O
PROTOCOLO DE KYOTO E O MEIO AMBIENTE NO BRASIL
*Lúcia
Vânia
O
Protocolo de Kyoto, considerado o mais promissor
de todos os acordos já assinados sobre
meio ambiente entre vários países,
entra em vigor neste dia 16, com um objetivo
da maior importância: obter dos países
industrializados que reduzam suas emissões
de gases causadores do efeito estufa, como
o dióxido de carbono, que provocam
o aquecimento da atmosfera.
No final do ano passado, a Comissão de Assuntos Sociais do Senado viveu
um momento singular em relação à discussão sobre
o meio ambiente no Brasil e no mundo.
Atendendo a solicitação do Embaixador da Rússia, Vladimir
Tyurdenev, recebeu, em sessão especial, a Delegação do Comitê de
Ecologia da Duma Estatal da Assembléia Federal da Federação
da Rússia, que naquele momento visitava o Brasil.
Foi uma visita de intercâmbio parlamentar bilateral, visando contatos diretos
com os parlamentares brasileiros e a busca de conhecimentos sobre as experiências
brasileiras na defesa do meio ambiente.
Esse encontro revestiu-se de especial significado, por ocorrer num momento histórico
para a humanidade, no que diz respeito à preservação do
ecossistema e às preocupações com o aquecimento mundial.
E este momento foi proporcionado pela Rússia, ao aderir, há cerca
de 30 dias, ao Protocolo de Kyoto.
Firmado na cidade de Kyoto, no Japão, em 1997, o Protocolo é um
acordo internacional que visa reduzir as emissões globais de gases do
efeito estufa – principalmente o dióxido de carbono, o CO2, e o
metano – em cerca de 5% até 2012, com base nos níveis de
emissão de 1990.
Para entrar em vigor era necessário que as nações signatárias
do Protocolo respondessem, ao menos, por 55% das emissões de gases nocivos
no mundo. Com a assinatura da Rússia a cota foi atingida e ultrapassada,
chegando-se a 61%.
Vê-se que é um assunto que diz respeito a todos os cidadãos.
Tanto por sua influência direta nos alimentos, como pela correlação
com o problema de sustentabilidade do Planeta em termos de biodiversidade, ecossistema,
qualidade de vida, direitos econômicos e pessoais e crença na natureza
como patrimônio da humanidade.
Embora o país não esteja obrigado a reduzir suas emissões
de carbono num primeiro momento, a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto deve
trazer benefícios ambientais, econômicos e sociais para o Brasil.
Como nação tivemos uma participação efetiva nas negociações
do regime de mudanças climáticas. Para uma melhor compreensão é bom
destacar que, em relação ao assunto, o Brasil tem três grandes
vantagens e uma desvantagem.
São vantagens:
O Brasil ser um país de renda média – o que o coloca fora
dos compromissos obrigatórios e imediatos de redução de
emissão de carbono;
O país ter uma matriz energética com base na hidroeletricidade – tem
mais de 90% da eletricidade produzida a partir de fontes hídricas, portanto
absolutamente limpas;
Ter uma das florestas de abrangência mundial - a Amazônia tem grande
importância no ciclo global do carbono.
A grande desvantagem é a emissão de carbono resultante das queimadas
da agricultura tradicional e do desmatamento da Amazônia. Aproximadamente
20% da população brasileira estão, direta ou indiretamente,
ligados à agricultura tradicional, e é responsável por 75%
do total da taxa brasileira de emissão de carbono.
Mesmo com esta desvantagem, as emissões de carbono do Brasil são
ao redor de 2,5% das mundiais. Só para comparação a Rússia,
que acaba de assinar o Protocolo, emite 17% da taxa mundial.
É assunto que, por sua natureza política e social, concerne ao
Congresso Nacional, em virtude da necessidade do estabelecimento de instrumentos
legais e estruturas institucionais adaptados à realidade do nosso tempo.
Na Constituição Federal o meio ambiente é focalizado no
Capítulo VI do Titulo VIII (Da Ordem Social), de forma bastante enfática.
O artigo 5º, ao decretar o direito à vida como valor fundamental,
certamente o faz fazendo entender o direito à vida em ambiente ecologicamente
equilibrado.
Pelo quê, entendo que a posição do Brasil na questão
da mudança global do clima deve ser a de defesa do interesse nacional,
em quatro vertentes principais:
A afirmação do direito ao desenvolvimento como um componente fundamental
da ordem mundial;
A promoção de uma visão de desenvolvimento associada à sustentabilidade
ambiental;
A busca de uma posição de liderança no mundo na defesa do
meio ambiente; e
A limitação ao uso das florestas como objeto de regulação
internacional.
Entretanto,
por sua natureza científica, o assunto
concerne também aos cientistas brasileiros,
representados na reunião da Comissão
de Assuntos Sociais pelos professores do
Centro de Desenvolvimento Sustentável
da Universidade de Brasília. A eles
a sociedade brasileira deve dar todo o apoio
nas pesquisas que desenvolvem na busca das
condições de um desenvolvimento
sustentável.
*Jornalista
e Senadora (PSDB-GO)
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