A concessão de refúgio político ao italiano Cesare Battisti, condenado na Justiça italiana por quatro assassinatos na década de 70, e a adesão da Venezuela ao Mercosul deverão ser os primeiros grandes temas em debate na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) neste ano. O anúncio foi feito pelo novo presidente da comissão, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), pouco após a sua eleição, nesta quarta-feira (4).
Dos 19 senadores que votaram, 18 assinalaram o nome de Azeredo, enquanto um voto foi pela abstenção. A vaga de vice-presidente só deverá ser preenchida em uma nova votação, uma vez que dependia de um entendimento entre as lideranças partidárias. A eleição foi conduzida pelo senador Paulo Duque (PMDB-RJ), por ser o mais velho entre os integrantes da comissão.
Logo depois de eleito, Azeredo comunicou a realização, nesta quinta-feira (5), da primeira reunião ordinária da CRE. O senador lembrou que já existem diversos requerimentos à espera de votação pela comissão. Um deles é um requerimento de convite ao ministro da Justiça, Tarso Genro, para que explique à CRE os motivos que o levaram a conceder a Battisti a condição de refugiado político.
A proposta de adesão da Venezuela ao Mercosul ainda não chegou oficialmente à CRE, de acordo com o senador. Mas deverá ser objeto de um grande debate na comissão. O protocolo de adesão já foi aprovado pela Câmara e pela Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul. Para que seja concluída a sua tramitação no Congresso Nacional, o protocolo ainda precisa ser votado pela CRE e pelo Plenário. A inclusão da Venezuela precisa também ser aprovada pelo Parlamento do Paraguai, para ser oficializada. A proposta já foi aprovada pelos Parlamentos de Argentina, Uruguai e Venezuela.
Primeiro a felicitar Azeredo pela sua eleição, o senador Flávio Arns (PT-PR) ressaltou a importância das relações internacionais em um momento de crise como o atual. O senador Wellington Salgado (PMDB-MG) afirmou que Azeredo é um "orgulho para Minas Gerais" e que o estado está feliz por sua eleição. O senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) recordou a grande identificação do novo presidente da comissão com o tema das relações internacionais. Por sua vez, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) previu que Azeredo poderá, em um "futuro governo do PSDB", ser chamado para exercer o cargo de ministro das Relações Exteriores.