnias; e a realização do desenvolvimento de forma harmoniosa, com a prevalência do trabalho sobre o capital, buscando a distribuição equilibrada da riqueza nacional entre todas as regiões e classes sociais.”

É no dia a dia que se dá o exercício da política. Na efetiva participação dos filiados na vida partidária e nas questões locais. Não se omitindo diante dos problemas da cidade como a greve dos professores, o movimento do transporte alternativo, a discussão sobre expansão urbana, o metrô de Goiânia e a crise na saúde. É fato que o partido assiste apático à movimentação dos segmentos interessados e a movimentação do executivo municipal em relação a esses temas. Da mesma forma que não esboçou reação à escolha de membros de outro partido para a presidência da Câmara e da Assembléia. E volto a insistir: no programa eleitoral, não houve chance para vereadores e deputados estaduais mostrarem seu trabalho.

Por isso estranho as reações quando cogito nomes de candidatos competitivos, ainda que fora do PSDB. Meu interesse é exatamente chamar atenção para a necessidade do fortalecimento de uma candidatura capaz de vencer. Porque a história tem demonstrado o risco de disputar eleições nas grandes capitais apenas com apoio do executivo.

Com problemas políticos e administrativos cada vez mais complexos, as eleições nessas cidades têm sido decididas ou por partidos extremamente orgânicos - como o PT, que pode se dar ao luxo de ter candidato partidário - ou por nomes emblemáticos, suprapartidários.

O PSDB nacional considera que os problemas brasileiros não serão resolvidos por uma única agremiação política, por mais força que ela tenha no cenário nacional. Defende o diálogo com todas correntes, sem exceção e sem preconceitos, porque acredita na busca de soluções que correspondam aos anseios e às exigências da sociedade. Soluções que dependem da competência de ação conjunta dos que governam o país, em todas as instâncias. Dos governos estaduais e das prefeituras, das organizações da sociedade civil, não importando a filiação partidária de seus integrantes. Assim agimos quando o PSDB esteve no poder por 8 anos. Assim agimos no Congresso Nacional.

É o que proponho em Goiás. Espero que minhas inquietações não alimentem ressentimento, mas propiciem o debate político vivo em todas as instâncias do PSDB. Fortalecer nossa legenda é decisivo para o futuro administrativo do estado que se moderniza, inaugurou uma gestão inovadora e se destaca no cenário nacional ao assumir a liderança do Centro Oeste como terceiro pólo econômico e social do país. O debate político consistente sobre a questão municipal representa uma oportunidade para construir uma nova força para a disputa que se aproxima.

Publicado em O Popular

Gabinete da Senadora Lúcia Vânia
Ala Senador Teotônio Vilela - Gabinete 16 - Anexo II - 70165-900 - Brasília-DF
Tel.: (61) 3311-2844 - Fax: (61) 3311-2868
e-mail: lucia.vania@senadora.gov.br
www.senado.gov.br/luciavania
voltar Página principal Fale com a Senadora