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A Rio+20

Da Rio-92, em 1992, à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), no Rio de Janeiro, em 2012: negociações sobre o meio ambiente do planeta


Rio de Janeiro, sede das duas conferências: instabilidades no cenário econômico impediram avanços na agenda ecológica desde 1992 (Foto: Pedro Kirilos/Riotur)

A Rio+20 tem a missão de renovar compromissos com o desenvolvimento sustentável em meio a urgências ambientais, sociais, econômicas e políticas que entravam a definição de metas para evitar degradação do meio ambiente

Sede das Olimpíadas de 2016, da Copa do Mundo em 2014 e da Copa das Confederações e da Jornada Mundial da Juventude da Igreja Católica em 2013, o Rio de Janeiro vai atrair as atenções de todo o planeta. E essa mobilização começa já este ano, 2012, com a realização da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Cnuds), que acontece entre 13 e 22 de junho.

A reunião é também denominada Rio+20, remetendo justamente às duas décadas decorridas de um dos maiores eventos mundiais que o Rio de Janeiro já sediou: a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Cnumad), mais conhecida como Rio-92, que se tornou referência para todos os que acreditam que o desenvolvimento pode ser sustentável e que se preocupam com as condições de sobrevivência futura no planeta.

Em 1992, na Rio-92, chefes de Estado e governo de mais de 170 países realizaram uma das conferências mais produtivas que a Organização das Nações Unidas (ONU) já promoveu, dando origem a cinco documentos que servem de base para as negociações que envolvem o meio ambiente até hoje, entre eles a Agenda 21.

Naquele momento, o Brasil vivia a hiperinflação (1.158% em 1992) e taxas de crescimento baixas. No Rio de Janeiro, um sério conflito urbano, causado pelo tráfico de drogas, levou as Forças Armadas às ruas. Situação diferente da que os visitantes internacionais vão encontrar duas décadas depois, em 2012, na Rio+20. A cidade atravessa um período de pacificação e de investimentos altos, com a descoberta de grandes reservas de petróleo no litoral, em meio aos preparativos para se tornar a anfitriã de grandes eventos internacionais.

No plano internacional, em 1992 o momento era propício para que as lideranças mundiais avançassem na agenda para o meio ambiente com perspectivas de crescimento na economia depois da queda do Muro de Berlim e do bloco socialista no Leste Europeu. Em 2012, as situações se invertem: enquanto o Brasil atravessa um período de relativa prosperidade, o mundo, principalmente os países desenvolvidos, lidam com uma grave crise econômica desde 2008, que trouxe altos níveis de desemprego e insatisfação da população com seus líderes. Somente na Europa, 11 chefes de governo já foram substituídos nos últimos quatro anos.

Esse é um dos fatores que fizeram com que, em vez de avançarem, muitas das negociações sobre o meio ambiente emperrassem desde a Rio-92. Apesar da urgência exigida pelos estudos científicos que demonstram as mudanças no clima, a deterioração dos ecossistemas e a necessidade de ação, alterações de rumo no atual modelo de desenvolvimento não encontram espaços. Um documento do Clube de Roma (conceituado grupo de líderes mundiais e cientistas) lançado um mês antes da Rio+20 não deixa dúvidas: até 2052, a temperatura média do planeta terá se elevado em 2 °C e a sobrevivência da Humanidade estará em perigo.

A Rio+20: Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável