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Integração da Venezuela ao Mercosul repercute em Montevidéu

[Foto: Mercosul]

A aprovação, na quarta-feira (17), pela Câmara dos Deputados, do ingresso da Venezuela no Mercosul, foi comemorada nesta quinta-feira (18) pelos parlamentares brasileiros em Montevidéu, Uruguai, onde se realizam as últimas reuniões do Parlamento do Mercosul em 2008. O presidente do Parlamento do Mercosul, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), disse que, ao endossar a entrada da Venezuela no bloco, o Legislativo brasileiro deu um passo muito importante para a superação da crise econômica que afeta o mundo.  

- Espero que esse passo seja mais rápido agora no Senado, porque, ao integrar mais uma economia, é possível trabalharmos com mais certeza de superar a crise econômica. Só o mercado brasileiro, o maior da América do Sul, sofre menos as conseqüências da crise, porque dependemos mais do mercado interno do que da exportação. No momento em que fazemos a integração, ampliamos o mercado e o poder econômico, não só do Brasil, mas de todo o bloco - assinalou. 

Dr. Rosinha lembrou que sempre critica aqueles que encaram ideologicamente a questão da integração. O presidente do Parlasul apontou o exemplo da União Européia, que integrou três ou quatro países dos Bálcãs, a área mais conflituosa da Europa. Com essa iniciativa, acrescentou o parlamentar, a União Européia atuou para diminuir o conflito e aumentar o mercado.  

- Quando ampliamos o Mercosul, também ampliamos o mercado e diminuímos o conflito, porque em vez de afastar, você agrega o outro governante para fazer o debate da integração - assinalou.  

A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) disse que não tem dúvidas de que a aprovação da integração da Venezuela ao Mercosul passará fácil no Senado. Ela observou, porém, que ainda há a discussão em torno de uma cláusula pétrea para os países do bloco: o compromisso com a democracia e a luta pela sua manutenção.  

- Há questionamentos, por sabermos que algumas atitudes da Venezuela estão em desarmonia com a democracia. Mas não acredito que isso impedirá a entrada da Venezuela. Há uma questão econômica que é importantíssima para nós, além das questões educacional, cultural e de ciência e tecnologia, que nos unem àquele país - disse. 

O senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC), por sua vez, reconheceu que existem resistências pontuais à integração da Venezuela ao Mercosul no Senado, mas acredita que elas não impedirão e não se constituirão em obstáculo à aprovação do ingresso. Ele disse que já vê além da Venezuela, pois vem advogando o ingresso de outros países no Mercosul e lembrou que o bloco tem países associados, mas ainda não integrados, como é o caso da Bolívia, do Peru e da Colômbia.  

- Eu enxergo essa perspectiva, da integração completa da América do Sul em um organismo como o Mercosul. Ele se tornará cada vez mais forte, na medida em que incorpore outros países. Eu creio que a aprovação do ingresso da Venezuela será pacífica, será tranqüila, apesar de algumas resistências pontuais - concluiu.



18/12/2008 - Ricardo Icassatti / Agência Senado


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