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14.05.05

Goiás viajará nos trilhos da Norte-Sul

* Lúcia Vânia

Durante quase 20 anos, Goiás esperou pelo reinício das obras da Ferrovia Norte-Sul.

Esse sonho levou quase duas décadas para tornar-se realidade, desmantelado por forças que, no mínimo, tinham pouco interesse no desenvolvimento de nossa região. Na realidade, pretendiam a construção de uma obra de tal magnitude, mas que, em detrimento do Centro-Oeste/Norte, beneficiasse principalmente o outras regiões. Essas forças contrárias incluíam, até mesmo, o atual presidente Lula.

Para o presidente José Sarney a Norte-Sul era prioridade. Ao interligar o Centro-Oeste com o Porto de Itaqui, no Maranhão, a ferrovia proporcionaria significativa redução dos custos de transporte para a exportação de grãos oriundos das áreas produtivas do Cerrado Brasileiro.

Agora, Goiás vê reacender a esperança de trilhar o caminho do desenvolvimento a que tem direito pela sua história de crescimento econômico e competitividade.

A Frente Multissetorial Pró Ferrovia Norte-Sul, cujo lançamento ocorreu em Anápolis, no dia 29 de abril, entusiasmou as autoridades presentes e mostrou a importância da união para cobrar a retomada desta obra que começou em 1987, mas que teve apenas 255 quilômetros concluídos no Estado do Maranhão.

Queremos que, também, a região Centro-Oeste possa usufruir dos benefícios advindos da interligação ferroviária com o Norte do país, como a redução em até 40% do valor dos fretes de sua produção.

Exatamente no município de Anápolis é que a ferrovia terá início, sendo concluída no município de Açailândia, no Maranhão, numa extensão total de 1.550 quilômetros .

Essa é, sem dúvida, uma grande conquista para a região do Cerrado e um avanço para o Centro-Oeste, que vive um de seus mais importantes momentos.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, em sua previsão para a safra de 2005, estima que a região participará com cerca de 37,89% da produção agrícola nacional.

A perspectiva de crescimento da safra aliada à esperança de que, desta vez, a obra se concretize, é das mais animadoras.

Incentiva nossos produtores a continuarem investindo no setor, com a previsão de um pouco mais de equilíbrio nos lucros sempre tão defasados.

Um dos grandes fatores dessa defasagem são as perdas pela má conservação das estradas e a inadequação do transporte utilizado, que caracterizam a malha rodoviária, hoje praticamente o único meio de escoamento de suas safras.

De acordo com o estudo do IBGE, cerca de 67% das cargas brasileiras são deslocadas por meio rodoviário, o menos vantajoso para longas distâncias. O Estado considera o meio ferroviário o mais adequado para as médias e longas distâncias.

Segundo a Confederação Nacional da Agricultura o prejuízo com o desperdício de grãos durante o transporte rodoviário chega a R$ 2,7 bilhões a cada safra.

O bom momento vivido pelo Centro-Oeste deve-se muito ao crescimento da atividade agrícola de Goiás. Entre 2003 e 2004, o Estado de Goiás foi o que mais cresceu, subindo para o oitavo lugar no ranking dos estados, conforme divulgou a Revista Amanhã.

Goiás também apresentou um crescimento real anual do seu Produto Interno Bruto, entre os anos de 2002 e 2001, de 4,8%, enquanto o Brasil apresentou crescimento real de apenas 1,9%.

Apesar de tantos números positivos para Goiás e o Centro-Oeste, ainda temos a lastimar a pouca importância que o Governo Federal dá para nosso Estado e nossa região.

Já chamado de "celeiro do Brasil", capaz de levar nosso país a ser o "celeiro do mundo", o Centro-Oeste representou 12% de toda a arrecadação do Governo Federal em 2004 recebendo como retorno em benefícios fiscais somente 5%.

Do mesmo modo, a aplicação dos recursos extra-orçamentários do BNDES no Centro-Oeste representou somente 13% de todo o desembolso do Banco em 2004, cabendo a Goiás R$ 1,2 bilhões dos R$ 5,2 bilhões aplicados na região.

O descaso do Governo Federal também está caracterizado na aplicação de recursos pelos Fundos Constitucionais.

A situação do Fundo do Centro-Oeste ficou muito aquém do esperado. Ele foi o único dos fundos a apresentar uma variação negativa de 19%, quando se confrontam os exercícios de 2004 e 2002.

Goiás recebeu do montante destinado ao Centro-Oeste, R$ 550 milhões, insuficientes para a demanda de financiamentos do Estado.

Apesar disso, Goiás e o Centro-Oeste não desistem.

O maior exemplo foi dado no lançamento da Frente Pró Ferrovia Norte-Sul. Graças à união de forças vamos impulsionar para que esta Ferrovia se concretize, garantindo a tão sonhada prosperidade aos nossos estados e ao Brasil.

 

* Senadora (PSDB-GO)

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