Índices
para comemorar
O
PNUD divulgou na semana passada o Relatório
de Desenvolvimento Humano anual 2003. E apontou
que o Brasil melhorou em relação
ao último relatório. Segundo
o estudo do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento Humano, houve
avanços no número de matrículas
em todos os níveis de ensino, na eqüidade
de oportunidades entre homens e mulheres
e no aumento de expectativa de vida.
Em
relação ao IDH, índice
de desenvolvimento humano que mede a longevidade,
educação e renda de 175 países,
subimos quatro pontos. Ainda estamos em posição
desfavorável, colocados na 65a. É evidente
que só o crescimento econômico
poderá melhorar significativamente
nossa classificação. Mas é fato
que as ações adotadas pelo
governo nos últimos anos em muito
contribuíram para o avanço
social.
E
houve avanços no sentido de universalizar
educação e saúde, com
reconhecimento internacional. Os que apenas
criticam eventuais desacertos do passado,
próprio do processo inovador que se
instalou na área social, com a divisão
de responsabilidades entre estado, união
e município, tentam ocultar que o
país mudou.
Relembro
aqui algumas questões positivas em
relação aos programas sociais
do governo Fernando Henrique. Incorporamos
a compreensão da sociedade de que
havia necessidade de mudanças profundas
na gestão pública. E um grande
avanço foi tirar a assistência
social do favor e da caridade e lhe garantir
status de política pública.
Reconhecemos a necessidade de aperfeiçoar programas e projetos. Se houve
naturais atropelos e equívocos em cadastros e seleção
dos atendidos, que sejam feitas as retificações. Mas tenho convicção
de que o próprio sistema vai fazendo as correções, quando
há boa fé e rigor técnico.
Lutamos
e muito para superar os desafios de um estado
pesado e fragmentado, onde a política
social era feita na base do favor. Os ministérios
sociais deixaram de ser balcões de
troca entre políticos e os que ocupavam
cargos públicos.
A
adoção de princípios
modernos de gerenciamento, focados na descentralização,
passou a articular três esferas de
governo, evitando paralelismo de ação,
maximizando orçamentos, valorizando
a responsabilidade fiscal. Foi preparado
assim o ambiente para o avanço do
social.
Muitos
ainda devem lamentar o fim do balcão
de trocas que colocava parlamentares e políticos
como benfeitores de cada ação
implementada. Mas não se pode retroceder
na descentralização administrativa,
nem na parceria com três esferas de
governo. São avanços na reforma
do Estado e na concepção do
próprio Estado que hoje se traduzem
na mobilidade desses índices. Aliado
a isso, o equilíbrio das contas públicas
e a responsabilidade fiscal, permitiram que
esses gastos pudessem ser feitos de forma
universal.
O país hoje adota nova concepção do orçamento.
A criação do Fundef que foi sem dúvida grande avanço
no sentido de utilizar da melhor forma os recursos públicos e de racionalizar
os gastos na educação.
Outro avanço, na área da saúde: a PEC 29, que vincula
recursos da União, estados e municípios maximizando o orçamento
da Saúde. Gastamos melhor e temos mecanismos de fiscalização
mais eficientes.
Ainda
em relação à saúde,
adotamos princípios de atendimento
universal. O governo passou a olhar de forma
especial para determinadas fases e públicos:
a infância, as mulheres, a família
e os idosos. Aliás, pela primeira
vez essa faixa da população
foi atendida por políticas públicas
específicas que contribuem para a
longevidade: cobertura assistencial para
pessoas com mais de 70 anos, acompanhamento
domiciliar por agentes de saúde, investimento
na prevenção de doenças
como diabetes e hipertensão, mutirões
de cirurgia de catarata, campanhas nacionais
de vacinação para terceira
idade. Sem aparelhamento, nem troca de votos.
Falta agora complementar o aparato legal que permitiu a criação
desse novo estado com responsabilidade fiscal e atendimento social universalizado. É preciso
cumprir uma nova etapa, votando uma lei de responsabilidade social, que já tramita
nessa Casa. É um projeto de minha autoria, que permitiria estabelecer
metas e monitorar resultados. Dessa forma, essa mobilidade de índices
poderia ser mais rápida e eficiente.
Nos estados onde o PSDB é governo, estamos aperfeiçoando os critérios
técnicos para balizar a ação social. Convocando a fiscalização
da sociedade, por meio de observatórios. Trabalhamos com seriedade para
aperfeiçoar as metas sociais e adotar indicadores eficientes para orientar
as políticas de inclusão. Temos resultados a mostrar, como a
redução da gravidez entre adolescentes em São Paulo.
Nossas ações foram capazes de permitir essa mobilidade num país
onde a concentração de renda é um entrave ao desenvolvimento.
Tivemos coragem de mudar. Os que não perceberam essa mudança
estão sendo atropelados pela própria História, impedidos
de prosseguir no que representa avanços e sem condições
de corrigir rumos quando é necessário.
Não
se pode correr o risco de reinventar políticas
a cada governo, com prejuízo das populações
atendidas. Índices sociais não
se alteram, por decreto, nem por discurso
recheado de boas intenções.
Publicado
no Jornal de Brasília |