Um avião da TAM com uma tonelada e meia em armamentos teria partido do Brasil com destino à Venezuela e cumprido a primeira etapa de um carregamento secreto de 31 toneladas e meia a ser completado em quatro vôos, sendo os três últimos de dez toneladas cada. Foi o que publicou na Internet a agência privada de inteligência World Check, segundo revelou em Plenário, nesta terça-feira (4) o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Datado de domingo (2), o informe da World Check foi encaminhado ao senador "por uma fonte acreditada", levando o líder oposicionista a exigir explicações do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Em meio ao debate que se travou sobre a denúncia e o conflito envolvendo a Colômbia, o Equador e a Venezuela, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), Heráclito Fortes (DEM-PI), articulou a vinda ao Senado do ministro da Defesa, Nelson Jobim, para falar sobre o assunto nesta quarta-feira (5).
- Torço para que isso seja um mico, mas o governo não pode deixar de dizer se é verdade ou não que está mandando armas para a Venezuela - instou o parlamentar amazonense.
De acordo com a World Check, as armas estariam seguindo para serem distribuídas à população venezuelana, em caso de eclodir uma guerra civil no país. E seriam entregues no palácio presidencial de Miraflores às ordens do presidente Hugo Chávez. O raciocínio dos observadores da agência é de que não faria sentido enviar armas para as forças armadas e a polícia venezuelanas, já que estas estariam bem equipadas.
Primeiro senador a apartear Arthur Virgílio, o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), da base governista, disse não acreditar que o governo brasileiro esteja envolvido numa operação dessa natureza. Já o senador João Pedro (PT-AM) defendeu a apuração da denúncia.
Em apoio ao pedido de esclarecimento de Arthur Virgílio falaram os senadores do PSDB Sérgio Guerra (PE), Flexa Ribeiro (PA), Eduardo Azeredo (MG), Tasso Jereissati (CE) e Marconi Perillo (GO). Também se mostraram preocupados com o tema os senadores Marco Maciel (DEM-PE), Mão Santa (PMDB-PI), José Nery (PSOL-PA) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE). A líder do Bloco de Apoio ao Governo, Ideli Salvatti (PT-SC), pediu cautela no tratamento da matéria, enquanto o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ressaltou os esforços do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em dar explicações sobre a posição do Brasil no conflito entre Colômbia, Equador e Venezuela.