Fotos Envie sua mensagem para a Senadora
04.04.04

Falha Nossa

É lamentável que a área social, descuidada no governo Lula a ponto de precisar de campanha publicitária para provar que existe, entre no rol de más notícias.

Para desmentir acusações de imobilismo, o governo caiu em tentação ao maquiar a verdade sobre a agricultura familiar. O Pronaf, importante instrumento de geração de empregos na zona rural tem longa história de sucesso. Dispensaria montar um falso cenário em propriedade particular e pagar trabalhadores de carteira assinada para posar de pequenos agricultores.

A agência de publicidade assumiu a culpa e se comprometeu a refazer o trabalho, sem gastos adicionais aos cofres públicos. Mas se o fato envolvesse uma empresa privada, seria a completa desmoralização para o produto. E não apenas para os profissionais encarregados de tornar públicas as idéias e informações de seu cliente.

Campanhas publicitárias eficazes custam caro, exigem planejamento, organização e compromisso com a veracidade das informações. Porque envolvem o que há de mais preciso para uma empresa: a sua marca. Quando a Secretaria de Comunicação se vê obrigada a tirar do ar peças publicitárias enganosas, contribui para o desprestígio da área social.

O constrangimento aumentou com a suspensão da propaganda do Bolsa-Família por erro de informação sobre o valor dos benefícios. Desperdício de tempo, dinheiro e expectativas, tal equívoco não alegra a oposição. Preocupa sim, pelo despreparo dos responsáveis pela gestão social que não conseguem explicar aos competentes publicitários encarregados da imagem do governo o que é o Bolsa-Família e quanto paga. Como pode então o brasileiro compreender o programa?

É meritório todo investimento voltado a informar o cidadão sobre os benefícios a que tem direito. Em geral, os meios de comunicação se encarregam dessa divulgação gratuitamente, pois é o tipo de serviço que atrai leitores e telespectadores. Mas pela falta de transparência e excesso de centralização o governo não consegue comunicar seus feitos.

Na verdade, em vez de prestar contas à sociedade, a propaganda oficial procurou vender ilusões. E escorregou sistematicamente na divulgação do Fome Zero, a ponto do programa ser abandonado sem ter sido entendido pelo país.

O desmentido parece virar hábito. O Primeiro Emprego, em fase de total reestruturação antes mesmo de engrenar, chegou a ser ridicularizado. Por inoperância, criou cerca de 500 vagas, apenas 0,2% dos 250 mil empregos prometidos aos jovens!

Dados e informações sobre políticas públicas, orçamentos e repasses de recursos devem estar disponíveis a qualquer hora e para todo cidadão; seja parlamentar, publicitário ou beneficiário do Bolsa-Família.

Trabalhar com números incorretos ou inflados é falta de ética. Mas pode ocultar uma incompetência gerencial para operar programas complexos, baseados em princípios democráticos e divisão de responsabilidades. Na ânsia de improvisar ações para a propaganda, o governo pulou etapas, como testes de implementação e correção dos programas. Esse cuidado evitaria a duplicidade no cadastro da unificação de quatro programas sociais que pagou a 323 mil famílias os benefícios do Bolsa-Escola além do Bolsa-Família, durante seis meses.

A partir de abril, pelo menos 23 mil dessas famílias terão os benefícios depositados, mas serão impedidas de sacar o dinheiro. Serão avisadas para procurar as prefeituras. Esse problema sim exige uma campanha de esclarecimento público, porque penaliza injustamente os prefeitos e a população.

Durante a transição, o governo Lula foi advertido sobre a necessidade de revisão do cadastro deixado em implantação. No entanto, perdeu-se um ano em críticas, em vez de agir para correção os problemas.

O Ministério do Desenvolvimento Social identificou a maioria das falhas do cadastro do Bolsa-Escola. Era de se esperar. Para quem opera programas sociais, a escola não é a instituição mais qualificada para avaliar as necessidades econômicas da família. Mais recomendável é o processo de cadastramento descentralizado. Ele permite que o agente de saúde identifique a criança desnutrida. Que o assistente social chegue aos grotões e encontre crianças sem documento e sem escola. E assim por diante. Já o pagamento, deve ser universalizado para reduzir gastos operacionais. Como é feito desde 2001, por meio da unificação do cadastro e do pagamento para todo o Brasil e para todos os programas.

O país se empenhou para substituir a política do favor e da troca pelo direito a políticas públicas consistentes. Foi graças à pressão da sociedade que pudemos superar preconceitos da área econômica e garantir recursos aos programas e ações sociais. Por isso cada real é tão precioso. E não merece ser desperdiçado, no momento em que o desemprego e a queda de renda tanto penalizam as famílias brasileiras.

Gabinete da Senadora Lúcia Vânia
Ala Senador Teotônio Vilela - Gabinete 16 - Anexo II - 70165-900 - Brasília-DF
Tel.: (61) 3311-2844 - Fax: (61) 3311-2868
e-mail: lucia.vania@senadora.gov.br
www.senado.gov.br/luciavania
voltar Página principal Fale com a Senadora