Propaganda
enganosa
Lúcia
Vânia e
Ana Carla Abrão Costa
Há um
verdadeiro bombardeio do governo federal
na mídia, por meio das propagandas
do PT. São idéias geradas no
núcleo partidário, responsável
por importantes decisões, que utiliza
uma visão já consagrada em
seus programas: a de que a verdade é um
detalhe que se presta a uma conveniente apresentação
dos fatos.
O
bordão “Isso é fato,
isso é verdade” esconde um princípio
que deve ser denunciado, à custa de
não se compactuar com o desconhecimento
e a desinformação, aos quais
a propaganda do PT visa nos induzir.
Ao
comparar os oito anos do governo Fernando
Henrique com os arrastados 16 meses do governo
PT, a propaganda esconde, atrás dos
números convenientemente escolhidos,
informações importantes.
O
uso de indicadores econômicos para
analisar desempenho deve ser acompanhado
de uma preocupação clara de
transmitir a visão do todo, pois do
contrário a análise deixará de
ser isenta e correta. Caso esse erro tenha
sido cometido de forma consciente, ele se
transforma em má-fé, em enganação,
com objetivos escusos de desinformar, contrariamente
ao que se espera de uma propaganda responsável
e ética.
É justamente
uma apresentação honesta do
conjunto de dados que falta à propaganda
do PT.
Tais
como aqueles citados pelo jornalista Gilberto
Dimenstein, no jornal Folha de São
Paulo, edição de 9 de maio,
intitulado O melhor presente de Lula no Dia
das Mães. Segundo ele, faltou ao PT
dizer que estava comparando o aumento de
preços ocorrido durante oito anos
do governo FHC com o que se deu durante o
período de apenas um ano de Lula.
Para o jornalista, aquela foi uma das manipulações
mais rasteiras que já viu.
O
ano de 2002, caracterizado nas peças
publicitárias como “o último
ano do governo Fernando Henrique”,
e vastamente utilizado como base de comparação
com o atual governo, foi também o
ano em que o então candidato Luís
Inácio Lula da Silva despontou nas
pesquisas de intenção de voto.
Na época,
a iminente eleição do candidato
do PT produziu um cenário de grande
incerteza sobre a orientação
do futuro governo. Como resultado, tivemos
uma das mais graves crises de confiança
já enfrentadas pela economia brasileira.
Investidores domésticos e internacionais,
amparados na insegurança em relação às
mensagens - já dúbias - do
partido e da equipe de formação
do novo governo, se sentiram impelidos a
buscar portos mais seguros, desencadeando
um processo de fuga de capitais e elevação
do dólar frente ao real, impactando
os índices de inflação.
Afinal
de contas, o discurso do PT sempre foi estatizante,
gastador, contrário à austeridade
fiscal e monetária, ao FMI e ao respeito
de contratos. O nível do salário
mínimo era uma bandeira de luta, independentemente
da capacidade econômica de financiá-lo
e dos seus impactos fiscais. O patamar dos
juros básicos recebia críticas,
tivesse ou não o papel de controlar
a inflação. As dívidas,
principalmente a externa, eram questionadas
em relação ao seu pagamento,
sob argumento de que representavam o enriquecimeto
do capital. Além disso, o custo do
desrespeito aos contratos não tinha
peso algum nas análises petistas.
Fica
claro que tudo mudou no discurso e na prática! É inegável
que a contaminação dos indicadores
econômicos existiu, sem que se possa
creditar ao governo Fernando Henrique um
custo que cabe ao PT e à ambigüidade
da sua postura.
O
uso do bordão “Isso é fato,
isso é verdade”, se fosse feito
de forma responsável, deveria comparar
sim os resultados institucionais de longo
prazo, muitos deles obtidos no passado, apesar
do PT e atualmente graças à oposição.
Se
formos nos ater a fatos convenientes, a recente
piora expressiva de alguns indicadores econômicos
do País, como a queda do PIB - ou
cada vez que a base aliada critica o excesso
de austeridade da equipe econômica
- teremos um bom exemplo de números
pontuais, que a responsabilidade nos proíbe
de usar de forma oportunista.
Lúcia
Vânia é senadora pelo PSDB e
preside a Comissão de Assuntos Sociais
do Senado
Ana Carla Abrão Costa é doutoranda em Economia pela Universidade
de São Paulo |