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Grandes Nomes
Rui Barbosa, JK, Teotonio Vilela, Duque de Caxias. Senadores que marcaram a história do Brasil
 

 

Rui Barbosa, expoente do Senado por quase três décadas, é patrono da Casa

Advogado, jornalista, jurista, político, diplomata, ensaísta, orador e segundo presidente da Academia Brasileira de Letras, o baiano Rui Barbosa de Oliveira foi o maior expoente do Senado brasileiro em todos os tempos.

Eleito para a Assembléia Constituinte, seus conselhos prevaleceram nas linhas fundamentais da Constituição de 1891. Resistindo à manutenção no poder de Floriano Peixoto, por meio de um autogolpe em 1893, Rui Barbosa foi obrigado a se exilar. Restaurada a ordem no Brasil, retornou em 1895 e assumiu o mandato no Senado, para o qual foi sucessivamente reeleito até à morte.

Candidato a presidente da República, foi derrotado nos pleitos de 1910, 1914 e 1919, por nunca contar com o apoio das oligarquias locais, as quais sempre combateu. Faleceu em 1923.

É o patrono do Senado, e seu busto observa, de cima da Mesa diretora, os trabalhos do Plenário da Casa em Brasília.

 

 

 

JK: volta ao Planalto frustrada pelo golpe

Juscelino Kubitschek passou a faixa ao seu sucessor Jânio Quadros com planos de reassumir a Presidência em 1965, tendo o slogan pronto: “Cinco anos de agricultura para 50 anos de fartura”.

Em 1961, elegeu-se senador por Goiás. Com o golpe militar de 1964, como democrata e opositor ao regime, JK prevê sua cassação em discurso proferido em 3 de junho. Estava certo. Cinco dias depois foi cassado por decreto do presidente marechal Castello Branco.

Durante três anos, ficou exilado em Lisboa. Ao voltar, foi preso e proibido de entrar em Brasília. Em 1976, morreu num acidente de automóvel na Rodovia Dutra. Em 2006, comemoram-se os 50 anos do início do governo JK e os 30 anos de seu falecimento.

 

 

 

Josaphat Marinho

Josaphat Ramos Marinho nasceu em Areia, hoje Ubaíra (BA), no dia 28 de outubro de 1915, filho de Sinfrônio de Sales Marinho e de Adelaide Ramos Marinho.

Ingressou, em 1934, na Faculdade de Direito da Bahia, bacharelando-se por essa faculdade.

Ocupou interinamente, em 1942, o cargo de consultor jurídico do Departamento de Serviço Público da Bahia, passando, em seguida, a dedicar-se ao magistério.

Findo o Estado Novo (1937-1945), foi eleito, em janeiro de 1947, deputado à Assembléia Constituinte da Bahia na legenda da União Democrática Nacional (UDN). Deixou a Assembléia em 1951, a ela retornando eleito em outubro de 1954, pela legenda do Partido Liberal (PL).

Após a posse de Juraci Magalhães no governo da Bahia, em 1959, Josaphat Marinho foi nomeado, em abril, secretário do Interior e Justiça do Estado. Ocupou o cargo até 1960, porque foi designado secretário da Fazenda. Exerceu essa função até março de 1961, quando foi nomeado pelo Presidente Jânio Quadros para a presidência do Conselho Nacional do Petróleo (CNP). Com a renúncia do presidente, em 25-8-61, pediu demissão do cargo, que não foi aceita imediatamente. Permaneceu na presidência do CNP até dezembro de 1961. Retornou, então, à Bahia, assumindo novamente a Secretaria da Fazenda até dezembro de 1962.

No pleito de outubro de 1962, elegeu-se para o Senado Federal pela Bahia. Concluído seu mandato em 1971, Josaphat afastou-se da vida pública, voltando a se dedicar à advocacia e ao magistério superior como professor de Direito Constitucional da Universidade de Brasília (UnB).

Em dezembro de 1979, no contexto da reformulação partidária posterior à extinção do bipartidarismo (29-11-79), assinalou, em entrevista ao Jornal do Brasil, que, após oito anos de afastamento, voltava à vida pública para "dar uma contribuição ao processo de formação dos novos partidos".

Josaphat Marinho tornou-se membro do Instituto dos Advogados da Bahia, do Instituto Baiano de Direito do Trabalho e da Academia Baiana de Letras. Exerce seu segundo mandato de senador da República (1990-98) durante o qual foi relator-geral do novo Código Civil brasileiro, aprovado no Senado depois de 22 anos de tramitação no Congresso Nacional.

Josaphat Marinho é casado com Iraci Ramos Marinho, com quem tem dois filhos.


