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Especial
Edição de segunda-feira 12 de maio de 2008
Cala-se a voz de um dos grandes oradores do Senado

"Ali estava sua alma generosa. Ali brilhava seu cérebro privilegiado"

"Quando ele começava a falar, fazia-se o silêncio", disse Sérgio Cabral sobre Artur da Távola (foto)
Escritor, jornalista, advogado, professor e político, Artur da Távola morreu na sexta-feira, em seu apartamento no Rio de Janeiro, aos 72 anos.Desde agosto de 2007, ele sofria de problemas cardíacos. Ex-deputado federal pelo antigo estado da Guanabara, pelo PTN, Artur da Távola foi eleito senador pelo PSDB em 1994, tendo cumprido os oito anos do mandato. Foi um dos fundadores do partido.

Paulo Alberto Monteiro de Barros – seu verdadeiro nome – foi exilado político no Chile e na Bolívia durante o regime militar pós-64. Tornou-se uma pessoa conhecida ao voltar ao Brasil e manter, por 15 anos, uma coluna no jornal O Globo, onde fazia análise sobre televisão. Nos últimos 18 anos, escreveu para o jornal O Dia as Crônicas sobre a Vida. Na era da internet, manteve dois blogs – em um deles (www.arturdatavola.com) ainda pode ser acessada a crônica "Papo dispersivo sobre a paixão", datada de quinta-feira passada.

– Foi um dos grandes oradores do Senado. Quando ele começava, fazia-se o silêncio. Eram verdadeiras aulas, imperdíveis – assim se manifestou o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ex-senador, ao comentar a morte do amigo.

No Senado, Artur da Távola foi líder do governo Fernando Henrique Cardoso. Despediu-se no dia 19 de dezembro de 2002 com um discurso de apenas 11 linhas em que afirmou que o Senado "é uma grande Casa de trabalho, cultura e patriotismo" e que saía da vida parlamentar com a mesma dignidade com que entrara 42 anos antes. Disse que saía sem deixar inimigos, pois discutia idéias, e não pessoas, o que lhe permitia sempre dizer o que pensava.

Autor de 23 livros, era, além de cronista, profundo conhecedor de música, especialmente da clássica e da popular brasileira. Manteve por muitos anos programas sobre música na Rádio Senado, que o homenageou na sexta-feira passada (htpp://www.senado.gov.br/radio/download.asp?nomArquivo=0509a_tavola01.mp3). Na TV Senado, apresentava o programa Quem tem medo de música clássica?.

Sua vida política começou como estudante de Direito na PUC do Rio, quando participou do movimento estudantil. Perseguido pelo regime militar, exilou-se no estrangeiro. Em 1968, voltou ao país.

Como deputado constituinte, lutou por alterações na legislação que regula a concessão de emissoras de rádio e televisão. Em 1988, juntou-se ao grupo de Fernando Henrique, Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e outros para fundar o PSDB. No Senado, foi presidente da Subcomissão Permanente de Cinema, Teatro, Música e Comunicação Social, ligada à Comissão de Educação, Cultura e Esporte.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), distribuiu no início da noite de sexta-feira nota oficial para manifestar pesar pela morte de Artur da Távola. "Querido amigo, talentoso jornalista, notável escritor e bravo companheiro" foram os adjetivos utilizados pelo líder do partido para referir-se a Távola.

Para Arthur Virgílio, o ex-senador deixará saudades pelos programas que apresentava na TV Senado e na Rádio Senado. "Ali estava a sua alma generosa. Ali brilhava o seu cérebro privilegiado. Ali reluzia a sua sensibilidade singela", destaca a nota assinada pelo líder do PSDB no Senado.

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