A
LDO e o novo orçamento de 2005
A
Comissão Mista de Orçamento
aprovou, na última quinta-feira,
o substitutivo do senador Garibaldi Alves
Filho ao projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias.
A
iniciativa e coragem do relator merecem
elogios. Ele conseguiu manter o dispositivo
que trata do reajuste do salário
mínimo a ser concedido em maio de
2005, tomando por base o indicador de toda
riqueza gerada em 2004, dividida pelo número
de habitantes do país (Produto Interno
Bruto per capita). Significou um avanço,
mas sem atingir o limite que pretendíamos,
que viria com a aplicação
da variação nominal do Produto
Interno Bruto que é maior que a
variação per capita.
São
também avanços o fato dos
quatro fundos de segurança pública
e os recursos de pesquisa da Embrapa ficarem
fora de contingenciamento. No caso da Empresa
de Pesquisa Agropecuária, a conquista é fruto
de emenda de minha autoria. A preocupação
foi garantir que as pesquisas não
venham a sofrer solução de
continuidade em sua execução.
Essas
são ações intimamente
ligadas às atividades de biotecnologia
e biossegurança, atuais preocupações
da sociedade brasileira, e que hoje são
objeto do Projeto de Lei nº 9/2004,
em tramitação no Senado.
Lamento,
no entanto, que nesta LDO não tenham
ficado fora do contingenciamento os programas
sociais nem os recursos oriundos da Contribuição
de Intervenção no Domínio
Econômico (CIDE).
Mas,
como prestação de contas à opinião
pública de meu Estado, não
poderia deixar de destacar que pude ver
seis emendas de minha autoria aprovadas.
Emendas que apresentei motivada, principalmente,
pela grande preocupação que
tenho com a minha região, em especial
no que diz respeito ao Entorno do Distrito
Federal.
A
partir de 2005, a Rede Integrada de Desenvolvimento
do Distrito Federal e Entorno - RIDE - ganhará um
tratamento especial na Lei Orçamentária,
que reunirá todos os programas e
ações referentes à Região.
Atualmente, esses programas e ações
são apresentados de maneira dispersa,
sem qualquer identificação,
dificultando o conhecimento e acompanhamento
pelos órgãos competentes.
Outra
proposição acatada é a
que vai facilitar a identificação
de todos os projetos novos a serem incluídos
na proposta orçamentária
encaminhada ao Congresso, para 2005. Essa
emenda surgiu pela dificuldade que encontramos
quando, ao receber a proposta orçamentária,
tornou-se praticamente impossível
identificar as alterações
enviadas pelo Executivo. Muitas vezes,
projetos tidos como novos, são apenas
projetos já existentes, apenas com
um novo nome.
Foram
contempladas ainda as seguintes propostas:
pagamento de bolsas para o professor tutor
do Programa Especial de Treinamento do
MEC; a que evita redução
na quantidade de emendas individuais a
serem apresentadas pelos parlamentares,
para beneficiar seus municípios;
e a que garante ações de
saneamento básico em municípios
com até 30 mil habitantes, beneficiando
5.455 famílias.
Apresentei
também outras emendas, que não
foram acatadas, destacando entre elas,
a que obriga o orçamento da União
a ser regionalizado, visando a reduzir
as desigualdades entre as regiões
brasileiras, como determina a Constituição
Federal. Exclui apenas as despesas com
pessoal e serviços da dívida.
Por último,
gostaria de citar, a aprovação
da Lei de Falências pelo Senado,
onde vi aprovadas 29 emendas de minha iniciativa.
Entre elas, saliento a que prioriza os
créditos de natureza trabalhista,
com alta prioridade para os créditos
trabalhistas até cinco salários
mínimos, visando a sobrevivência
do trabalhador nos casos de decretação
de falência da empresa. Também
a prioridade para os créditos trabalhistas
de cinco até 150 salários
mínimos e a emenda que garante a
preferência aos pagamentos dos créditos
com garantias reais em relação
aos créditos tributários.
Espero
que na próxima terça-feira,
o Congresso possa, enfim, votar a Lei de
Diretrizes Orçamentárias
para 2005. E que venhamos a aperfeiçoá-la
ano a ano, pois cada passo significa um
avanço e uma conquista da sociedade
brasileira, que vê assim garantido
seu direito de entender melhor o orçamento
da União.
À medida
que a Lei se torna mais transparente, a
sociedade pode acompanhá-la e avaliá-la.
Afinal, é ela que paga os impostos
e que tem o direito de ver esses valores
retornarem em seu benefício.
*Senadora
(PSDB-GO), presidente da Comissão
de Assuntos Sociais |