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Em uma “sala cofre” na biblioteca do Senado Federal, cujas chaves apenas dois funcionários possuem, estão reunidas mais de quatro mil “obras raras”, assim classificadas segundo critérios internacionais que incluem a idade do documento, o valor histórico para a instituição ou o país e a preciosidade da autoria.
Ali, pesquisadores e curiosos podem encontrar, por exemplo, nas 25 estantes eletrônicas, as primeiras edições de obras de grandes nomes da literatura de língua portuguesa, como Machado de Assis, José de Alencar e Eça de Queiroz; discursos políticos de Rui Barbosa e a descrição da flora brasileira no século XIX.
A coleção, que se iniciou com a criação da biblioteca, em 1826, reúne raridades doadas do acervo particular de D. Pedro II e de vários senadores e nobres da época.
Flora brasileira
A obra mais antiga da coleção data de 1633 – Novus Orbis, de Joannes Laet, escrita em latim, retrata, em 690 páginas ilustradas a bico de pena, a chegada dos holandeses ao Brasil. Outra preciosidade, esta do acervo particular de D. Pedro II, é Flora Brasiliensis, do botânico alemão Karl Friedrich Philipp Von Martius, membro da comissão científica austríaca que realizou, durante dois anos e nove meses, uma viagem pelo interior do Brasil, de São Paulo ao Amazonas. A publicação da obra teve início em 1840, sendo concluída somente em 1906. Em 15 volumes, estão classificadas 850 famílias e mais de oito mil espécies da flora brasileira. Ela é considerada pelos biólogos a melhor e mais completa descrição sobre o assunto, conforme destaca a diretora da biblioteca, Simone Bastos Vieira.
Machado de Assis também é destaque nessa coleção. Do autor, a biblioteca do Senado reúne obras raras como a primeira edição de seu primeiro livro – Desencantos, uma peça de teatro datada de 1861 e editada por Paula Brito; e edições de Yaya Garcia e Helena, de 1878, e de Dom Casmurro, de 1899. De José de Alencar, há livros como Guerra dos Mascates, de 1871, sobre os problemas do Império, e Os Partidos, de 1866, em que o autor ressalta o estado de desânimo e de crise no país, marcado também pela falta de confiança da opinião pública nos partidos políticos da época.
Os interessados em conhecer pessoalmente obras como a primeira Constituição do país, de 1824, impressa pela Typographia Nacional; discursos sobre o “elemento servil”, contendo propostas para a libertação dos escravos e até mesmo manuais sobre as eleições no início da República devem agendar a visita. A sala Adélia Leite Coelho, que homenageia a primeira diretora da biblioteca do Senado e onde estão as obras raras, fica permanentemente fechada e com luzes apagadas, além de possuir equipamento para controle de temperatura e umidade, a fim de assegurar melhores condições de conservação aos livros. O usuário permanece na ante-sala, com máscara, e não pode manusear os livros, função exclusiva da bibliotecária, que também tem de usar máscara e luvas. A biblioteca do Senado, que tem o nome de “Acadêmico Luiz Viana Filho”, está aberta aos usuários externos de segunda a sexta-feira, das 9h às 14h. O telefone para agendar visitas é (61) 3311-1197.
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