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02.03.05

O celeiro esvaziado

Lúcia Vânia*

No final do ano passado, a região Centro-Oeste foi destaque na imprensa nacional e internacional, como base do crescimento do setor primário brasileiro capaz de, em poucos anos, elevar o Brasil ao patamar de “celeiro do mundo”.

Em extensa reportagem, o jornal The New York Times destacou a região do Cerrado como tendo “ótimo clima e solo fértil, capaz de oferecer como em nenhum outro lugar do Brasil e do mundo duas colheitas por ano que rendem três toneladas de grãos por 0,40 hectare”.
Mostrava ainda que a região garante 40% da produção brasileira de grãos, com destaque para a soja e o milho.

Na mesma ocasião, a Revista Amanhã, de publicação nacional, publicou matéria exclusiva com o ranking dos Estados brasileiros, cujo título foi “O Centro-Oeste pede passagem”.

Além de mostrar a região como responsável por uma transformação no mapa da competitividade regional brasileira, a Revista salientava que o Estado de Goiás foi o que mais cresceu entre 2003 e 2004, subindo para o oitavo lugar no ranking dos estados brasileiros.

As duas reportagens foram abordadas em pronunciamento que fiz no plenário do Senado Federal. Ao mesmo tempo em que destaquei a importância dos números divulgados, fiz questão de alertar as autoridades para a necessidade de o Governo Federal continuar impulsionando o desenvolvimento do Centro-Oeste.

De novembro até agora transcorreram pouco mais de três meses.

E nesse período de apenas 90 dias, o “celeiro do mundo” parece ter se esvaziado.

A baixa da cotação da soja, do algodão e do milho, o recuo do dólar que prejudicou os produtores exportadores, e o aumento no preço dos insumos e máquinas agrícolas levaram a uma crise de enormes proporções no setor primário.

Aliem-se a tudo isso as insustentáveis condições de tráfego das rodovias e a falta de estrutura dos portos para escoamento das safras e se poderá entender os motivos que estão levando a esta intensa mobilização do setor primário, que hoje atinge seu ponto alto em Rio Verde.

Por outro lado, cresce entre as lideranças a sensação de não existir por parte do governo federal interesse em ajudar o setor agrícola.
Nesse sentido, a pauta de reivindicações para a reunião de hoje é bastante objetiva: os produtores querem discutir a política de crédito do governo e as garantias de comercialização da safra; o parcelamento nos financiamentos para custeio e prazo maior para pagamento dos empréstimos bancários.

A presença de governadores, parlamentares, lideranças rurais e ministros (que se espera atendam ao convite) deve servir para mostrar ao governo que o setor produtivo do Centro-Oeste não vai continuar calado.

Descobrimos nosso potencial e nossa força. E fomos descobertos também. Além das culturas que impulsionam o nosso desenvolvimento, ainda temos excelente produção diversificada graças ao trabalho de pesquisa da Embrapa.

O encontro de Rio Verde é a prova de que nossa região continua disposta a lutar para garantir a balança comercial e o abastecimento do Brasil, capaz de transformar nosso país na superpotência agrícola que o mundo espera que sejamos em breve espaço de tempo.
Senadora (PSDB-GO)

 

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