Voando
mais alto
Lúcia
Vânia
“ O
fortalecimento do PSDB perante a sociedade
dependerá em larga medida da nossa
capacidade de colocar em prática nos
planos estadual e local as teses que sustentamos
nacionalmente. Para tanto, torna-se indispensável
uma ação política coordenada
desses segmentos do partido entre si e com
a direção partidária.” Nota
Oficial da Executiva PSDB/9/12/2002
Para que serve um partido, senão para estimular o livre debate até o
amadurecimento e deliberação dos temas pela maioria? É por
acreditar na democracia interna, e defender o direito à máxima
participação dos filiados na definição da orientação
política do PSDB, que assumi minha condição de tucana.
Da qual muito me orgulho.
A social-democracia é hoje uma corrente política que tem suas
raízes implantadas na sociedade brasileira. Dispomos de um time de governadores
respeitados por sua competência política e administrativa. Contamos
com quadros parlamentares sintonizados com as questões brasileiras e
internacionais. Temos o reconhecimento pelos avanços sociais significativos
do país, apesar dos desafios a vencer.
Os que conhecem minha trajetória política de quase três
décadas, não se surpreendem ao me ver apontar eventuais incoerências
ou falta de sintonia do PSDB de Goiás com o partido em nível
nacional ou questionar determinadas posições. Não contribuo
para desestruturar o ninho goiano. Ao contrário. Trabalho com afinco
para fortalecer nossa identidade e princípios. Ainda que seja alto o
preço a pagar pelo pioneirismo e pela coragem de questionar as práticas
tradicionais.
A decisão das urnas em 2002 tem levado o PSDB nacional a reflexões
profundas e a adoção de novas formas de ampliar o debate político,
independente do calendário eleitoral. O partido demonstra consciência
de seus desafios e busca ampliar a interlocução com seus filiados
e atores sociais diversos. Uma consulta ao site www.psdb.org.br, ao Diário
Tucano e ao Boletim Tucano revelam um partido atento aos fatos nacionais, crítico
em relação ao governo, mas comprometido com o interesse maior
da nação.
Em Goiás, há 15 meses das eleições municipais,
parece haver um pacto para ignorar a atual correlação de forças
e as circunstâncias inéditas que vivemos: um processo de reeleição
no nível estadual e uma derrota no plano federal. Tenho convicção
de que tal situação demanda novo exercício político
para articular as diversas forças em movimento, buscando fortalecer
atores políticos e partidos da base aliada do governo.
A sociedade brasileira tem avançado no campo democrático, não
só em relação à quantidade, mas também em
qualidade de novos sujeitos sociais, movimentos políticos e organizações
não-governamentais. É cada vez maior o número de cidadãos
capazes de se organizar, debater, reivindicar, pressionar e defender seus direitos
em todas as esferas da vida pública. Cidadãos críticos,
que exigem ética e analisam comportamento, postura e discurso de governantes
e parlamentares. E que nas urnas, independente da legenda, exigem cada vez
mais competência, coerência e capacidade de enfrentar os problemas
nacionais e locais.
Recuando às eleições municipais de 2000, analistas políticos
atribuíram à divisão da base aliada a minha derrota da
prefeitura. Mas esquecem que a disputa se deu no momento em que o PSDB, sendo
cabeça de chapa, se encontrava esfacelado e desmotivado. Fomos até mesmo
incapazes de montar uma chapa de vereadores competitiva para fortalecer a disputa à prefeitura,
bem como agregar os demais partidos. Apresentar um conjunto de candidatos representativos
dos anseios de parcelas expressivas da população traria certamente
maiores ganhos eleitorais do que apelar por um único candidato eleitoralmente
viável.
Passado três anos, sem uma avaliação profunda sobre a derrota,
não adotamos uma postura firme de buscar novos filiados que oxigenassem
o PSDB goiano, atraindo os verdadeiros representantes da sociedade. Não
investimos na mobilização da juventude, o sangue novo do partido,
que se encontra alijada do processo político. Ao contrário, acolhemos
integrantes de outras legendas em adesões que esvaziaram os partidos
de apoio. Alguns que procuravam se agregar não ao PSDB, mas sim ao partido
do governo, premido por necessidades circunstanciais, sem compromisso com nosso
fortalecimento.
Agora o PSDB-GO se coloca novamente na disputa, parecendo acreditar que em
Goiânia, eleição se decide em gabinetes ou com prestígio
alheio. E quando uma voz se levanta para discordar dos dirigentes, propondo
uma autocrítica, é apontada como desagregadora. Ora, minha trajetória
de trabalho e luta por Goiás e minha fé na capacidade do PSDB
me capacitam a provocar esse debate.
É um ato de fidelidade a um milhão e 50 mil goianos que confiam
em mim cobrar uma política de novas filiações afinadas com
nosso estatuto onde defendemos “a construção de uma ordem
social justa e garantida pela igualdade de oportunidades; o respeito ao pluralismo
de idéias, culturas e etnias; e a realização do desenvolvimento
de forma harmoniosa, com a prevalência do trabalho sobre o capital, buscando
a distribuição equilibrada da riqueza nacional entre todas as regiões
e classes sociais.”
É no dia a dia que se dá o exercício da política.
Na efetiva participação dos filiados na vida partidária
e nas questões locais. Não se omitindo diante dos problemas da
cidade como a greve dos professores, o movimento do transporte alternativo, a
discussão sobre expansão urbana, o metrô de Goiânia
e a crise na saúde. É fato que o partido assiste apático à movimentação
dos segmentos interessados e a movimentação do executivo municipal
em relação a esses temas. Da mesma forma que não esboçou
reação à escolha de membros de outro partido para a presidência
da Câmara e da Assembléia. E volto a insistir: no programa eleitoral,
não houve chance para vereadores e deputados estaduais mostrarem seu trabalho.
Por isso estranho as reações quando cogito nomes de candidatos
competitivos, ainda que fora do PSDB. Meu interesse é exatamente chamar
atenção para a necessidade do fortalecimento de uma candidatura
capaz de vencer. Porque a história tem demonstrado o risco de disputar
eleições nas grandes capitais apenas com apoio do executivo.
Com problemas políticos e administrativos cada vez mais complexos, as
eleições nessas cidades têm sido decididas ou por partidos
extremamente orgânicos - como o PT, que pode se dar ao luxo de ter candidato
partidário - ou por nomes emblemáticos, suprapartidários.
O
PSDB nacional considera que os problemas
brasileiros não serão resolvidos
por uma única agremiação
política, por mais força que
ela tenha no cenário nacional. Defende
o diálogo com todas correntes, sem
exceção e sem preconceitos,
porque acredita na busca de soluções
que correspondam aos anseios e às
exigências da sociedade. Soluções
que dependem da competência de ação
conjunta dos que governam o país,
em todas as instâncias. Dos governos
estaduais e das prefeituras, das organizações
da sociedade civil, não importando
a filiação partidária
de seus integrantes. Assim agimos quando
o PSDB esteve no poder por 8 anos. Assim
agimos no Congresso Nacional.
É o que proponho em Goiás. Espero que minhas inquietações
não alimentem ressentimento, mas propiciem o debate político vivo
em todas as instâncias do PSDB. Fortalecer nossa legenda é decisivo
para o futuro administrativo do estado que se moderniza, inaugurou uma gestão
inovadora e se destaca no cenário nacional ao assumir a liderança
do Centro Oeste como terceiro pólo econômico e social do país.
O debate político consistente sobre a questão municipal representa
uma oportunidade para construir uma nova força para a disputa que se aproxima.
Publicado em O Popular |