Novo
impulso ao desenvolvimento do Centro-Oeste
Lúcia
Vânia
A
criação inadiável do
Fundoeste – Fundo de Desenvolvimento
do Centro-Oeste e da ADCO – Agência
de Desenvolvimento do Centro-Oeste é um
imperativo, não somente sob a ótica
de nossa região, mas do ponto de vista
do mais alto interesse nacional. Sua criação
representará um novo impulso de crescimento
para o já dinâmico Centro-Oeste.
Um impulso que trará, rapidamente,
frutos generosos para o País.
O
Centro-Oeste, com seu alto potencial de crescimento,
mas também com suas muitas carências
e deficiências, será terra fértil
para as sementes a serem plantadas pelo Fundoeste
e por uma agência de fomento enxuta
e eficaz. É preciso partir para um
esforço planejado, envolvendo governos,
empresas e comunidades, em prol de uma nova
arrancada em seu desenvolvimento sustentável.
O
que o Centro-Oeste já faz, mesmo com
os poucos recursos de que dispõe, é uma
boa amostra do muito que ainda pode fazer.
Na agropecuária, na agroindústria,
no turismo, temos tido desempenho notável.
O Brasil sabe do peso da produção
agrícola do Centro-Oeste. Milho, soja,
arroz, algodão e sorgo tornam a região
a maior área produtora de grãos
da América do Sul. Mas essa produção
ainda pode ser multiplicada, triplicada.
A
pecuária não fica atrás.
O Centro-Oeste tem demonstrado que pode tornar-se
um pólo mundial de exportação
de proteína animal de alta qualidade
e confiabilidade. Progrediram espetacularmente
a bovinocultura, a suinocultura e a avicultura.
Há estudos e experiências, em
Goiás, que nos dizem que aqui se pode
produzir três toneladas de peixe, por
hectare ano, em tanques-rede. Uma produtividade
altíssima.
A
mineração ainda tem muito que
crescer. Igualmente, o turismo, grande gerador
de empregos. Basta citar o Pantanal, região
fascinante, e a Brasília dos eventos
e congressos, com sua bela arquitetura. O
ecoturismo tem grandes atrativos em toda
a região.
Esse
potencial enorme exige, no entanto, melhor
infra-estrutura e financiamento disponível
para os diferentes setores da economia principalmente
para as indústrias. A reforma tributária
nos fará perder a capacidade de atrair
empreendimentos com incentivos fiscais. No
mínimo, como compensação,
necessitaremos do Fundoeste e da Agência.
Existem, no Centro-Oeste, inúmeros
projetos de importância nacional que
não avançam por falta de recursos.
Ferrovias, hidrovias, potenciais hidroelétricas à espera
de aproveitamento.
A
indústria, no Brasil, precisa ser
descentralizada. Para isso, o Centro-Oeste
necessita de um Fundo de Desenvolvimento
e de uma Agência de Desenvolvimento.
Um Fundo que permita aos estados promover
o desenvolvimento econômico e social,
criar um ambiente favorável ao investimento
privado, traçar programas consistentes
e de longo prazo e articular ações
e políticas de crescimento e de modernização.
Uma
agência de fomento que promova a integração
de estratégias, que estruture programas
regionais de energia, telecomunicações,
transportes, saneamento e atividade industrial,
que crie pólos de desenvolvimento
e de aprimoramento da competitividade.
Todos
sabemos que a participação
do Centro-Oeste nas exportações
brasileiras, no saldo comercial brasileiro, é notável,
importante e bem conhecida. Mas o Brasil
ainda não se alinha entre as grandes
nações exportadoras do mundo.
A exportação brasileira pode
ser considerada modesta, em relação
ao Produto Interno Bruto. Se olharmos para
a participação do Centro-Oeste
no PIB nacional, veremos que ela ainda é pequena.
Para um PIB brasileiro de R$ 1 trilhão
e 500 bilhões, temos um produto anual
do Centro-Oeste de apenas R$ 80 bilhões.
Isto representa somente 5,5% do total nacional.
Ora,
essa participação está longe,
muito longe de corresponder ao potencial
produtivo do Centro-Oeste. A região
precisa ser irrigada com recursos e um esforço
institucional de fomento, para que desabroche
toda a sua potencialidade, toda a sua capacidade.
Esse
novo impulso de desenvolvimento sustentável
faz falta ao Centro-Oeste e faz falta ao
Brasil. Já é hora de desencadeá-lo.
Que venham, portanto, o Fundoeste e a Agência
de Desenvolvimento do Centro-Oeste.
Publicado
no Jornal de Brasília |