Reforma
improvisada prejudica Goiás
Lúcia
Vânia
A
população de Goiás
e do Centro-Oeste tem direito de ser informada
sobre cada passo da reforma tributária
enviada pelo governo ao Congresso Nacional.
A proposta tramita no Senado e irá ao
plenário, onde apresentaremos emendas
ao texto original para evitar maiores prejuízos à região.
Por isso a Frente Parlamentar do Centro-Oeste
está mobilizada, num trabalho sintonizado
dos governadores e parlamentares de Goiás,
Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins
e Distrito Federal.
Ao
aprofundar a análise da proposta de
emenda à Constituição,
nos deparamos com improvisos e desconhecimento
da realidade tributária dos Estados.
Na verdade, a PEC se resume a uma reforma
do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços, como forma
de combate à chamada “guerra
fiscal”. Não houve intenção
de aperfeiçoar o injusto sistema tributário
nacional, a partir de um estudo técnico
sério, onde toda a sociedade fosse
envolvida para construir uma proposta abrangente.,
Em
defesa da unificação da legislação,
alega-se que o País perde arrecadação
quando empresas trocam seus Estados de origem
pelos que oferecem condições
mais favoráveis. Mas um levantamento
cuidadoso da Secretaria de Indústria
e Comércio aponta que de 177 empresas
originárias de outra unidade da federação
que se instalaram em Goiás de 1998
a 2002, apenas uma fez uma transferência
integral de sua unidade produtiva. As outras
mantiveram suas empresas, empregos e arrecadação.
Por outro lado, o estudo prova que não
houve queda real de impostos em nenhum Estado
da federação nesse período.
,
Mais
grave é que o mecanismo adotado para
impedir a “guerra fiscal” fere
de forma dramática a autonomia das
unidades federadas, pois tira dos governadores
a plena competência tributária
que lhes permite manter o dinamismo econômico
da região. ,
Na
falta de uma política nacional de
desenvolvimento, a concessão de benefícios
fiscais foi um dos fatores para elevação
do crescimento do PIB do Centro-Oeste em
cerca de 30% acima resto do País.
Encontramos soluções originais
e inovadoras na pecuária, na agricultura
e no processo de industrialização.
Para compensar essa perda, o que se apresenta é o
Fundo de Desenvolvimento Regional, cujo montante
de recursos para todo o País é bem
inferior aos benefícios atualmente
concedidos ao Centro-Oeste.,
No
afã de garantir o superávit
primário, a União reduz a cada
dia sua capacidade de transferir recursos
aos Estados. Assim o Centro-Oeste perderá seu único
instrumento de promoção do
desenvolvimento, e sem perspectiva futura.
Ou seja, de região-solução
pode se transformar em região-problema.,
Cabe
destacar que a PEC revela ignorância
sobre a realidade tributária dos Estados
ao propor uma alíquota de 4% para
gêneros de primeira necessidade. Esses
produtos já têm impostos inferiores
ou são isentos em diversos Estados.
O resultado dessa medida seria aumento de
preços e com prejuízo exatamente
para os mais pobres. Ao verificar o equívoco,
procurou-se por meio de emenda incluir a
matéria-prima na menor alíquota.
Como isso provocaria a falência dos
Estados produtores, voltou-se atrás.
Os
remendos à lei supõem certo
amadorismo na condução de um
assunto vital para o País e que afeta
a vida dos contribuintes. Não caberia
improviso sem um debate profundo e avaliação
de impacto no próprio dinamismo do
desenvolvimento do País, para o qual
tanto Goiás contribui.
Reconhecemos
que é preciso simplificar o sistema
tributário nacional, mas a PEC reduz
o número de alíquotas de ICMS
para apenas cinco, ao mesmo tempo em que
cria dispositivos que implicam em obrigações
adicionais para o contribuinte e tornam mais
complexa a escrituração dos
tributos.
A
proposta do governo também não
trata da comulatividade da cobrança
dos impostos, que induz à sonegação.
Tanto que editou a medida provisória
do Cofins no apagar as luzes do ano legislativo,
completamente dissociado da estrutura da
proposta.
Goiás
hoje tem papel determinante no superávit
da balança comercial brasileira, em
especial na produção de soja
e derivados para exportação.
Se não houver um fundo capaz de fazer
frente às necessidades do Estado,
o ideal seria preservar o sistema atual,
pois a redução de alíquotas
do ICMS foi um instrumento para atrair e
gerar investimentos.
Estamos unidos, independente de posição partidária, para
defender nossa região. O governador Marconi Perillo tem sido incansável
em sua maratona de sensibilização do Senado contra os riscos
da reforma para Goiás. Levamos nossas preocupações e argumentos
ao relator, senador Romero Jucá, mas obtivemos apenas a promessa de
incluir máquinas e implementos na menor alíquota, como feito
para os insumos agrícolas.
Em
nome das esperanças dos contribuintes
e das famílias do Centro-Oeste, estamos
dispostos a lutar para impedir um equívoco
que custaria caro à nossa região,
com sérios reflexos para todo o País.
O Centro-Oeste não merece ser penalizado
por seu pioneirismo.
Publicado em O Popular
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