Novo
desafio no Senado
Lúcia
Vânia
Dezesseis
anos após ter chegado à Câmara
dos Deputados, tenho agora o privilégio
e o desafio de iniciar nova etapa em minha
carreira política como senadora, eleita
em uma campanha duríssima, na qual
assumi claramente as alianças políticas
que fiz para que o eleitor as julgasse. Em
razão disso, sofri os ataques oriundos
do apelo fácil do discurso oposicionista,
com intuito de manipular o desconhecimento
do eleitorado sobre o processo legislativo
e a situação econômica
do País. O eleitor goiano, contudo,
apoiou minhas propostas e, generosamente,
me concedeu a oportunidade de ser a primeira
senadora eleita por Goiás.
Afirmei
na campanha eleitoral e volto a enfatizar
meu apoio ao governo Fernando Henrique Cardoso,
do qual participei como secretária
nacional de Assistência Social em seu
primeiro mandato. Um governo que, sem dúvida,
nos deixa dados concretos de avanço
em vários setores. Na saúde,
por exemplo, temos o excelente resultado
da política de combate e tratamento
da aids, que está servindo de modelo
para todo mundo.
Os
avanços também se medem pelos
resultados econômicos e sociais colhidos
nos últimos oito anos. Em 1992, a
estagnação e a disparada da
inflação agravavam a miséria
secular no País. Mais de 40% dos brasileiros
viviam abaixo da linha da pobreza. A partir
do Plano Real, o contingente de pobres teve
uma forte redução e mantém-se
estável em torno de 30% da população.
Ainda é um índice alto, mas
iniciou-se uma trajetória rumo ao
combate à pobreza que terá a
oportunidade de ser aprofundada no novo governo
do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva.
Levar
o Brasil ao futuro exigiu da população
vontade e crença, enquanto do governo
federal, clareza, planejamento e firmeza.
Firmeza de propósitos que, muitas
vezes, nos impedia de optar pelo caminho
mais fácil que punha em risco a estabilidade
da moeda e da economia, para tomar medidas
impopulares e politicamente difíceis.
Como resultado, estabilizou-se a economia
e ampliou-se significativamente a qualidade
do gasto social. Isso permitiu universalizar
o acesso aos serviços essenciais de
saúde e ao ensino fundamental.
Ao
mesmo tempo, foi possível focalizar
especialmente as necessidades dos mais vulneráveis.
Para atendê-los, expandiram-se programas
existentes, como a aposentadoria rural e
o seguro-desemprego, e surgiram novos programas,
como o Pronaf, o Peti, a Bolsa-Escola e a
Bolsa-Alimentação.
Vale
lembrar que, embora duramente criticadas
pela oposição, foram aprovadas
medidas como as reformas da Previdência,
a Administrativa e a Lei de Responsabilidade
Fiscal, que selaram o compromisso do País
e de seus dirigentes com a racionalidade,
a transparência e a prudência
na administração do dinheiro
público. Embora não tenham
encerrado a discussão sobre algumas
reformas, a Câmara dos Deputados e
o Senado deram importantes contribuições
para essas mudanças. Na verdade, o
Legislativo nunca chegou tão longe
em relação a matérias
que estavam engavetadas há anos.
No âmbito
da regulamentação das relações
de trabalho, ressalto a ratificação
de duas convenções internacionais
contra a exploração infantil – uma
delas chegou a tramitar sem sucesso no Congresso
há oito anos – e a aprovação
do projeto que regulamentou a profissão
do agente comunitário de saúde,
beneficiando 160 mil trabalhadores no País,
e do qual fui relatora.
O balanço desta legislatura também é favorável
para a mulher. Aprovamos, entre outros projetos, a inclusão na CLT de
regras de acesso da mulher ao mercado; a obrigatoriedade do SUS de fazer reconstituição
plástica de mama em casos de câncer; e a retirada imediata do
agressor do ambiente familiar.
Temos,
contudo, uma herança impostergável
para a próxima legislatura: o compromisso
de promover a reforma tributária,
com a redefinição do sistema
tributário nacional, a criação
de mecanismos para o crescimento econômico
e a redução das desigualdades.
Será inadiável, também,
aprovar a reforma política, que assegure
ao País além de um bom sistema
eleitoral partidário, condições
de ter regras claras no jogo democrático.
Nesse
período, foram inúmeras as
ações para recuperar a economia
de Goiás e promover os ajustes para
seu equilíbrio. Ainda em 1999, lutamos
para que o Estado fosse finalmente ressarcido
pelos investimentos feitos antes da criação
do Tocantins. Recursos para obras como a
Barragem do Ribeirão João Leite,
o projeto de irrigação em Flores
de Goiás e o metrô de Goiânia
foram incluídos no Orçamento
da União, após intensa discussão
na Comissão Mista de Planos e Orçamentos
Públicos do Congresso Nacional, da
qual faço parte e exerci o cargo de
relatora da Lei de Diretrizes Orçamentária
(LDO). Em relação a 2003, quero
comemorar a inclusão do Entorno pela
terceira vez consecutiva na previsão
de gastos federais.
Outra
medida importante aprovada, ainda, no final
desta legislatura foi a prorrogação
da chamada Lei Kandir para 2003, que eliminou
o ICMS das exportações de produtos
primários e semi-elaborados. Criou-se,
assim, um alívio financeiro para os
Estados – incluindo Goiás – por
meio do fundo de ressarcimento dos recursos
deixados de arrecadar com a isenção.
Conseguimos, também, a aprovação
da medida provisória que cria um fundo
de ressarcimento aos Estados dos investimentos
em recuperação das estradas
federais. Vale lembrar a importância
dessa medida para Goiás, principalmente
para os produtores agrícolas e o escoamento
de suas safras.
Por
fim, foi paga uma dívida orçamentária
com o Centro-Oeste que persistia há anos:
o direito da região de receber 20%
dos investimentos nacionais em irrigação,
conforme determina o artigo 42, do Ato das
Disposições Constitucionais
Transitórias. Graças à sensibilidade
do relator do Orçamento da União,
senador Sérgio Machado, pela primeira
vez, cumpriu-se a lei desde a aprovação
da matéria. Preservar esse direito é um
compromisso que precisa ser encarado de forma
conjunta na próxima legislatura pelas
bancadas dos Estados. Aliás, lutar
para que Goiás obtenha os recursos
necessários ao seu crescimento é uma
das bandeiras que pretendo defender no Senado,
onde espero também continuar contribuindo
para a construção de uma sociedade
mais justa e solidária.
Publicado
em O Popular |