Luta
de bastidores pelos recursos do FCO
Lúcia
Vânia
O
Centro-Oeste é hoje área de
fronteira produtiva, de expansão agrícola,
revelando enorme potencial e abrindo inúmeras
perspectivas de desenvolvimento. Goiás
já responde por 10% da safra agrícola
nacional e dobrou a capacidade de exportação
nos últimos dez anos.
A
propósito, destaco a indispensável
contribuição da Embrapa, na
transformação do cerrado em
importante celeiro do país. Os técnicos
dessa instituição de pesquisa
não têm recebido o reconhecimento
merecido pelo trabalho exemplar de aproveitamento
do cerrado.
Nossa
região, que se revelou competente
para produzir grãos, abrigando tecnologia
de ponta, obtém hoje produtividade ímpar
em algodão, milho, soja e girassol.
Tudo fruto da profissionalização
e da capitalização dos agricultores,
com maior emprego de tecnologia no campo,
como uso de sementes melhoradas, fertilizantes
de ponta, análise e correção
de solo, plantio direto e máquinas
de última geração.
Mas
apesar desse quadro e do esforço da
região em se colocar como terceiro
pólo econômico mais importante
do país, os produtores se ressentem
de fomento para intensificar o desenvolvimento
do Centro-Oeste.
Único
instrumento que a região dispõe
para incrementar o desenvolvimento é o
Fundo do Centro-Oeste. Instrumento que já se
mostrou importante e de seriedade comprovada
pelo insignificante índice de inadimplência.
Em
2003, o FCO foi insuficiente para atender
toda a demanda de estados da região,
deixando de fora cerca de 500 projetos em
Goiás. Por falta desses recursos destinados
ao desenvolvimento regional, o acolhimento
de cartas-consulta e projetos pelo FCO está paralisado
desde abril. Com sério prejuízo
para os 1.565 projetos de empreendedores
goianos, que necessitam de financiamentos
no valor de R$ 500 milhões. Para abranger
todas as propostas importantes, seria necessário
conseguir uma complementação
de cerca de R$ 1 bilhão.
Levei
o assunto durante reunião da Comissão
de Assuntos Econômicos ao ministro
Ciro Gomes. Ao responder à minha pergunta,
o ministro deu a senha para uma solução,
e prontamente se colocou à disposição
para intermediar o repasse de R$ 1 bilhão
junto ao BNDES, de forma que esses projetos
pudessem ser viabilizados pelo banco.
Apesar
da boa vontade do ministro, havia dificuldade
em relação à questão
dos juros. Era preciso equiparar as condições
do BNDES às do FCO para que a injeção
de recursos tivesse efeito pretendido. Cabe
explicar: o custo dos financiamentos do BNDES é de
16% em média ao ano. Maior, portanto,
que o custo do empréstimo do FCO,
que varia entre 8,75% a 12% anuais. Para
manter as mesmas condições
dos financiamentos do FCO, teria que haver
a equalização dos recursos
de forma a compensar a diferença de
taxas e juros. Para cobrir essa equalização,
seriam necessários R$ 43 milhões,
a serem bancados pelo FCO.
O
presidente do BNDES, Carlos Lessa, esteve
no Congresso e reafirmou o compromisso do
ministro, colocando-se à disposição
dos técnicos do Ministério
para encontrar a solução apropriada,
tendo como fonte o Tesouro.
Levei
o problema à Frente Parlamentar do
Centro-Oeste como uma das coordenadoras encarregadas
de trabalhar o alongamento das dívidas
da região. Procurei a Secretaria do
Centro-Oeste do Ministério da Integração
no sentido de alertar que o Orçamento
da União para 2003, ao ser aprovado,
deixou de alocar ao FCO R$ 9,6 milhões
decorrentes de multas, juros e dívida
ativa que ficaram de fora da base de cálculo
e que saldos remanescentes de anos anteriores
deverão ser apurados.
Estava
apontado o caminho. Esse valor poderá ser
negociado com o Ministério da Fazenda
permitindo que, em vez do dinheiro ser devolvido
ao Fundo, ao menos parte dele seja utilizado
na equalização dos juros, ainda
que apenas em 2003.
A
solução é viável
e vem ao encontro do compromisso já assumido
pelo presidente do BNDES com o governo de
Goiás de repassar, ainda este ano,
R$ 1 bilhão ao Fundo Constitucional
do Centro-Oeste, operado pelo Banco do Brasil.
Por
outro lado, com base no alerta da equipe
técnica do meu gabinete, a Secretaria
de Desenvolvimento do Centro-Oeste do Ministério
da Integração procedeu a minucioso
levantamento do período de 1998 a
2002, que poderá resultar num adicional
de recursos do Tesouro Nacional, de R$ 156
milhões em favor do FCO ainda neste
exercício.
Com
isso, ganham os produtores rurais, a população
de Goiás e o Brasil. Aos técnicos
anônimos que com tanto afinco trabalharam
nesse caso, fica o nosso agradecimento.
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