A baixa qualidade do ensino público no Brasil foi apontada pelo diretor de Políticas e Programas Temáticos do Ministério da Ciência e Tecnologia, Isaac Roitman, como causa de revolta e rebeldia de alunos superdotados. Ele participou de audiência pública realizada nesta terça-feira na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), proposta pelos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e Paulo Duque (PMDB-RJ).
Segundo Roitman, o jovem talentoso busca na escola apoio para desenvolver suas potencialidades e, quando vê suas expectativas frustradas por um ensino precário, apresenta comportamento rebelde e contestador. Conforme relatou, são freqüentes os casos de superdotados que se recusam a ir à escola ou que apresentam um comportamento social criticável. Em muitos desses casos, frisou, o jovem se isola, podendo apresentar problemas psicológicos que podem levar à depressão e ao suicídio.
- Os professores não têm preparo para administrar a educação direcionada a esse jovem talentoso, que muitas vezes é um candidato a ser uma pessoa infeliz, marginalizada - afirmou ele.
Para o especialista, são necessárias políticas públicas que possam garantir oportunidades aos jovens talentosos oriundos de famílias de baixa renda. Ele defendeu uma maior aproximação entre as universidades e as escolas de ensino básico como forma de fortalecer a formação dos professores e a atenção prestada aos estudantes.
- O aluno talentoso poderia ser "adotado" por uma instituição de ensino superior, ter um tutor dentro da universidade, mesmo continuando a estudar na escola em que está matriculado - sugeriu Roitman.
Conforme destacou o gestor, é preciso ampliar o leque de atividades oferecidas aos estudantes com altas habilidades, desde as primeiras séries do ensino fundamental. Ele ressaltou ainda que o atendimento ao aluno superdotado requer uma estratégia diferenciada para cada caso.
- É preciso analisar a maturidade emocional de cada um, os sonhos do estudante, para só então traçar um caminho adicional para a formação do jovem talentoso.
Isaac Roitman citou, como iniciativas adotadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, a extensão da oferta de bolsa de iniciação científica aos estudantes do Ensino Médio. O incentivo, disse, que já vem sendo direcionado a estudantes universitários, poderá também chegar ao Ensino Fundamental.