 

 

 

Teotonio, o menestrel da democracia

Teotonio Vilela era um dos tradicionais políticos que apoiavam o regime militar. Em 1966 exercia o mandato de senador por Alagoas, mas logo se tornaria um dos críticos da ditadura. Por amizade com políticos influentes do período, não foi cassado. Em 1975, iniciou um movimento pela redemocratização nacional em discursos memoráveis no Senado e ganhou o apelido de “Menestrel das Alagoas”. Era aplaudido de pé pelos parlamentares do MDB. Teotônio percorreu o Brasil em campanha pela volta da democracia.

Em contato com a miséria nordestina, elaborou o Projeto Emergência, em que propunha a moratória da dívida externa, reformas sociais e eleições diretas para presidente. Em 27 de novembro de 1983, o “Guerreiro da Paz” morreu de câncer generalizado.

 

 

 

A atuação do baiano Visconde de Cairu

O baiano José da Silva Lisboa, Barão e, mais tarde, Visconde de Cairu, foi um dos políticos brasileiros de maior destaque desde a vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1808.

Na passagem de dom João VI pela Bahia, destacou as vantagens da abertura dos portos brasileiros às nações amigas de Portugal, o que terminaria por resultar na Carta Régia de 24 de janeiro de 1808.
Foi um dos deputados constituintes de 1823, eleito pelo estado da Bahia. Senador nomeado para a 1ª Legislatura, foi contrário ao movimento que resultou na abdicação de dom Pedro I.

Pertenceu ao Partido Restaurador Caramuru, que desejava a volta do imperador. Foi forte opositor de Feijó. Durante a reforma constitucional, defendeu a vitaliciedade do mandato dos senadores. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 20 de agosto de 1835.

 

 

 

A trajetória do senador Padre Antônio Feijó

Diogo Antônio Feijó ordenou-se padre em 1807. Dedicou-se ao sacerdócio e ao magistério no interior de São Paulo. Em Itu, passou a participar da política, elegendo-se deputado junto às Cortes Gerais de Lisboa, em 1821. Chocou as cortes ao discursar em favor da independência do Brasil e teve de fugir para Londres. Voltou com o país já independente.

Ministro da Justiça da Regência Trina Permanente, criou a Guarda Nacional e angariou apoio da aristocracia rural. Em 1833, foi nomeado senador e eleito presidente do Senado. Tornou-se regente do Império em 1835.

Enfrentou várias revoltas e renunciou em setembro de 1837, e voltou a presidir a Casa em 1839. Faleceu em 1843, logo após ter sido absolvidpor participar da Revolta Liberal de São Paulo
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Caxias chega a duque vencendo batalhas no Brasil e no exterior

Por sua atuação na pacificação da Balaiada, no Maranhão, firmada na cidade de Caxias, em 1841, o então coronel Luís Alves de Lima e Silva recebeu o título de Barão de Caxias.

Após encerrar dez anos de lutas da Revolução Farroupilha, foi nomeado conde e senador pelo Rio Grande do Sul, em 1846. Caxias debelou ainda as revoltas liberais de São Paulo e Minas Gerais de 1842. Em 1851, obteve a rendição do uruguaio Oribe. Em 1866, o já Marquês de Caxias assumiu o comando das tropas contra o Paraguai.

Após tomar Assunção, em 1869, recebeu o título de duque. Primeiro-ministro por três vezes, costumava dizer que o Senado era o front de uma “guerra de alfinetes”.

 

 

 

Marquês de Paraná, o líder do Ministério da Conciliação

Honório Hermeto Carneiro Leão, o Marquês de Paraná, tornou-se ministro da Justiça em 1832, alcançando sua primeira grande vitória ao evitar a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, como pretendia o senador Padre Feijó, e foi nomeado senador por Minas Gerais em 1842. Em 1849, assumiu a presidência de Pernambuco, para debelar os últimos focos da Revolução Praieira.

Ocupou a presidência do Conselho de Ministros a partir de 1853. Desde o início, resolveu estabelecer a “política de conciliação”, em que o gabinete era composto por membros liberais e conservadores. Mesmo após sua morte, que causou grande comoção popular em 1856, o Ministério de Conciliação foi mantido até maio do ano seguinte.


 

 

 

Pinheiro Machado, o caudilho assassinado a punhaladas

Ao final da tarde de 8 de setembro de 1915, o senador gaúcho general José Gomes Pinheiro Machado foi assassinado com punhaladas nas costas ao entrar no Hotel dos Estrangeiros, no Rio de Janeiro. O nome do mandante foi enterrado, em 1950, com o assassino Manso de Paiva.

Militar desde que voluntariamente lutou na Guerra do Paraguai, era um caudilho e político hábil, que manipulou por várias vezes o destino da República. Com a vitória do marechal Hermes da Fonseca, em 1910, tornou-se o nome mais poderoso da política brasileira de então.

Traçou seu caminho rumo à Presidência, mas, em 1914, viu mineiros e paulistas se decidirem pelo nome de Venceslau Braz, frustrando suas expectativas. Passou, então, para a oposição.



