Uma das mais importantes revoltas nativistas do período da Regência, ocorreu entre 1835 e 1840 e destacou-se pelo seu caráter eminentemente popular, onde os cabanos (moradores de cabanas nos vilarejos ribeirinhos e que deram o nome ao movimento), índios, negros e mestiços foram os personagens principais.
A Cabanagem representa um prosseguimento das manifestações que se desenrolaram na Província do Grão-Pará desde a independência do Brasil. A presença portuguesa na região era marcante, tendo os paraenses lutado contra o domínio lusitano; desde 1833 a província foi marcada pelas sangrentas disputas dos partidos Caramuru (formado por portugueses) e Filantrópico (formado por brasileiros).
A luta originou-se do combate à penúria e às péssimas condições sociais em que vivia a população paraense, liderado pelo Cônego Batista Campos, que se destacou em várias disputas contra a metrópole até o nascimento do movimento revolucionário mais articulado.
O primeiro êxito revolucionário ocorreu em Belém, em janeiro de 1835, a partir do assassinato do presidente da Província do Grão-Pará e dos comandantes das Armas e da Força Naval, quando os revoltosos tomaram o poder. Com o envio de novos chefes militares pelo Governo Imperial e ante a invasão da Capital pelos revoltosos, liderados por Pedro Vinagre e Eduardo Angelin, o Brig. Francisco José bloqueou e ocupou a Capital em maio de 1840, tendo capturado os líderes e os enviado ao Rio de Janeiro, onde foram condenados à prisão.
O império concedeu aos revoltosos anistia irrestrita. Estava assim terminada revolta, que representou o único movimento popular em que as camadas inferiores da população conseguiram, com certa estabilidade, ocupar o poder de toda uma província.
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