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PLENÁRIO / Pronunciamentos
02/06/2009 - 21h13
Kátia Abreu rebate ministro que chamou produtores de "vigaristas" e diz que ele é "alienado da economia" Esta matéria contém recursos multimídia
[Foto: senadora Kátia Abreu (DEM-TO)]
Página Multimídia

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) rebateu com veemência, nesta terça-feira (2), em discurso no Plenário, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que, no final de semana, chamou os produtores rurais de "vigaristas". Para a senadora, o ministro "é um alienado da economia nacional" e está irritado porque ela, relatora da Medida Provisória 458/09, pretende modificar a proposta que regulariza a venda de terras da União na Amazônia.

A senadora recebeu o apoio de 15 senadores, em apartes. O ministro só foi defendido pelos senadores João Pedro (PT-AM) e Eduardo Suplicy (PT-SP), os quais disseram que o ministro havia pedido desculpas.

- Esses 'vigaristas' dão um terço dos empregos do Brasil. Esses 'vigaristas' são responsáveis por um terço das exportações brasileiras. Esses 'vigaristas' fazem o setor que mantém a balança comercial do Brasil com um superávit de 26 bilhões de dólares. O Brasil pode viver muito bem sem o senhor, mas o Brasil sentirá muito se perder os seus produtores rurais - disse.

Kátia Abreu tachou o ministro Carlos Minc de "ecoxiita" e afirmou que os produtores, "que ficaram acuados pelos ecologistas nos últimos 13 anos, não vão mais aceitar isso" e agora querem discutir a legislação ambiental. Para ela, os produtores não vão mais aceitar que "meia dúzia de ecologistas" dominem o debate ambiental no país.

A senadora disse que o ministro, que levou o presidente Lula a assinar um decreto com exigências ambientais rigorosas para os proprietários rurais, acabou por unir os produtores, "grandes e pequenos", contra a política imposta pelos ambientalistas. Ela disse que os produtores aceitam reflorestar as margens dos riachos e rios, mas não com as exigências do Ministério do Meio Ambiente, e sim com base em recomendações científicas da Embrapa.

A senadora também criticou pesadamente a organização não governamental (ONG) Greenpeace por suas ações no Brasil. Ela perguntou por que a entidade não luta para que a Europa faça o replantio de suas florestas, que hoje, afirmou, representam apenas 0,3% de sua cobertura florestal original. Lembrou que o Brasil mantém 51% de sua cobertura florestal e nunca viu o Greenpeace fazer um elogio aos brasileiros por isso.

- Ao contrário, eles nos tratam com deboche, nos dão 'prêmio motosserra' - acrescentou, lembrando que a Holanda, sede da ONG, emite 20 toneladas de carbono por pessoa/ano, enquanto no Brasil a emissão é de apenas duas toneladas. "Por que o Greenpeace não interfere lá?", completou.

- Meio ambiente não é religião, não é dogma, não é reserva de mercado. Não concordaremos mais com o autoritarismo ambiental - afirmou. Kátia Abreu lembrou que, a pedido do presidente Lula, a Embrapa Satélite fez um estudo e concluiu que, se for rigorosamente aplicada a legislação ambiental, 71% do território brasileiro não poderiam ser cultivados.

Ao final, depois dos elogios dos senadores que a apartearam, a senadora disse que o ministro Carlos Minc "fechou o diálogo por sua arrogância e injustiça". Afirmou que, no final, "não serão vencedores o ministro e seus seguidores e nem os produtores, mas sim os brasileiros".

A senadora, também presidente da Confederação Nacional da Agricultura, havia protocolado pela manhã, na Procuradoria Geral da República, uma denúncia contra o ministro Carlos Minc por crime de responsabilidade, por suas ofensas aos agricultores. Ela também encaminhou à Comissão de Ética Pública da Presidência da República um pedido de demissão do ministro.

Da Redação / Agência Senado

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Suplicy propõe diálogo de Kátia Abreu com manifestantes do Greenpeace Esta matéria contém recursos multimídia

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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