 

 

 

Nereu Ramos: atuação relevante em momentos delicados do país

Nereu de Oliveira Ramos, catarinense de Lajes, foi um dos políticos de maior destaque no período entre a Revolução de 1930 e o golpe de 1964. Advogado, ingressou na política como deputado estadual em 1911. Fundou o Partido Liberal Catarinense em 1927. Elegeu-se deputado federal em 1930, mas com a revolução teve seu mandato cassado.

Em 1934, foi deputado constituinte. No ano seguinte, elegeu-se governador de Santa Catarina. Continuou na chefia do estado, como interventor federal, até 1945.

Foi vice-presidente da República do governo Dutra e, antes de assumir como senador em 1954, ocupou a Presidência da Câmara dos Deputados.

Em 11 de novembro de 1955, como vice-presidente do Senado, assumiu a Presidência da República, em virtude do impedimento de Café Filho e da deposição do presidente da Câmara, Carlos Luz. Completou o mandato de Vargas, entregando o governo a Juscelino Kubitschek em 1956. Morreu em 1958.


 

 

 

Nilo: “Não sou presidente
do Congresso do PDS”

“Estou consciente de que assumo a Presidência do Senado Federal num dos momentos cruciais da nacionalidade”, afirmou o senador pernambucano Nilo de Souza Coelho, em fevereiro de 1983.
Político, empresário, médico, descendente de importante família do sertão pernambucano, foi o primeiro governador indireto de Pernambuco, nomeado pelo marechal Castello Branco.

Eleito senador em 1979, Nilo Coelho teve atuação forte nos últimos anos da ditadura. Amigo leal do presidente João Figueiredo, pretendia, como presidente da Casa, conduzir o processo de redemocratização do país com o espírito conciliador que demonstrara como líder da Maioria.

Um dos episódios mais marcantes da sua atuação ocorreu em 21 de setembro de 1983, quando o Congresso Nacional, sob seu comando, rejeitou o Decreto-Lei 2.024, que reduzia salários. “Não sou presidente do Congresso do PDS; sou presidente do Congresso do Brasil”, declarou.


 

 

 

Afonso Arinos dedicou 60 anos de vida à luta política liberal

O mineiro Afonso Arinos de Melo Franco, jornalista, jurista e literato, nasceu numa tradicional família de políticos, intelectuais e diplomatas. Por problemas de sa-ú-de, não participou da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.

Em 1934, rompeu com Vargas. Foi um dos signatários do Manifesto dos Mineiros de 1943, primeira manifestação política contra a ditadura de Vargas. Em abril de 1945, foi um fundadores da União Democrática Nacional (UDN), partido que reunia a opo-sição liberal ao presidente.
Nos anos 50, o Congresso aprovou a Lei Afonso Arinos, que tornava a discriminação racial uma contravenção penal. Com a volta de Vargas, em 1951, passou a mover intensa oposição ao governo. Na crise de 1954, que culminaria no suicídio do presidente, ele propôs a renúncia de Vargas e a intervenção das Forças Armadas.

Em 1958, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e para o Senado. Partidário do golpe militar que depôs João Goulart em 1964, foi um dos fundadores, em 1966, da Aliança Renovadora Nacional (Arena). Tornou-se crítico dos rumos do regime e, em 1967, retomou suas atividades docentes e literárias.

Em 1986, após o término da ditadura militar, voltou à vida política, elegendo-se se-nador (PFL-RJ), participando da Assembléia Nacional Constituinte. Em 1988, transferiu-se para o PSDB. Morreu no Rio de Janeiro em 1990, no exercício do mandato de senador.

 

 

 

 


Mário Covas foi um dos fundadores do PSDB, em 1988

O engenheiro paulista Mário Covas obteve seu primeiro mandato político como deputado federal em 1962. Em 1966, reelegeu-se pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que ajudou a fundar no ano anterior. Vítima do Ato Institucional n° 5, teve seus direitos políticos cassados por dez anos em 1969.

De volta à vida pública em 1979, assumiu a presidência do MDB em São Paulo, partido pelo qual obteve novamente uma cadeira na Câmara. Franco Montoro, governador de São Paulo, nomeou Covas, em 1983, prefeito da capital do estado. Em 1986, voltou ao Congresso Nacional, dessa vez eleito senador pelo PMDB, numa votação histórica na qual obteve quase 8 milhões de votos.

Liderou o PMDB nos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte de 1987-1988. Em junho de 1988, rompeu com o PMDB, juntamente com o senador Fernando Henrique Cardoso e Montoro, fundando o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Em 1989, foi candidato derrotado na campanha presidencial vencida por Fernando Collor. Cinco anos depois, se elegeu governador de São Paulo, cargo para o qual foi reeleito em 1998. Um câncer na bexiga o levou à mesa de cirurgia e às sessões de quimioterapia no ano seguinte, mas só o venceu em 6 de março de 2001, deixando um exemplo de vida pública pautada pela ética e pela transparência.


 

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