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A sucessão de golpes marcaram os primeiros anos de República
Em 1891 foi promulgada a primeira Constituição republicana. Dois anos depois, o marechal Deodoro da Fonseca fechou o Congresso e decretou estado de sítio.

 

Dissolução do Congresso por Deodoro

Proclamada a República, o marechal Manoel Deodoro da Fonseca chefiou o governo provisório que duraria até a conclusão da Constituição promulgada em 24 de fevereiro de 1891. Dois nomes foram destaques na Assembléia Constituinte: o de seu presidente, senador Joaquim Saldanha Marinho, e o do senador Rui Barbosa de Oliveira, autor de mais de 80% dos artigos, incluindo o que alterou o nome de Câmara de Senadores para Senado.
Mas o governo republicano começou a decepcionar. “Esta não é a República dos meus sonhos”, afirmou Saldanha Marinho.

Golpes marcaram a alvorada da República

Deodoro resolveu acabar com a oposição que tinha no Congresso, dissolvendo-o em 3 de novembro. Tentou então um golpe de Estado, mas, sem apoio, renunciou em 23 de novembro de 1891.

O vice-presidente marechal Floriano Vieira Peixoto, ex-senador constituinte por Alagoas, deveria assumir apenas para convocar novas eleições. Ao interpretar em causa própria um artigo da Constituição, decidiu manter-se no po-der. Com isso, a Re-pública que ha-via sido proclamada por um golpe militar, enfrentou o terceiro golpe. O senador Rui Barbosa, ao questionar a atitude de Floriano, acabou tendo de se exilar.

Já no poder, Floriano afastou os interventores dos estados que haviam apoiado o golpe de Deodoro. Diversas rebeliões sucederam nas províncias, exigindo o retorno do velho marechal ao poder, mas Floriano, o Marechal de Ferro, sufocou os revoltosos e governou por três anos.

Duas décadas e meia de “café-com-leite”

Na busca de sanear a economia do Brasil e controlar a política nacional, o presidente Manuel Ferraz de Campos Sales firmou o que ele próprio chamava de “política dos estados”, mas que, na realidade, era uma “política dos governadores”.

Esse arranjo consistia num acordo entre o Executivo federal e os presidentes (como eram então denominados os governadores) dos estados em que somente os candidatos ao Parlamento indicados pelos governadores teriam apoio federal. Em contrapartida, deputados e senadores apoiariam as iniciativas do governo federal. A fórmula foi mantida sob o predomínio de presidentes da República paulistas e mineiros, daí ter passado à história como política do café (que representava São Paulo) com leite (em referência a Minas).

A decisão sobre qual seria o candidato à sucessão quase sempre foi tomada no Palácio do Senado, em reunião com a presença do presidente da República e dos governadores de Minas Gerais e de São Paulo. O nome do indicado era passado para os congressistas, que geralmente ratificavam a escolha.

O primeiro presidente a ser escolhido, em 1902, foi o então governador de São Paulo, Rodrigues Alves, candidato oficial de Campos Sales. Para sua sucessão, em 1906, foi designado o senador mineiro Afonso Pena, presidente do Senado e vice-presidente da República. Entre 1909 e 1914 houve um breve hiato, pois o fluminense Nilo Peçanha, então vice-presidente, assumiu para concluir o mandato.

“A pena contra a espada" na República Velha

Apoiado pelo senador general Pinheiro Machado (RS), o ex-ministro da Guerra de Afonso Pena, marechal Hermes da Fonseca, lançou sua candidatura à Presidência. As eleições de 1910 seriam marcadas pela divisão entre “militaristas” e “civilistas”, estes em prol do senador Rui Barbosa. O temor de se votar contra os interesses dos chefes políticos locais em eleições com voto “a descoberto” – assim chamado por não haver uma cabine de votação que garantisse o voto secreto – facilitou a vitória do marechal.
Em 1914 voltou o “café-com-leite”: o senador mineiro Venceslau Braz foi candidato único. O mesmo se passou com Rodrigues Alves, eleito para seu segundo mandato em 1918. Vitimado pela gripe espanhola, ele renunciou em favor de seu vice, o mineiro Delfim Moreira.

Em 1919, o senador Rui Barbosa sairia derrotado novamente ao enfrentar o senador paraibano Epitácio Pessoa. Já em 1922, o governador mineiro Arthur Bernardes venceu Nilo Peçanha, candidato de gaúchos e cariocas. Na sucessão, o senador Washington Luís, ex-governador de São Paulo, venceria o pleito de 1926.
O último eleito pela “política do café-com-leite” foi o então governador de São Paulo, Júlio Prestes. Antes que assumisse, a Revolução de 30 derrubou Washington Luís e, com ele, a República Velha.

 

 

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