Goiás viajará nos
trilhos da Norte-Sul
*
Lúcia
Vânia
Durante
quase 20 anos, Goiás esperou pelo reinício
das obras da Ferrovia Norte-Sul.
Esse
sonho levou quase duas décadas para tornar-se realidade,
desmantelado por forças que, no mínimo,
tinham pouco interesse no desenvolvimento de
nossa região. Na realidade, pretendiam
a construção de uma obra de tal
magnitude, mas que, em detrimento do Centro-Oeste/Norte,
beneficiasse principalmente o outras regiões.
Essas forças contrárias incluíam,
até mesmo, o atual presidente Lula.
Para
o presidente José Sarney a Norte-Sul era prioridade.
Ao interligar o Centro-Oeste com o Porto de
Itaqui, no Maranhão, a ferrovia proporcionaria
significativa redução dos custos
de transporte para a exportação
de grãos oriundos das áreas produtivas
do Cerrado Brasileiro.
Agora,
Goiás
vê reacender a esperança de trilhar
o caminho do desenvolvimento a que tem direito
pela sua história de crescimento econômico
e competitividade.
A
Frente Multissetorial Pró Ferrovia Norte-Sul, cujo lançamento
ocorreu em Anápolis, no dia 29 de abril,
entusiasmou as autoridades presentes e mostrou
a importância da união para cobrar
a retomada desta obra que começou em
1987, mas que teve apenas 255 quilômetros
concluídos no Estado do Maranhão.
Queremos
que, também, a região Centro-Oeste
possa usufruir dos benefícios advindos
da interligação ferroviária
com o Norte do país, como a redução
em até 40% do valor dos fretes de sua
produção.
Exatamente
no município de Anápolis é que
a ferrovia terá início, sendo
concluída no município de Açailândia,
no Maranhão, numa extensão total
de 1.550 quilômetros .
Essa é,
sem dúvida, uma grande conquista para
a região do Cerrado e um avanço
para o Centro-Oeste, que vive um de seus mais
importantes momentos.
O
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
IBGE, em sua previsão para a safra de
2005, estima que a região participará com
cerca de 37,89% da produção agrícola
nacional.
A
perspectiva de crescimento da safra aliada à esperança
de que, desta vez, a obra se concretize, é das
mais animadoras.
Incentiva
nossos produtores a continuarem investindo
no setor,
com a previsão de um pouco mais de equilíbrio
nos lucros sempre tão defasados.
Um
dos grandes fatores dessa defasagem são as perdas
pela má conservação das
estradas e a inadequação do transporte
utilizado, que caracterizam a malha rodoviária,
hoje praticamente o único meio de escoamento
de suas safras.
De
acordo com o estudo do IBGE, cerca de 67%
das cargas brasileiras
são deslocadas por meio rodoviário,
o menos vantajoso para longas distâncias.
O Estado considera o meio ferroviário
o mais adequado para as médias e longas
distâncias.
Segundo
a Confederação
Nacional da Agricultura o prejuízo com
o desperdício de grãos durante
o transporte rodoviário chega a R$ 2,7
bilhões a cada safra.
O
bom momento vivido pelo Centro-Oeste deve-se
muito ao crescimento
da atividade agrícola de Goiás.
Entre 2003 e 2004, o Estado de Goiás
foi o que mais cresceu, subindo para o oitavo
lugar no ranking dos estados, conforme divulgou
a Revista Amanhã.
Goiás
também apresentou um crescimento real
anual do seu Produto Interno Bruto, entre os
anos de 2002 e 2001, de 4,8%, enquanto o Brasil
apresentou crescimento real de apenas 1,9%.
Apesar
de tantos números positivos para Goiás
e o Centro-Oeste, ainda temos a lastimar a
pouca importância que o Governo Federal
dá para nosso Estado e nossa região.
Já chamado
de "celeiro do Brasil", capaz de levar nosso
país a ser o "celeiro do mundo", o Centro-Oeste
representou 12% de toda a arrecadação
do Governo Federal em 2004 recebendo como retorno
em benefícios fiscais somente 5%.
Do
mesmo modo, a aplicação dos recursos extra-orçamentários
do BNDES no Centro-Oeste representou somente
13% de todo o desembolso do Banco em 2004,
cabendo a Goiás R$ 1,2 bilhões
dos R$ 5,2 bilhões aplicados na região.
O
descaso do Governo Federal também está caracterizado
na aplicação de recursos pelos
Fundos Constitucionais.
A
situação
do Fundo do Centro-Oeste ficou muito aquém
do esperado. Ele foi o único dos fundos
a apresentar uma variação negativa
de 19%, quando se confrontam os exercícios
de 2004 e 2002.
Goiás
recebeu do montante destinado ao Centro-Oeste,
R$ 550 milhões, insuficientes para a
demanda de financiamentos do Estado.
Apesar
disso, Goiás e o Centro-Oeste não
desistem.
O
maior exemplo foi dado no lançamento da Frente Pró Ferrovia
Norte-Sul. Graças à união
de forças vamos impulsionar para que
esta Ferrovia se concretize, garantindo a tão
sonhada prosperidade aos nossos estados e ao
Brasil.
* Senadora (PSDB-GO) |