O
celeiro esvaziado
Lúcia Vânia*
No
final do ano passado, a região Centro-Oeste
foi destaque na imprensa nacional e internacional,
como base do crescimento do setor primário
brasileiro capaz de, em poucos anos, elevar
o Brasil ao patamar de “celeiro do
mundo”.
Em extensa reportagem, o jornal The New York Times destacou a região
do Cerrado como tendo “ótimo clima e solo fértil, capaz
de oferecer como em nenhum outro lugar do Brasil e do mundo duas colheitas
por ano que rendem três toneladas de grãos por 0,40 hectare”.
Mostrava ainda que a região garante 40% da produção brasileira
de grãos, com destaque para a soja e o milho.
Na mesma ocasião, a Revista Amanhã, de publicação
nacional, publicou matéria exclusiva com o ranking dos Estados brasileiros,
cujo título foi “O Centro-Oeste pede passagem”.
Além de mostrar a região como responsável por uma transformação
no mapa da competitividade regional brasileira, a Revista salientava que o
Estado de Goiás foi o que mais cresceu entre 2003 e 2004, subindo para
o oitavo lugar no ranking dos estados brasileiros.
As duas reportagens foram abordadas em pronunciamento que fiz no plenário
do Senado Federal. Ao mesmo tempo em que destaquei a importância dos
números divulgados, fiz questão de alertar as autoridades para
a necessidade de o Governo Federal continuar impulsionando o desenvolvimento
do Centro-Oeste.
De novembro até agora transcorreram pouco mais de três meses.
E nesse período de apenas 90 dias, o “celeiro do mundo” parece
ter se esvaziado.
A baixa da cotação da soja, do algodão e do milho, o recuo
do dólar que prejudicou os produtores exportadores, e o aumento no preço
dos insumos e máquinas agrícolas levaram a uma crise de enormes
proporções no setor primário.
Aliem-se a tudo isso as insustentáveis condições de tráfego
das rodovias e a falta de estrutura dos portos para escoamento das safras e
se poderá entender os motivos que estão levando a esta intensa
mobilização do setor primário, que hoje atinge seu ponto
alto em Rio Verde.
Por outro lado, cresce entre as lideranças a sensação
de não existir por parte do governo federal interesse em ajudar o setor
agrícola.
Nesse sentido, a pauta de reivindicações para a reunião
de hoje é bastante objetiva: os produtores querem discutir a política
de crédito do governo e as garantias de comercialização
da safra; o parcelamento nos financiamentos para custeio e prazo maior para
pagamento dos empréstimos bancários.
A presença de governadores, parlamentares, lideranças rurais
e ministros (que se espera atendam ao convite) deve servir para mostrar ao
governo que o setor produtivo do Centro-Oeste não vai continuar calado.
Descobrimos nosso potencial e nossa força. E fomos descobertos também.
Além das culturas que impulsionam o nosso desenvolvimento, ainda temos
excelente produção diversificada graças ao trabalho de
pesquisa da Embrapa.
O encontro de Rio Verde é a prova de que nossa região continua
disposta a lutar para garantir a balança comercial e o abastecimento
do Brasil, capaz de transformar nosso país na superpotência agrícola
que o mundo espera que sejamos em breve espaço de tempo.
Senadora (PSDB-GO)
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