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Edição de
quinta-feira 05 de novembro de 2009
Governo pode ser autorizado a rever o acordo ortográfico
Acordo firmado entre Brasil e demais países de língua portuguesa é alvo de duras críticas de especialistas durante audiência promovida pela Comissão da Educação
 | | Marisa Serrano sugere a aprovação de lei para possibilitar mudanças no texto | O Congresso Nacional poderá autorizar o governo brasileiro a rever o acordo ortográfico firmado com os demais países de língua portuguesa. A sugestão foi apresentada ontem pela senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), após ouvir diversas críticas feitas ao acordo durante audiência pública sobre o tema realizada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).
A aprovação de lei nesse sentido é uma das alternativas a serem analisadas pela comissão, segundo a senadora, que defendeu o aprofundamento do debate sobre a reforma ortográfica com a sociedade. O Brasil foi o único país a adotar oficialmente o acordo, assinado em 1990. Segundo o texto, a implantação das mudanças na língua estará concluída em 2013.
O presidente de honra da Academia Brasileira de Filologia, Leodegário Amarante de Azevedo Filho, observou que há grande resistência à adoção da reforma ortográfica estabelecida pelo acordo, principalmente entre escritores portugueses. Ele apontou a existência de problemas como a extinção do trema, que indica a pronúncia de determinadas palavras, e a manutenção de consoantes mudas, como o "c" na palavra "actor".
A reação dos portugueses à mudança ainda foi ressaltada pelo representante da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, Walter Esteves Garcia.
O acordo foi também duramente criticado pelo professor Ernani Pimentel, que lançou o movimento Acordar Melhor, destinado a aperfeiçoar a reforma ortográfica. Em sua opinião, as mudanças na ortografia deveriam eliminar exceções a regras e duplas grafias, além de padronizar os radicais.
Após ouvir os debatedores, o senador Flávio Arns (PSDB-PR) declarou ter ficado "abismado com o nível de dificuldade que o acordo está trazendo para a vida nacional". Por sua vez, Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu a necessidade de uma revisão no texto, após perceber a existência das falhas mencionadas pelos expositores.
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